{"id":162369,"date":"2017-12-03T08:40:01","date_gmt":"2017-12-03T10:40:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=162369"},"modified":"2017-12-03T08:40:22","modified_gmt":"2017-12-03T10:40:22","slug":"bandidos-matam-um-pm-paulista-cada-cino-dias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/bandidos-matam-um-pm-paulista-cada-cino-dias\/","title":{"rendered":"Bandidos matam um PM paulista a cada cinco dias"},"content":{"rendered":"<p>O papel est\u00e1 ali, colado na parede branca de m\u00e1rmore. &#8220;Papai, obrigada por toda a alegria que voc\u00ea me passou, por toda a hora que voc\u00ea passou ao meu lado para me proteger. E, pai, eu estou com muita saudade de voc\u00ea.&#8221; A letra de forma da carta escrita com uma canetinha roxa j\u00e1 est\u00e1 um pouco desbotada. A menina escreveu em 2014 para o pai, o soldado Fernando Gomes Kaczmarek Correa. Ele era um policial. Um grupo de homens ouve a leitura que dela faz em voz alta o capit\u00e3o Ricardo Salvi, da Pol\u00edcia Militar. Todos est\u00e3o no mausol\u00e9u da corpora\u00e7\u00e3o, no Cemit\u00e9rio do Ara\u00e7\u00e1, na zona oeste de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>A autora da carta \u00e9 filha de um dos 1.147 policiais militares assassinados desde 2001 no Estado, um efetivo equivalente a dois batalh\u00f5es inteiros da corpora\u00e7\u00e3o. \u00c9 como se a cada cinco dias um policial fosse morto em S\u00e3o Paulo. O pai de Sophia &#8211; o soldado Correa &#8211; era patrulheiro rodovi\u00e1rio. Estava com um colega na Rodovia dos Imigrantes, \u00e0s 3h30 do dia 14 de dezembro de 2013, quando fez sinal para um carro parar. Ao caminhar para abord\u00e1-lo, apareceu um Honda preto, que o atropelou. O motorista fugiu e, 14 quil\u00f4metros adiante, furou um bloqueio policial, na Baixada Santista.<\/p>\n<p>A maioria da audi\u00eancia do capit\u00e3o Salvi \u00e9 composta de novatos, rec\u00e9m-chegados \u00e0 6.\u00aa Divis\u00e3o da Corregedoria da PM, o setor respons\u00e1vel por prender agressores e assassinos de policiais no Estado. O ritual da leitura prossegue: &#8220;Obrigada por tudo o que voc\u00ea me deu, pai. Eu te amo e sempre vou te amar&#8221;. Esguio, de fala pausada, o capit\u00e3o \u00e9 um homem habituado com essas hist\u00f3rias Ele prossegue a leitura: &#8220;Eu fiz essa carta para lembrar de tudo o que a gente passou junto&#8221;. A carta termina com desenhos infantis, representando o pai, a vi\u00fava, Mara, e a filha, Sophia, todos rodeados de beijos e cora\u00e7\u00f5es em torno da frase da menina, que era seu desejo. &#8220;Feliz dia dos pais!!!&#8221;<\/p>\n<p>Outras tantas cartas est\u00e3o ao lado das fotos de outros tantos pais no mausol\u00e9u. Quase sempre dos chamados pra\u00e7as &#8211; de soldados a subtenentes -, base da hierarquia da corpora\u00e7\u00e3o. Comp\u00f5em a maioria de outro n\u00famero enorme: o dos policiais feridos todos os anos. A viol\u00eancia que atinge os PMs fez com que 3.131 homens e mulheres fossem afastados do trabalho por terem sido atingidos por tiros ou facadas ou envolvidos em capotamento de viaturas, atropelados por bandidos ou v\u00edtimas de outros acidentes no servi\u00e7o ou na folga, de 2015 at\u00e9 agora.<\/p>\n<p>Reunido pelas Juntas M\u00e9dicas da Diretoria de Sa\u00fade da corpora\u00e7\u00e3o, esse n\u00famero, ao lado do total de mortos no per\u00edodo computado pela Corregedoria, ajuda a tra\u00e7ar um retrato in\u00e9dito da viol\u00eancia que atinge esses profissionais. Durante seis meses, o jornal &#8216;O Estado de S. Paulo&#8217; acompanhou as hist\u00f3rias de policiais que enfrentaram a morte e sobreviveram e do grupo que apura amea\u00e7as, agress\u00f5es e assassinatos de policiais. S\u00e3o casos como o do soldado Gilson Ribeiro, de 36 anos, que foi baleado quando tentava defender-se de ladr\u00f5es durante a folga. &#8220;N\u00f3s somos treinados para ser super-her\u00f3is, mas na verdade n\u00e3o somos&#8221;, disse. Ribeiro faz fisioterapia neurol\u00f3gica, no Centro de Reabilita\u00e7\u00e3o da PM. A bala que o acertou o deixou parapl\u00e9gico Era 2014. Ele trabalhava no patrulhamento das ruas.<\/p>\n<p><b>Folga &#8211;\u00a0<\/b>De folga tamb\u00e9m estavam, de acordo com os n\u00fameros das PM, 85% dos policiais assassinados neste s\u00e9culo no Estado. Neste ano, dos 43 PMs assassinados em S\u00e3o Paulo, s\u00f3 3 foram mortos durante o servi\u00e7o &#8211; 4,3 casos por m\u00eas, ante 4 no ano passado e 3,8 em 2015. A viol\u00eancia contra policiais pode ser medida ainda pelas medalhas Cruz de Sangue dadas pela PM.<\/p>\n<p>Elas s\u00e3o de tr\u00eas tipos: ouro, prata e bronze. A de grau ouro \u00e9 p\u00f3stuma, a de prata \u00e9 para casos de invalidez e a de bronze, para policiais feridos em servi\u00e7o ou folga em defesa da sociedade. Criada em 1998, at\u00e9 hoje foram concedidas 1.145 &#8211; 291 de ouro, 63 de prata e 791 de bronze.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O papel est\u00e1 ali, colado na parede branca de m\u00e1rmore. &#8220;Papai, obrigada por toda a alegria que voc\u00ea me passou, por toda a hora que voc\u00ea passou ao meu lado para me proteger. 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