{"id":162806,"date":"2017-12-07T15:20:43","date_gmt":"2017-12-07T17:20:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=162806"},"modified":"2017-12-07T15:32:53","modified_gmt":"2017-12-07T17:32:53","slug":"brasil-tem-novo-recorde-mundial-de-mortes-violentas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/brasil-tem-novo-recorde-mundial-de-mortes-violentas\/","title":{"rendered":"Brasil tem novo recorde mundial de mortes violentas"},"content":{"rendered":"<p>O Brasil teve, no ano passado, o maior n\u00famero de mortes violentas do mundo. Foram 70,2 mil mortos, o que equivale a mais de 12% do total de registros em todo o planeta. O alerta faz parte de um novo informe publicado nesta quinta-feira, 7, pela entidade Small Arms Survey, considerada como refer\u00eancia mundial para a quest\u00e3o de viol\u00eancia armada. Em termos absolutos, a entidade aponta que a situa\u00e7\u00e3o no Brasil supera a viol\u00eancia na \u00cdndia, S\u00edria, Nig\u00e9ria e Venezuela.<\/p>\n<p>Segundo Gergely Hideg, autor do estudo, o n\u00famero inclui as estat\u00edsticas oficiais de homic\u00eddios &#8211; registradas pelos pa\u00edses &#8211; mas tamb\u00e9m as mortes violentas n\u00e3o intencionais e mortes em interven\u00e7\u00f5es legais. &#8220;O n\u00famero \u00e9 superior ao que as autoridades afirmam&#8221;, disse o pesquisador, cuja institui\u00e7\u00e3o \u00e9 financiada pelo governo da Su\u00ed\u00e7a e tem seus dados usados como base em programas da ONU.<\/p>\n<p>A entidade estima que, em 2016, 560 mil pessoas foram mortas pelo mundo de forma violenta. Isso representa um assassinato a cada minuto. Sozinho, por\u00e9m, o Brasil representa cerca de 12,5% dessas v\u00edtimas.<\/p>\n<p>O tamanho da popula\u00e7\u00e3o certamente tem um impacto nesses n\u00fameros. Mas, por si s\u00f3, n\u00e3o explica a dimens\u00e3o da viol\u00eancia. De forma geral, Hideg aponta para tr\u00eas fatores que estariam levando ao cen\u00e1rio de mortes: a falta do estado de direito para uma parcela da popula\u00e7\u00e3o, a cultura da viol\u00eancia e o crime organizado.<\/p>\n<p><b>Taxa &#8211;\u00a0<\/b>Se o Brasil lidera o ranking mundial em termos absolutos, \u00e9 a S\u00edria que tem o maior n\u00famero de mortes por habitantes. Ela \u00e9 seguida por El Salvador, Venezuela, Honduras e Afeganist\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesse caso, a taxa no Brasil subiu entre 2015 para 2016. Era de cerca de 26 para cada 100 mil pessoas e passou para cerca de 30. Al\u00e9m de estar bastante acima da taxa mundial, de 7,5 mortes por 100 mil habitantes, o aumento dos n\u00fameros brasileiros contraria a tend\u00eancia de queda registrada no mundo.<\/p>\n<p>Ainda por esse crit\u00e9rio, o Brasil \u00e9 o 16\u00ba mais violento do mundo, superando, ainda assim, pa\u00edses como Guatemala, Col\u00f4mbia e Rep\u00fablica Centro Africana.<\/p>\n<p><b>Homic\u00eddios &#8211;\u00a0<\/b>Em termos de homic\u00eddios, o estudo aponta para 58 mil mortes no Brasil em 2015. N\u00e3o h\u00e1 dados dispon\u00edveis sobre 2016. &#8220;Em cidades como o Rio de Janeiro, a viol\u00eancia de gangues, o uso excessivo de for\u00e7a pelo Estado, um sistema de Justi\u00e7a criminal corrupto, a militariza\u00e7\u00e3o de certas \u00e1reas e o ac\u00famulo social de viol\u00eancia &#8211; onde viol\u00eancia gera mais viol\u00eancia &#8211; \u00e9 o que marca as taxas extremamente elevadas de homic\u00eddios&#8221;, aponta o levantamento.<\/p>\n<p>&#8220;Traficantes de drogas, grupos de exterm\u00ednio e mil\u00edcias que promovem a extors\u00e3o de residentes de \u00e1reas inseguras, junto com a pol\u00edcia e outros funcion\u00e1rios p\u00fablicos que oferecem prote\u00e7\u00e3o a esses grupos, s\u00e3o centrais para a maioria dos crimes violentos que ocorrem no Rio&#8221;, constata.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia com armas de fogo aumentou no Pa\u00eds entre 2015 e 2016 Atualmente, mais de 20% dos homic\u00eddios s\u00e3o cometidos com essas armas.<\/p>\n<p><b>Feminic\u00eddio &#8211;\u00a0<\/b>Outra constata\u00e7\u00e3o do levantamento \u00e9 de que o Brasil tem o terceiro maior n\u00famero de mortes de mulheres no mundo. De acordo com o estudo, 84% das v\u00edtimas de mortes violentas s\u00e3o homens no planeta. Mas meninas e mulheres somaram ainda assim 87 mil mortes.<\/p>\n<p>Em termos absolutos, foram 10,7 mil mortes de mulheres na \u00cdndia, 6,4 mil na Nig\u00e9ria, 5,7 mil no Brasil e 4,4 mil no Paquist\u00e3o.<\/p>\n<p><b>Pa\u00edses em guerra &#8211;\u00a0<\/b>O informe tamb\u00e9m constata que a maioria das mortes violentas n\u00e3o ocorre em pa\u00edses em guerra. Em 2016, mortes resultantes de conflitos representaram apenas 18% do total de mortes violentas no mundo. Dos 23 pa\u00edses mais perigosos do mundo, apenas nove sofrem com guerras.<\/p>\n<p>Em campos de batalha, o n\u00famero de mortes foi de 99 mil em 2016, abaixo dos 119 mil em 2015.<\/p>\n<p><b>Futuro &#8211;\u00a0<\/b>Se essa realidade n\u00e3o mudar, a Small Arms Survey estima que, at\u00e9 2030, 610 mil pessoas ser\u00e3o alvos de mortes violentas no mundo a cada ano. O estudo ainda estima que 1,35 milh\u00e3o de vidas poderiam ser salvas at\u00e9 2030 se governos reconhecessem a dimens\u00e3o do problema.<\/p>\n<p>S\u00f3 em termos de homic\u00eddios, 825 mil deles poderiam ser evitados com medidas de controle e preven\u00e7\u00e3o. A Am\u00e9rica Latina seria a regi\u00e3o do mundo que mais se beneficiaria de uma mudan\u00e7a do comportamento de governos, com 489 mil vidas salvas at\u00e9 2030.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil teve, no ano passado, o maior n\u00famero de mortes violentas do mundo. Foram 70,2 mil mortos, o que equivale a mais de 12% do total de registros em todo o planeta. O alerta faz parte de um novo informe publicado nesta quinta-feira, 7, pela entidade Small Arms Survey, considerada como refer\u00eancia mundial para [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":136143,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-162806","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/162806","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=162806"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/162806\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":162809,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/162806\/revisions\/162809"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/136143"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=162806"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=162806"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=162806"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}