{"id":162202,"date":"2017-12-01T05:28:47","date_gmt":"2017-12-01T07:28:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=162202"},"modified":"2017-12-01T05:28:47","modified_gmt":"2017-12-01T07:28:47","slug":"brasileiros-descobrem-na-china-ovos-de-pterossauros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/brasileiros-descobrem-na-china-ovos-de-pterossauros\/","title":{"rendered":"Brasileiros descobrem na China ovos de pterossauros"},"content":{"rendered":"<p>Cientistas brasileiros e chineses anunciaram nesta quinta-feira, 30, a descoberta de 215 ovos fossilizados de pterossauros &#8211; r\u00e9pteis voadores pr\u00e9-hist\u00f3ricos que eram parentes dos dinossauros -, com cerca de 120 milh\u00f5es de anos, no noroeste da China.<\/p>\n<p>A descoberta, de valor incalcul\u00e1vel para a ci\u00eancia, permitir\u00e1 que os pesquisadores estudem como esses animais viviam, como se reproduziam e &#8211; o mais importante &#8211; como evoluiu seu voo. Os pterossauros foram os primeiros vertebrados a desenvolver a capacidade de voar.<\/p>\n<p>O estudo que descreve a rara descoberta acaba de ser publicado na revista Science. Segundo os autores, at\u00e9 agora haviam sido descobertos apenas oito ovos de pterossauros, cinco na China e tr\u00eas na Argentina. Desta vez, por\u00e9m, com uma cole\u00e7\u00e3o de mais de 200 ovos preservados tridimensionalmente &#8211; isto \u00e9, que n\u00e3o foram esmagados -, foi poss\u00edvel identificar 16 deles com embri\u00f5es em diferentes est\u00e1gios de desenvolvimento.<\/p>\n<p>De acordo com um dos autores do artigo, Alexander Kellner, do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a descoberta dos ovos com embri\u00f5es dar\u00e1 um impulso sem precedentes no conhecimento sobre os pterossauros.<\/p>\n<p>&#8220;Pela primeira vez temos embri\u00f5es em tr\u00eas dimens\u00f5es. Jamais se imaginou que isso seria poss\u00edvel, porque esses ovos s\u00e3o extremamente fr\u00e1geis. Eles s\u00e3o flex\u00edveis e t\u00eam uma caixa externa de carbonato de c\u00e1lcio extremamente fina e, por isso, \u00e9 muito dif\u00edcil que se mantenham preservados por 120 milh\u00f5es de anos. Quando vi o material pela primeira vez, em 2015, mal podia acreditar&#8221;, disse Kellner \u00e0 reportagem.<\/p>\n<p>Os ovos de pterossauros encontrados em 2015 s\u00e3o da esp\u00e9cie Hamipterus tianshanensis, que havia sido descoberta em 2011 pela mesma equipe, liderada por Kellner e por Xiaolin Wang, da Academia Chinesa de Ci\u00eancias. A nova descoberta tamb\u00e9m foi feita no mesmo local da primeira, perto da cidade de Hami, na prov\u00edncia chinesa de Xingjiang.<\/p>\n<p>Outra autora do estudo, Taissa Rodrigues, do Laborat\u00f3rio de Paleontologia da Universidade Federal do Esp\u00edrito Santo (Ufes), o local \u00e9 um pared\u00e3o rochoso, onde ossos e ovos se acumulam em diversas camadas. O trabalho \u00e9 meticuloso: \u00e9 preciso escavar a rocha com um cuidado extremo para n\u00e3o danificar o material.<\/p>\n<p>&#8220;Quando encontramos essa esp\u00e9cie pela primeira vez, vimos que os ossos estavam presentes em grande quantidade &#8211; e havia cinco ovos. A equipe chinesa continuou realizando escava\u00e7\u00f5es at\u00e9 fazer essa nova descoberta vultuosa. Os novos ovos est\u00e3o no mesmo estado de preserva\u00e7\u00e3o, mas, com s\u00e3o mais de 200, isso aumentou a nossa chance de encontrar embri\u00f5es &#8211; e foi o que aconteceu&#8221;, disse Taissa.