{"id":163773,"date":"2017-12-17T09:44:50","date_gmt":"2017-12-17T11:44:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=163773"},"modified":"2017-12-17T18:39:20","modified_gmt":"2017-12-17T20:39:20","slug":"jovens-usam-redes-virtuais-para-travar-verdadeiras-guerras-pessoais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/jovens-usam-redes-virtuais-para-travar-verdadeiras-guerras-pessoais\/","title":{"rendered":"Jovens usam redes virtuais para travar guerras pessoais"},"content":{"rendered":"<p>Quando entrou em um col\u00e9gio novo, na zona oeste do Rio, os problemas come\u00e7aram para Laura, de 13 anos. &#8220;Ela \u00e9 popular. Faz amizade f\u00e1cil e \u00e9 bonita. Aquilo provocou a ira de um grupo de colegas&#8221;, lembra Rita, de 46 anos, m\u00e3e da jovem. Para conter as brigas na escola particular, a menina foi trocada de turno, mas a fam\u00edlia jamais imaginaria que, mesmo distante dos antigos colegas, as agress\u00f5es continuariam em outro espa\u00e7o: o virtual.<\/p>\n<p>&#8220;Achei que haveria um basta. Mas foi pior. Pegaram a foto dela e botaram nas redes sociais. Fizeram o horror&#8221;, conta a m\u00e3e. &#8220;Se ela abria o live [v\u00eddeo ao vivo na internet], sempre entrava um e xingava.&#8221; Laura foi ofendida com palavras como &#8220;rata&#8221; e &#8220;dem\u00f4nio&#8221; nas redes sociais.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o ficou insustent\u00e1vel at\u00e9 que a m\u00e3e trocou a menina de escola no meio do ano. &#8220;A foto da minha filha deve andar na internet. Agora, ela est\u00e1 com trauma, no psic\u00f3logo. Amava publicar nas redes e n\u00e3o posta mais.&#8221; Os nomes de v\u00edtimas e familiares foram trocados na reportagem para preserv\u00e1-los.<\/p>\n<p>Casos como o de Laura n\u00e3o s\u00e3o isolados. Pesquisa do Comit\u00ea Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), de outubro, mediu o comportamento online de jovens. Os dados revelam que, de cada quatro crian\u00e7as e adolescentes, um foi tratado de forma ofensiva na internet, o que corresponde a 5,6 milh\u00f5es de meninos e meninas entre 9 e 17 anos. O porcentual cresce ano a ano: passou de 15% em 2014 para 20% em 2015 at\u00e9 chegar a 23% no ano passado.<\/p>\n<p>&#8220;Nesse dado [sobre ofensas online], a crian\u00e7a ou adolescente foi exposto a um risco, mas n\u00e3o necessariamente teve alguma sequela&#8221;, pondera Maria Eugenia Sozio, coordenadora da pesquisa TIC Kids Online Brasil.<\/p>\n<p>A taxa, portanto, nem sempre corresponde a cyberbullying &#8211; quando a agress\u00e3o virtual \u00e9 repetida -, mas faz soar o alerta para perigos que crian\u00e7as e adolescentes correm na web e a import\u00e2ncia da aten\u00e7\u00e3o dos pais.<\/p>\n<p><strong>Efeitos<\/strong> &#8211; Segundo especialistas, as ofensas na internet podem ter impacto ainda maior na vida das crian\u00e7as. &#8220;Uma postagem atinge n\u00famero incont\u00e1vel de pessoas e isso aumenta o sofrimento da v\u00edtima. Ela n\u00e3o sabe quem viu ou n\u00e3o&#8221;, afirma a psic\u00f3loga e pesquisadora da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Luciana Lapa.<\/p>\n<p>Em casos de agress\u00e3o na escola, o jovem encontra ref\u00fagio em casa &#8220;No cyberbullying, n\u00e3o. Onde quer que ele v\u00e1, a agress\u00e3o vai junto&#8221;, diz Luciana. Outro problema \u00e9 a gravidade das ofensas, encorajadas pela dist\u00e2ncia f\u00edsica da v\u00edtima. Tamb\u00e9m \u00e9 comum que as agress\u00f5es partam de pessoas da mesma faixa et\u00e1ria e que fazem parte do conv\u00edvio.<\/p>\n<p>Para a pedagoga e psicopedagoga cl\u00ednica e institucional Denise Arag\u00e3o, as ofensas podem afetar at\u00e9 o desempenho na escola. &#8220;As crian\u00e7as ficam preocupadas em se defender e perdem o desejo de aprender.&#8221; O uso crescente dos smartphones pelos jovens, com acesso cada vez mais particular, desafia a media\u00e7\u00e3o dos pais.<\/p>\n<p>A gerente de opera\u00e7\u00f5es Ana, de 53 anos, conhecia os riscos da internet, mas se assustou quando passou por uma situa\u00e7\u00e3o constrangedora na fam\u00edlia. Quando a filha tinha 14 anos (hoje ela tem 18), uma foto \u00edntima da garota vazou entre alunos de uma escola particular na zona sul paulistana ap\u00f3s uma brincadeira entre amigas. Os celulares facilitaram a propaga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Ela ficou envergonhada. Foi uma semana de constrangimentos&#8221;, conta. &#8220;Em casa, fizemos quest\u00e3o de explicar o qu\u00e3o s\u00e9rio aquilo era. Mostramos que isso pode ficar no curr\u00edculo dela para o resto da vida.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Media\u00e7\u00e3o<\/strong> &#8211; A m\u00e3e de Helena, de 10 anos, s\u00f3 percebeu o problema depois que notou que a filha estava cabisbaixa e chorava pelos cantos. &#8220;Fizeram um grupo no WhatsApp (entre os colegas da escola) para xing\u00e1-la por causa da cor. Chamavam de macaca e \u2018nega\u2019 do cabelo duro&#8221;, conta a assistente administrativa Adriana, de 39 anos.<\/p>\n<p>Ela procurou os pais dos agressores. &#8220;Fazia uma semana que um deles tinha dado um celular para uma das meninas. Foi a\u00ed que ele descobriu. Acho que os pais deveriam prestar mais aten\u00e7\u00e3o ao que o filho faz na internet&#8221;, desabafa.<\/p>\n<p>Apesar de 23% das crian\u00e7as e adolescentes terem relatado \u00e0 pesquisa que foram v\u00edtimas de ofensas na internet, s\u00f3 11% dos pais disseram que os filhos passaram por inc\u00f4modos.<\/p>\n<p>A falta de intimidade de adultos com a tecnologia &#8211; enquanto as crian\u00e7as s\u00e3o nativas digitais &#8211; ajuda a explicar a dificuldade das fam\u00edlias em identificar riscos. &#8220;O gap existe, mas \u00e9 preciso revert\u00ea-lo. Uma sugest\u00e3o \u00e9 estar dispon\u00edvel, querer saber o que a crian\u00e7a faz na internet&#8221;, diz Heloisa Ribeiro, da Childhood Brasil, entidade de prote\u00e7\u00e3o a crian\u00e7as e adolescentes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando entrou em um col\u00e9gio novo, na zona oeste do Rio, os problemas come\u00e7aram para Laura, de 13 anos. &#8220;Ela \u00e9 popular. 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