{"id":164652,"date":"2017-12-26T10:26:19","date_gmt":"2017-12-26T12:26:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=164652"},"modified":"2017-12-26T10:26:53","modified_gmt":"2017-12-26T12:26:53","slug":"maternidade-sem-culpa-nao-existe-manual-para-criar-filhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/maternidade-sem-culpa-nao-existe-manual-para-criar-filhos\/","title":{"rendered":"Maternidade sem culpa. N\u00e3o existe manual para criar filhos"},"content":{"rendered":"<p>Este texto n\u00e3o \u00e9 nenhuma tentativa de discorrer sobre teorias maternas. Este texto vem daqui de dentro, do cora\u00e7\u00e3o, e nasceu quando eu percebi que muita gente est\u00e1 presa a tantas teorias que n\u00e3o consegue de fato vivenciar a maternidade de forma simples e com liberdade.<\/p>\n<p>A maternidade n\u00e3o \u00e9 uma pris\u00e3o. Pelo contr\u00e1rio! Ela liberta e faz fluir os melhores sentimentos que h\u00e1 em n\u00f3s. A maternidade cura, fortalece e nos faz amadurecer, e amadurecer significa examinar com olhos cr\u00edticos tudo o que lemos e ouvimos. Vou contar alguns causos que talvez ajudem a esclarecer este texto.<\/p>\n<p><strong>Comida amassada de m\u00e3e &#8211;\u00a0<\/strong>Outro dia uma m\u00e3e estava morrendo de culpa porque, durante as refei\u00e7\u00f5es da crian\u00e7a, ela dava colheradas de comida amassada. Essa m\u00e3e segue o BLW, um m\u00e9todo novo e maravilhoso que permite que a crian\u00e7a descubra sozinha cada alimento e toque na comida, coma alimentos inteiros e, assim, aprenda o que significa se alimentar.<\/p>\n<p>Fiquei t\u00e3o preocupada com aquela m\u00e3e presa a um m\u00e9todo e sem liberdade nenhuma&#8230; Eu defendo a maternidade consciente, e \u00e9 exatamente por acreditar nisso que acho que a pessoa deve tomar suas decis\u00f5es baseada no que sente respeitando, claro, o bem-estar da crian\u00e7a.<\/p>\n<p>Mas, veja, a m\u00e3e estava preocupada em dar uma colher com uma comida saud\u00e1vel s\u00f3 porque estava amassada! N\u00e3o era nenhum lanche de uma rede de fast-food. Era uma comidinha deliciosa, feita em casa, com temperinhos caseiros. Foi a\u00ed, acho, que acendeu uma luzinha aqui.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que queremos o melhor, o mais saud\u00e1vel, o que h\u00e1 de novo, mas n\u00e3o podemos deixar essas teorias arrancarem de n\u00f3s o que h\u00e1 de mais primitivo: o instinto.<\/p>\n<p>Se ela acha que pra suprir as necessidades nutricionais da filha, ela precisa oferecer alguma comida na colher, que assim seja! Precisamos simplificar as coisas ao inv\u00e9s de complicar mais. A maternidade j\u00e1 \u00e9 t\u00e3o solit\u00e1ria para tantas mulheres que eu me pergunto por que complicar ainda mais.<\/p>\n<p><strong>Fraldas de pano no filho &#8211;\u00a0<\/strong>Uma outra hist\u00f3ria \u00e9 de uma m\u00e3e que, como eu, usa fraldas de pano na crian\u00e7a. Ela ia passar as f\u00e9rias com a fam\u00edlia na fazenda de uns familiares. Todo mundo foi contra o uso de fraldas de pano no in\u00edcio, alegando que n\u00e3o daria certo. Ela conseguiu se adaptar \u00e0s fraldas e as usa no filho diariamente com sucesso. O problema \u00e9 que ela nunca tinha viajado at\u00e9 ent\u00e3o.<\/p>\n<p>O que estava corroendo aquela m\u00e3e por dentro era o fato de ter que usar fralda descart\u00e1vel na frente desses familiares durante a viagem como se ela tivesse que provar alguma coisa pra algu\u00e9m. Eu sei que \u00e9 super poss\u00edvel viajar e usar fraldas de pano, mas EU pessoalmente n\u00e3o quero, n\u00e3o t\u00f4 a fim e nem com disposi\u00e7\u00e3o. Foi o que eu disse a ela; que quando eu viajo, n\u00e3o uso fraldas de pano e t\u00e1 tudo bem.