{"id":161712,"date":"2017-11-26T06:22:53","date_gmt":"2017-11-26T08:22:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=161712"},"modified":"2017-11-26T06:23:28","modified_gmt":"2017-11-26T08:23:28","slug":"revisitando-obra-de-nise-da-silveira-mae-da-arte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/revisitando-obra-de-nise-da-silveira-mae-da-arte\/","title":{"rendered":"Revisitando a obra de Nise da Silveira, a m\u00e3e da arte"},"content":{"rendered":"<p>Do ateli\u00ea criado por Nise da Silveira (1905-1999) nos anos 1940, no Centro Psiqui\u00e1trico Pedro II, sa\u00edram quase 400 mil obras &#8211; todas parte do acervo do Museu de Imagens do Inconsciente, no Engenho de Dentro, no Rio, tamb\u00e9m fundado por ela e que segue vivo, ganhando novas obras dos frequentadores que ainda encontram ali um espa\u00e7o de livre express\u00e3o, como ela quis.<\/p>\n<p>Sa\u00edram obras e artistas. Mas esse n\u00e3o era o objetivo final daquele setor de Terapia Ocupacional. O que se buscava era o tratamento humanizado de pessoas em sofrimento ps\u00edquico.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a maior contribui\u00e7\u00e3o dessa psiquiatra que se autodenominava rebelde. Uma alagoana que, aos 15 anos, entrou para a faculdade de Medicina, aos 21 se formou com outros 257 m\u00e9dicos &#8211; todos homens -, foi presa como comunista por Get\u00falio Vargas, voltou \u00e0 ativa depois da anistia, revolucionou a psiquiatria da \u00e9poca, conheceu e se correspondeu com Jung e ajudou milhares de clientes &#8211; ela n\u00e3o gostava de cham\u00e1-los de pacientes &#8211; a organizar seu caos interior e a expressar seus sentimentos, ang\u00fastias, dores e desejos.<\/p>\n<p>Seu trabalho no Engenho de Dentro que, quando ela chegou, contava com dois mil internos (muitos deles tratados depois nos ateli\u00eas de pintura, mas tamb\u00e9m de modelagem, marcenaria, bordado, etc), \u00e9 parte do que pode ser visto na Ocupa\u00e7\u00e3o Nise da Silveira, em cartaz at\u00e9 28 de janeiro no Ita\u00fa Cultural.<\/p>\n<p>Assim que o visitante entra na exposi\u00e7\u00e3o, encontra fotos de Nise na inf\u00e2ncia, na faculdade, em casa. Est\u00e3o ali reprodu\u00e7\u00f5es de cartas dela para a m\u00e3e e um poema para o pai. H\u00e1 v\u00eddeos com depoimentos de pessoas que a conheceram e que foram influenciadas por ela e por suas ideias. Informa\u00e7\u00f5es sobre a pris\u00e3o. Mais fotos. Os ateli\u00eas, as festas. A cumplicidade entre ela e seus clientes. O tratamento respeitoso expresso no olhar de cada um.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria dos internos mais conhecidos tamb\u00e9m ganha destaque. Lemos num painel, por exemplo, a trajet\u00f3ria de Adelina Gomes (1916-1984), que se apaixonou aos 18, n\u00e3o teve a aprova\u00e7\u00e3o da m\u00e3e, foi se retraindo e retraindo at\u00e9 ser internada aos 21 com o diagn\u00f3stico de esquizofrenia. At\u00e9 sua morte, produziu 17.500 obras.<\/p>\n<p>Emygdio de Barros, Raphael Domingues, Fernando Diniz, Carlos Pertius, Isaac Liberato. Est\u00e3o todos ali, em fotos e registros biogr\u00e1ficos, e nas paredes &#8211; no primeiro andar da mostra, s\u00e3o expostas suas telas. J\u00e1 no t\u00e9rreo, o visitante pode ver obras de pacientes contempor\u00e2neos e participar de atividades no ateli\u00ea.<\/p>\n<p>Ainda no primeiro andar, vemos o v\u00eddeo gravado no congresso em Zurique, importante momento da carreira da m\u00e9dica, e Posf\u00e1cio &#8211; Imagens do Inconsciente, o document\u00e1rio iniciado em 1986 por Leon Hirszman (1937-1987) e conclu\u00eddo depois da morte do cineasta, por Eduardo Escorel. Apresenta, ainda, a anima\u00e7\u00e3o Estrela de Oito Pontas, dirigido por Marcos Magalh\u00e3es sobre desenhos de Fernando Diniz.<\/p>\n<p>Mais adiante, acompanhamos sua rela\u00e7\u00e3o com Carl Jung (1875-1961) e vemos reprodu\u00e7\u00f5es em tecido das mandalas pintadas pelos internos. Um painel mostra os grupos de estudo de Jung criados por Nise.<\/p>\n<p>Uma \u00e1rea maior da exposi\u00e7\u00e3o \u00e9 dedicada aos animais, tidos pela m\u00e9dica como coterapeutas. H\u00e1, ali, v\u00e1rias fotos de c\u00e3es nos hospitais, com os internos, e fotos dela com seus gatos.<\/p>\n<p>&#8220;Nise da Silveira foi uma grande pessoa, uma das mais aut\u00eanticas e coerentes que conheci. Com ela, aprendi o respeito \u00e0s quest\u00f5es do outro, a entender que o ser humano em sofrimento ps\u00edquico deve ser tratado com aten\u00e7\u00e3o e carinho&#8221;, comenta Gladys Schincariol que, ao se formar em Psicologia em 1973, procurou Nise para um est\u00e1gio. Nunca mais voltou para Campinas e \u00e9 hoje coordenadora do Museu de Imagens do Inconsciente.<\/p>\n<p>Duas felizes coincid\u00eancias. Este m\u00eas, a Unesco declarou os arquivos pessoais de Nise, quase 50 mil itens que est\u00e3o no museu e serviram de base para essa mostra, como Mem\u00f3ria do Mundo. E esse arquivo em breve estar\u00e1 dispon\u00edvel para consulta na internet &#8211; o Ita\u00fa Cultural est\u00e1 patrocinando sua digitaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Do ateli\u00ea criado por Nise da Silveira (1905-1999) nos anos 1940, no Centro Psiqui\u00e1trico Pedro II, sa\u00edram quase 400 mil obras &#8211; todas parte do acervo do Museu de Imagens do Inconsciente, no Engenho de Dentro, no Rio, tamb\u00e9m fundado por ela e que segue vivo, ganhando novas obras dos frequentadores que ainda encontram ali [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":161713,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[70],"tags":[],"class_list":["post-161712","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/161712","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=161712"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/161712\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":161715,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/161712\/revisions\/161715"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/161713"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=161712"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=161712"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=161712"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}