{"id":164431,"date":"2017-12-23T08:29:39","date_gmt":"2017-12-23T10:29:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=164431"},"modified":"2017-12-23T08:29:39","modified_gmt":"2017-12-23T10:29:39","slug":"poluicao-do-mar-afeta-grande-numero-de-pessoas-e-animais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/poluicao-do-mar-afeta-grande-numero-de-pessoas-e-animais\/","title":{"rendered":"Polui\u00e7\u00e3o do mar afeta grande n\u00famero de pessoas e animais"},"content":{"rendered":"<p>Neste ano, a \u00e1rvore de Natal de Ubatuba n\u00e3o tem tronco, mas um poste. Tamb\u00e9m n\u00e3o tem folhas &#8211; s\u00e3o redes de pesca que lhe d\u00e3o a estrutura. Tampouco tem papais no\u00e9is, bonecos de neve, renas, estrelas ou outros enfeites t\u00edpicos. Mas tem chinelos, baldinhos, canudinhos, embalagens de alimentos, copos, garrafas pet, apetrechos de pesca. A exce\u00e7\u00e3o natalina s\u00e3o as bolinhas. Essas n\u00e3o faltam, e s\u00e3o muitas. Tudo oferenda devolvida pelo mar ao longo do ano.<\/p>\n<p>A obra foi elaborada pelas equipes do Aqu\u00e1rio de Ubatuba, do Instituto Argonauta e do Projeto Tamar como um alerta sobre o problema do lixo, em especial do pl\u00e1stico, no mar. Todo o material usado na decora\u00e7\u00e3o foi coletado nas praias do litoral norte paulista, como parte de um trabalho de monitoramento que busca entender a quantidade e a qualidade desse lixo.<\/p>\n<p>As bolinhas d\u00e3o o toque que faltava. Elas v\u00eam de um dos 46 cont\u00eaineres de um navio, lan\u00e7ados ao mar durante forte ressaca no Porto de Santos em agosto. Nas semanas seguintes, come\u00e7aram a aparecer nas praias do litoral norte e at\u00e9 hoje d\u00e3o o ar da gra\u00e7a. Na \u00faltima contagem, dia 16, somavam mais de 3,2 mil.<\/p>\n<p>N\u00e3o se tem ideia de quantas ainda est\u00e3o no mar ou podem ter parado nos est\u00f4magos de animais. \u00c9 um tipo de acidente com o qual os bi\u00f3logos j\u00e1 se habituaram a ver pela regi\u00e3o. \u00c9 o caso do golfinho que apareceu morto, boiando na praia, com um chinelo de borracha preso na boca. Ou o peixe-espada que ficou com a boca enroscada num carretel de linha de pesca, acabou morrendo de fome e hoje est\u00e1 exposto no aqu\u00e1rio como um alerta. &#8220;Um pinguim achado em janeiro estava enrolado em um ramalhete de flor. J\u00e1 encontramos tartarugas com mais de 25 bexigas no est\u00f4mago&#8221;, conta a bi\u00f3loga Carla Beatriz Barbosa, do Instituto Argonaura.<\/p>\n<p>A \u00e1rvore de Natal chama aten\u00e7\u00e3o para um problema que mereceu destaque em confer\u00eancias da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) este ano. A ONU estima que 8 milh\u00f5es de toneladas de lixo pl\u00e1stico entrem por ano nos oceanos, que de 60% a 80% do lixo nos oceanos seja pl\u00e1stico, e que at\u00e9 2050 possa haver mais pl\u00e1stico do que peixes no mar.<\/p>\n<p>Isso traz preju\u00edzo n\u00e3o s\u00f3 para a biodiversidade, mas para a sa\u00fade das pessoas &#8211; pesticidas e outras toxinas podem aderir aos micropl\u00e1sticos e ser consumidas por organismos marinhos, caindo na cadeia alimentar at\u00e9 chegar ao homem &#8211; e para a pr\u00f3pria economia, diante dos gastos com limpeza das praias.<\/p>\n<p>Na ONU, governos, empresas, sociedade civil fizeram uma s\u00e9rie de compromissos. Se todos forem atendidos, 480 mil quil\u00f4metros (ou cerca de 30%) das costas litor\u00e2neas ser\u00e3o limpas. No documento final, 193 pa\u00edses, incluindo o Brasil, se comprometeram a eliminar os micropl\u00e1sticos dos oceanos e adotar a\u00e7\u00f5es para prevenir e reduzir a polui\u00e7\u00e3o marinha at\u00e9 2025.<\/p>\n<p>Internamente, o Pa\u00eds ainda precisa conhecer o tamanho de seu desafio. Um trabalho publicado na revista Science em 2015 por pesquisadores dos Estados Unidos e da Austr\u00e1lia colocou o Brasil como o 16.\u00ba pa\u00eds com maior quantidade de pl\u00e1stico que entra nos oceanos por lixo gerado em terra &#8211; \u00e0 frente dos EUA (20.\u00ba). A China est\u00e1 em primeiro lugar neste ranking.<\/p>\n<p><b>Imprecis\u00e3o &#8211;\u00a0<\/b>Faltam, por\u00e9m, estudos que apontem com precis\u00e3o quanto lixo e de que tipo chega nos nossos mares e como isso est\u00e1 variando ano a ano. Um dos principais trabalhos foi conduzido pelo bi\u00f3logo Alexander Turra, da USP, com a organiza\u00e7\u00e3o Plastivida, que monitorou por quatro anos praias do Nordeste e do Sudeste para checar a ocorr\u00eancia de macrolixo e o ac\u00famulo dos chamados pellets (pequenos gr\u00e3os de resinas termopl\u00e1sticas, mat\u00e9ria-prima da maior parte dos produtos usados no mercado).<\/p>\n<p>Da 1,4 tonelada de material coletado em dois anos, a maior parte no Sudeste, 94% eram itens pl\u00e1sticos. Enquanto no Nordeste h\u00e1 muita embalagem de comida, fragmentos n\u00e3o identificados e tampinhas, no Sudeste h\u00e1 de tudo um pouco, de peda\u00e7os de isopor a bitucas e hastes flex\u00edveis.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste ano, a \u00e1rvore de Natal de Ubatuba n\u00e3o tem tronco, mas um poste. Tamb\u00e9m n\u00e3o tem folhas &#8211; s\u00e3o redes de pesca que lhe d\u00e3o a estrutura. Tampouco tem papais no\u00e9is, bonecos de neve, renas, estrelas ou outros enfeites t\u00edpicos. Mas tem chinelos, baldinhos, canudinhos, embalagens de alimentos, copos, garrafas pet, apetrechos de pesca. [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":164432,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[71],"tags":[],"class_list":["post-164431","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-curiosidades"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/164431","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=164431"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/164431\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":164433,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/164431\/revisions\/164433"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/164432"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=164431"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=164431"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=164431"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}