<\/p>\n<p>Segundo Taissa, quando os fr\u00e1geis ovos s\u00e3o encontrados esmagados, os embri\u00f5es n\u00e3o fornecem tanta informa\u00e7\u00e3o. Mas, quando eles est\u00e3o em tr\u00eas dimens\u00f5es, \u00e9 poss\u00edvel tirar in\u00fameras conclus\u00f5es. Uma sali\u00eancia que aparece em um osso, por exemplo, \u00e9 rapidamente identificada como o local onde ficavam os m\u00fasculos e tend\u00f5es que controlavam as asas &#8211; com isso, os cientistas conseguem reproduzir detalhes precisos da anatomia do animal e de seus movimentos e h\u00e1bitos.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 incr\u00edvel ter encontrado esse bloco com tantos ovos e embri\u00f5es Ovos de dinossauros s\u00e3o comuns, porque t\u00eam uma casca dura como os ovos de galinha. Mas os dos pterossauros s\u00e3o moles e, por isso, quebram facilmente e apodrecem. Al\u00e9m disso os ossos dos embri\u00f5es s\u00e3o muito finos&#8221;, afirmou Taissa.<\/p>\n<p>&#8220;A ossifica\u00e7\u00e3o dos embri\u00f5es ainda \u00e9 fraca e esses ossos se quebram com muita facilidade. Acreditamos que essa cole\u00e7\u00e3o de ovos possui mais embri\u00f5es, mas decidimos n\u00e3o abrir todos eles, j\u00e1 que \u00e9 poss\u00edvel que no futuro sejam desenvolvidas t\u00e9cnicas melhores para estudar o interior dos ovos sem precisar quebr\u00e1-los&#8221;, disse Kellner.<\/p>\n<p>Segundo Kellner, s\u00f3 condi\u00e7\u00f5es muito espec\u00edficas do ambiente podem explicar a preserva\u00e7\u00e3o dos fr\u00e1geis ovos. As caracter\u00edsticas da rocha, segundo ele, mostram que a regi\u00e3o era submetida a fortes torrentes de \u00e1gua.<\/p>\n<p>&#8220;A rocha onde os encontramos n\u00e3o foi o lugar original onde as f\u00eameas fizeram seus ninhos. Aquilo foi transportado. Nossa hip\u00f3tese \u00e9 que h\u00e1 120 milh\u00f5es de anos havia tempestades constantes de grande porte naquela regi\u00e3o. Em algum momento, um fluxo torrencial levou os ovos e alguns ossos poara esse local, onde eles foram soterrados muito rapidamente &#8211; caso contr\u00e1rio, os ovos n\u00e3o teriam sido preservados&#8221;, explicou.<\/p>\n<p>Como os ovos foram encontrados juntos em tamanha quantidade, Kellner afirma que os pterossauros certamente formavam col\u00f4nias para reproduzir &#8211; e possivelmente tamb\u00e9m para acasalar. &#8220;Para encontrarmos esse material, foi preciso ocorrer uma tempestade perfeita, com muita \u00e1gua e enchentes, exatamente na \u00e1rea de reprodu\u00e7\u00e3o dos pterossauros.&#8221;<\/p>\n<p>De acordo com Kellner, a abund\u00e2ncia do material encontrado continuar\u00e1 gerando conhecimento sobre os pterossauros por v\u00e1rios anos. Mas os estudos preliminares j\u00e1 produziram avan\u00e7os no conhecimento, mostrando, por exemplo, que provavelmente os pterossauros rec\u00e9m-nascidos exigiam &#8216;cuidados parentais&#8217;, como acontece com as aves.<\/p>\n<p>&#8220;Conseguimos constatar em alguns dos embri\u00f5es uma ossifica\u00e7\u00e3o diferenciada de ossos associados \u00e0s asas e aos membros posteriores. O \u00famero, que \u00e9 o principal osso do bra\u00e7o envolvido com a atividade de voo, n\u00e3o estava ainda t\u00e3o bem formado como as pernas&#8221;, explicou Kellner.<\/p>\n<p>Isso indicaria que, ao nascer, os pterossauros ainda n\u00e3o eram capazes de voar &#8211; e por isso precisavam da ajuda dos adultos, como acontece com as aves, e diferentemente do que ocorre com animais como crocodilos e tartarugas. &#8220;\u00c9 muito prov\u00e1vel essa seja a primeira evid\u00eancia direta de uma necessidade biol\u00f3gica de cuidados parentais&#8221;, disse o cientista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cientistas brasileiros e chineses anunciaram nesta quinta-feira, 30, a descoberta de 215 ovos fossilizados de pterossauros &#8211; r\u00e9pteis voadores pr\u00e9-hist\u00f3ricos que eram parentes dos dinossauros -, com cerca de 120 milh\u00f5es de anos, no noroeste da China. 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