{"id":163168,"date":"2017-12-11T16:39:29","date_gmt":"2017-12-11T18:39:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=163168"},"modified":"2017-12-11T16:41:47","modified_gmt":"2017-12-11T18:41:47","slug":"criancas-dizem-nao-ao-crime-em-um-dos-bairros-mais-pobres-de-sp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/criancas-dizem-nao-ao-crime-em-um-dos-bairros-mais-pobres-de-sp\/","title":{"rendered":"Crian\u00e7as dizem n\u00e3o ao crime em um dos bairros mais pobres de SP"},"content":{"rendered":"<p>De um lado apartamentos de luxo com piscina particular, do outro, o dia a dia da favela de Gustavo, Let\u00edcia e L\u00edvia, tr\u00eas crian\u00e7as que disseram n\u00e3o ao crime e hoje lutam para viver em um dos bairros mais desiguais de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>As ruas de Vila Andrade, na regi\u00e3o do Morumbi, zona sul da capital paulista, est\u00e3o separadas por um muro invis\u00edvel, o da desigualdade. Neste bairro ningu\u00e9m sabe explicar com exatid\u00e3o por que o vizinho vive em um apartamento de luxo e eles em uma situa\u00e7\u00e3o t\u00e3o prec\u00e1ria, especialmente os menores.<\/p>\n<p>Vila Andrade \u00e9 o bairro da cidade com menos crian\u00e7as em creches e com maior tempo de espera para conseguir uma vaga (441 dias), segundo um relat\u00f3rio divulgado neste m\u00eas pela organiza\u00e7\u00e3o Rede Nossa S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>\u00c0s car\u00eancias em educa\u00e7\u00e3o se somam a criminalidade e o tr\u00e1fico, segundo Ester Le\u00e3o, gerente da Associa\u00e7\u00e3o Morumbi de Integra\u00e7\u00e3o Social (AMIS), uma organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos que desenvolve 13 projetos na regi\u00e3o e atende mais de duas mil pessoas, das quais 647 s\u00e3o crian\u00e7as \u00e0s quais \u00e9 dada a possibilidade de receber aulas de bal\u00e9, jud\u00f4 e violino.<\/p>\n<p>&#8220;O perigo que a crian\u00e7a enfrenta aqui \u00e9 a exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 criminalidade. N\u00e3o tem espa\u00e7o para lazer, fica pouco tempo na escola ou passa muito tempo sozinha&#8221;, afirmou Ester. Gustavo Henrique de Jesus, de 13 anos, vai \u00e0s aulas de jud\u00f4 h\u00e1 cinco anos e comentou que j\u00e1 lhe chamaram alguma vez para vender drogas.<\/p>\n<p>&#8220;At\u00e9 assaltaram minha m\u00e3e h\u00e1 algumas semanas quando estava voltando de carro da casa da minha av\u00f3&#8221;, detalhou. O jovem relatou com total precis\u00e3o que acorda \u00e0s 6h50 da manh\u00e3 para ir caminhando ao centro da AMIS, em um espa\u00e7o cedido por uma igreja batista.<\/p>\n<p>Quando termina, volta, limpa a casa, come com seu irm\u00e3o de 11 anos e vai para o col\u00e9gio. Faz tudo isso sozinho porque sua m\u00e3e trabalha pelas manh\u00e3s. &#8220;Viver na Vila Andrade \u00e9 bom, mas s\u00f3 um pouco porque tem muita viol\u00eancia&#8221;, reconheceu Gustavo, que sonha em &#8220;ir \u00e0s Olimp\u00edadas e ter uma bicicleta&#8221;.<\/p>\n<p>Uma de suas companheiras, Daniele, de 14 anos, j\u00e1 \u00e9 bicampe\u00e3 brasileira na sua categoria, embora tenha ressaltado que nem todos optaram pelo mesmo caminho, j\u00e1 que conhece casos de &#8220;amigos que hoje est\u00e3o perdidos&#8221;. A AMIS n\u00e3o recebe nenhum tipo de ajuda do poder p\u00fablico e sobrevive pelo empenho de volunt\u00e1rios, professores e apoio de algumas empresas.<\/p>\n<p>&#8220;Aqui na Vila Andrade h\u00e1 tr\u00e1fico e assaltos. Temos pessoas que infelizmente buscam esse caminho na regi\u00e3o, entre eles muitos garotos&#8221;, lamentou Ester. Segundo dados policiais, na regi\u00e3o de Morumbi foram registrados mais de dois mil roubos apenas entre janeiro e julho deste ano.<\/p>\n<p>Duas vezes por semana Let\u00edcia, de 12 anos, vai ao centro, onde primeiro aprendeu a tocar violino, depois passou ao viol\u00e3o e agora est\u00e1 motivada com o violoncelo. &#8220;Sempre quis participar aqui at\u00e9 que um dia a minha m\u00e3e me matriculou&#8221;, comentou a pequena, que tamb\u00e9m falou das aulas de bal\u00e9.<\/p>\n<p>Para L\u00edvia Vit\u00f3ria, de 13 anos, fazer bal\u00e9 \u00e9 uma &#8220;experi\u00eancia genial&#8221; que tamb\u00e9m serve como tratamento para a paralisia cerebral. &#8220;Vale a pena o esfor\u00e7o&#8221;, assegurou em sua casa, adaptada com o esfor\u00e7o de sua fam\u00edlia para poder dar-lhe certo grau de independ\u00eancia.<\/p>\n<p>L\u00edvia Vit\u00f3ria passou por v\u00e1rias cirurgias, a \u00faltima em 2014, e, ap\u00f3s um ano de fisioterapia, os m\u00e9dicos lhe recomendaram realizar alguma atividade f\u00edsica. Foi a\u00ed que encontrou o bal\u00e9, cujos delicados movimentos lhe ajudam a melhorar o controle motor do seu corpo.<\/p>\n<p>A m\u00e3e, Genusia Campos, agradece a Deus porque nenhuma das suas filhas caiu no mundo do crime, que, na sua opini\u00e3o, &#8220;aumentou bastante&#8221; em alguns pontos do bairro. A desigualdade na Vila Andrade, como no Brasil, n\u00e3o \u00e9 fruto da profunda recess\u00e3o econ\u00f4mica, que claro ajudou a aumentar, mas \u00e9 uma marca hist\u00f3rica que mostra com estat\u00edsticas como em S\u00e3o Paulo 1% dos propriet\u00e1rios possui 25% de todos os im\u00f3veis registrados na cidade.<\/p>\n<p>A poucos metros dos edif\u00edcios residenciais da \u00e1rea rica, Genusia faz uma reflex\u00e3o. &#8220;N\u00e3o sei nem explicar&#8230; Por que n\u00e3o sou eu que vive a\u00ed? N\u00e3o sei como explicar como uns t\u00eam tanto e outros t\u00e3o pouco&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De um lado apartamentos de luxo com piscina particular, do outro, o dia a dia da favela de Gustavo, Let\u00edcia e L\u00edvia, tr\u00eas crian\u00e7as que disseram n\u00e3o ao crime e hoje lutam para viver em um dos bairros mais desiguais de S\u00e3o Paulo. 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