{"id":162290,"date":"2017-12-01T19:50:48","date_gmt":"2017-12-01T21:50:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=162290"},"modified":"2017-12-01T19:50:48","modified_gmt":"2017-12-01T21:50:48","slug":"renato-aragao-lanca-biografia-em-que-fala-como-conquistou-tv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/renato-aragao-lanca-biografia-em-que-fala-como-conquistou-tv\/","title":{"rendered":"Renato Arag\u00e3o lan\u00e7a biografia em que fala como conquistou a TV"},"content":{"rendered":"<p>Renato Arag\u00e3o faz uma distin\u00e7\u00e3o entre humorista e comediante: enquanto o primeiro usa a palavra falada para fazer gra\u00e7a, o segundo \u00e9 aquele que utiliza o corpo para provocar risos, por meio de amalucadas situa\u00e7\u00f5es f\u00edsicas. \u201cEu me vejo como um comediante\u201d, diz o artista de 82 anos, fiel seguidor do estilo de seus \u00eddolos: Oscarito, Charles Chaplin e Carmen Miranda. \u201cAprendi muito com eles, que me inspiraram artisticamente.\u201d E \u00e9 a imagem desse homem que, desde a d\u00e9cada de 1960, faz caretas e d\u00e1 piruetas que se sobressai do livro Renato Arag\u00e3o &#8211; Do Cear\u00e1 para o Cora\u00e7\u00e3o do Brasil (Esta\u00e7\u00e3o Brasil), biografia que ele assina ao lado do jornalista Rodrigo Fonseca.<\/p>\n<p>Com um texto fluido e \u00e1gil, fruto de encontros quase di\u00e1rios, acontecidos durante 6 meses, o livro se assemelha a um almanaque. \u201c\u00c9 uma literatura de relato\u201d, conta Fonseca, blogueiro do Portal Estad\u00e3o. \u201cA partir da hist\u00f3ria do Renato, percebi que o melhor caminho era criar algo como um livro de aventuras, o que d\u00e1 um colorido mais pop \u00e0 sua mem\u00f3ria.&#8221;<\/p>\n<p>De fato, ainda que inicialmente siga uma ordem cronol\u00f3gica a fim de o leitor entender a forma\u00e7\u00e3o c\u00f4mica do jovem Arag\u00e3o, a trama, aos poucos, se descola do tempo e se aconchega nas hist\u00f3rias envolvendo pessoas. E casos n\u00e3o faltam &#8211; afinal, foram 50 filmes gravados e programas humor\u00edsticos apresentados por diversas emissoras por, pelo menos, cinco d\u00e9cadas, arrebanhando uma audi\u00eancia com mais de 138 milh\u00f5es de espectadores.<\/p>\n<p>\u00c0 frente do quarteto Os Trapalh\u00f5es, Arag\u00e3o apresentava semanalmente um humor que delineava as v\u00e1rias faces do Brasil a partir de seus participantes. \u201c\u00c9ramos um nordestino sofrido (Didi), um gal\u00e3 de periferia (Ded\u00e9), um malandro do morro (Mussum) e um mineiro atrapalhado (Zacarias), ou seja, a cara do Pa\u00eds\u201d, comenta Arag\u00e3o ao Estado, em um hotel no Rio de Janeiro, onde se confessou emocionado por finalmente eternizar suas hist\u00f3rias no papel. \u201cAt\u00e9 atingir o sucesso na Globo, sofri com muito preconceito.\u201d<\/p>\n<p>Antes de entrar nesse tema delicado, \u00e9 preciso lembrar da persist\u00eancia que sempre marcou o car\u00e1ter de Antonio Renato Arag\u00e3o. Nascido em Sobral, no Cear\u00e1, ele prometia seguir outra carreira no in\u00edcio dos anos 1960: j\u00e1 morando em Fortaleza, Arag\u00e3o trabalhava no Banco do Nordeste e terminava o curso de Direito. O futuro advogado, no entanto, era fan\u00e1tico pelas com\u00e9dias de Oscarito, um dos maiores humoristas que o Brasil j\u00e1 teve. \u201cRevia seus filmes sempre que poss\u00edvel e tentava imitar aquela forma de fazer rir por meio do corpo, do gestual\u201d, lembra-se. \u201cPor causa disso, eu n\u00e3o via chance para mim, pois os principais comediantes trabalhavam no r\u00e1dio, ou seja, usavam apenas a voz.\u201d<\/p>\n<p>A chance surgiu quando a TV Cear\u00e1 abriu vagas para roteiristas, em 1960. Confiante com o sucesso que fazia entre seus colegas de Ex\u00e9rcito (os soldados do CPOR se esborrachavam de rir com suas imita\u00e7\u00f5es e trejeitos), Arag\u00e3o se inscreveu e acabou passando. \u201cLi muitas com\u00e9dias do Martins Pena e do Oduvaldo Vianna para entender o como funcionava o ritmo de uma com\u00e9dia\u201d, conta ele. \u201cApesar de ficar famoso pelos improvisos, Renato foi, desde jovem, muito ligado \u00e0 palavra. S\u00f3 depois de ter um texto confi\u00e1vel \u00e9 que ele se sentia \u00e0 vontade para improvisar\u201d, atesta Fonseca.