<\/p>\n<p>N\u00f3s n\u00e3o precisamos provar nada pra ningu\u00e9m. A gente precisa dar conta daquilo que \u00e9 bom pros nossos filhos e nos traz tranquilidade. Maternar \u00e9 uma luta insana di\u00e1ria. N\u00e3o precisamos tornar as coisas mais dif\u00edceis sempre.<\/p>\n<p><strong>Cama compartilhada entre m\u00e3e e filhos &#8211;\u00a0<\/strong>Esta \u00faltima hist\u00f3ria \u00e9 de uma m\u00e3e com d\u00favida sobre cama compartilhada. Sua filha, desde que chegou em casa, dorme com ela em sua cama, o que facilitou demais a amamenta\u00e7\u00e3o e a ajudou a descansar um pouco mais j\u00e1 que n\u00e3o precisava levantar-se e ir at\u00e9 o ber\u00e7o v\u00e1rias vezes \u00e0 noite.<\/p>\n<p>S\u00f3 que agora, a menina dorme a noite toda e j\u00e1 est\u00e1 grandona. A m\u00e3e dorme numa posi\u00e7\u00e3o ruim por conta da cama pequena e acorda um baga\u00e7o. Um dia, essa m\u00e3e botou a menina no ber\u00e7o e a pequena dormiu a noite toda tranquilamente. A m\u00e3e, na manh\u00e3 seguinte, acordou \u00f3tima, sem dor nas costas, mas cheia de culpa. Ser\u00e1 que ela tinha abandonado a filha? Ser\u00e1 que a menina teria problemas emocionais mais tarde porque dormia longe da m\u00e3e? Eram suas d\u00favidas!<\/p>\n<p>Respondi a ela que sou a favor da cama compartilhada, tanto que fa\u00e7o at\u00e9 hoje porque Artur acorda muito pra mamar, e eu n\u00e3o tenho condi\u00e7\u00f5es de levantar tanto na madrugada, mas se ele dormisse a noite toda muito bem em seu ber\u00e7o, eu n\u00e3o teria d\u00favida em coloc\u00e1-lo l\u00e1! O ber\u00e7o ficaria no meu quarto pra qualquer emerg\u00eancia, mas certamente eu dormiria bel\u00edssima na minha cama, que ficaria espa\u00e7osa.<\/p>\n<p>Vejam! A menina estava bem, provavelmente dormiu at\u00e9 melhor por conta do espa\u00e7o, a m\u00e3e acordou \u00f3tima e as duas estavam felizes, mas o problema era a gaiola, a pris\u00e3o das teorias. A gente precisa saber a hora de voar, se soltar, de desapegar. H\u00e1 momentos que, se deixarmos a linha solta, a pipa voa mais alto, com mais leveza, num voo distante e libertador. Precisamos soltar as amarras das teorias.<\/p>\n<p>Pra finalizar, eu quero deixar claro que defendo o parto humanizado, que uso fraldas de pano, que sou a favor da cria\u00e7\u00e3o com apego, que considero a amamenta\u00e7\u00e3o fundamental, que estudo sobre maternidade, sim, mas que eu vivo verdadeiramente e olho nos olhos dos meus filhos pra enxergar suas reais necessidades todos os dias.<\/p>\n<p>Isso significa que o dia que meu filho estava doente, sem comer nada, eu fiz uma sopinha deliciosa e bati no liquidificador pra descer melhor. Isso n\u00e3o \u00e9 regra aqui e eu sei que, pro bem dele, n\u00e3o devo fazer isso todo dia &#8211; e n\u00e3o fa\u00e7o. Mas quando precisamos, quando eu senti que precisava fazer isso, fiz. Fiz seguindo meu cora\u00e7\u00e3o. E foi o melhor pra ele naquele momento. Melhor pra ele e libertador pra mim.<\/p>\n<p>Vamos ler as teorias? Claro. Vamos ler tantos blogs maravilhosos que temos por a\u00ed sobre maternidade? Com certeza. Vamos tentar fazer o melhor sempre? \u00d3bvio.<\/p>\n<p>Mas vamos tamb\u00e9m olhar pros nossos filhos de verdade e vamos ler tudo de forma cr\u00edtica. Que a gente n\u00e3o deixe nenhuma teoria nos cegar. Porque, se aceitarmos tudo o que lemos, deixamos de praticar a maternidade consciente que tanto defendemos e passamos a seguir a boiada que tanto criticamos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este texto n\u00e3o \u00e9 nenhuma tentativa de discorrer sobre teorias maternas. Este texto vem daqui de dentro, do cora\u00e7\u00e3o, e nasceu quando eu percebi que muita gente est\u00e1 presa a tantas teorias que n\u00e3o consegue de fato vivenciar a maternidade de forma simples e com liberdade. A maternidade n\u00e3o \u00e9 uma pris\u00e3o. Pelo contr\u00e1rio! 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