<\/p>\n<p>Integrado \u00e0 emissora, Arag\u00e3o come\u00e7ou a escrever para outros artistas, mas logo seus textos chaplinianos e seu humor f\u00edsico o levaram para diante das c\u00e2meras. Era o nascimento de Didi que, mais que um personagem, tornou-se a persona extrovertida do sempre t\u00edmido Renato Arag\u00e3o. Sua estreia aconteceu a 30 de setembro de 1960, no programa V\u00eddeo Alegre.<\/p>\n<p>\u201cEu precisava de um pseud\u00f4nimo bem simples e sonoro, como era Oscarito, e pintou essa ideia, do nada, como muito das minhas inven\u00e7\u00f5es\u201d, conta ele no livro. De fato, essa se consolidou como a principal forma de trabalho de Arag\u00e3o ao longo de sua carreira, uma mistura de trabalho \u00e1rduo com intui\u00e7\u00e3o. Foi por esse caminho que surgiram express\u00f5es que se tornaram cl\u00e1ssicas como \u201cpsit\u201d e \u201c\u00f4 da poltrona\u201d para se comunicar diretamente com o telespectador, quebrando a parede imagin\u00e1ria criada pela TV entre os artistas e o p\u00fablico.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o me pergunte de onde tiro isso: quando preciso, a ideia vem\u201d, explica ele, no livro. Essa \u00e9 uma fala t\u00edpica de Didi Moc\u00f3, pois o Renato Arag\u00e3o \u00e9 uma pessoa mais calculista. Tanto que, ao ser convidado para se transferir para a TV Tupi do Rio de Janeiro (seu sucesso extrapolou as fronteiras regionais), em 1964, ele primeiro garantiu a manuten\u00e7\u00e3o do emprego no Banco do Nordeste, agora na capital fluminense.<\/p>\n<p>Da Tupi, veio para a Excelsior, em S\u00e3o Paulo, dois anos depois, onde participou do programa Ador\u00e1veis Trapalh\u00f5es, embri\u00e3o do que seria seu principal sucesso. Passou ainda pela Record e a Tupi paulistana, onde viveu uma situa\u00e7\u00e3o surreal: apesar de garantir audi\u00eancia para a emissora, n\u00e3o recebia sal\u00e1rio. O que facilitou aceitar o convite da Globo, incomodada com aquele humorista e seus tr\u00eas parceiros (j\u00e1 eram Ded\u00e9, Mussum e Zacarias) que roubavam audi\u00eancia do Fant\u00e1stico.<\/p>\n<p>Arag\u00e3o pediu carta branca de Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio Sobrinho, o Boni, superintendente da V\u00eanus Platinada, para fazer o seu humor, ou seja, movido a improvisos. \u201cBoni colocou uns espi\u00f5es no est\u00fadio, mas nunca proibiu nada\u201d, diverte-se o comediante, que logo protagonizou momentos c\u00e9lebres como as famosas imita\u00e7\u00f5es de Roberto Carlos e Ney Matogrosso (\u201cN\u00e3o ensaiava nada, fazia tudo de primeira\u201d).<\/p>\n<p>Os Trapalh\u00f5es tornou-se um marco na TV e hoje, acompanhado apenas de Ded\u00e9 (Mussum e Zacarias j\u00e1 morreram), Arag\u00e3o mant\u00e9m-se no ar e prepara mais um filme Didi e o Fantasma do Teatro. Algum sucessor? \u201cGosto muito do humor de Leandro Hassum\u201d, afirma.<\/p>\n<p><strong>Biografia Renato Arag\u00e3o\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Autores: Renato Arag\u00e3o e Rodrigo Fonseca<\/p>\n<p>Editora: Esta\u00e7\u00e3o Brasil (304 p\u00e1gs.,R$ 49, 90 impresso;R$ 29,90 vers\u00e3o digital)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Renato Arag\u00e3o faz uma distin\u00e7\u00e3o entre humorista e comediante: enquanto o primeiro usa a palavra falada para fazer gra\u00e7a, o segundo \u00e9 aquele que utiliza o corpo para provocar risos, por meio de amalucadas situa\u00e7\u00f5es f\u00edsicas. \u201cEu me vejo como um comediante\u201d, diz o artista de 82 anos, fiel seguidor do estilo de seus \u00eddolos: [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":162292,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[70],"tags":[],"class_list":["post-162290","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/162290","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=162290"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/162290\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":162293,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/162290\/revisions\/162293"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/162292"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=162290"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=162290"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=162290"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}