{"id":165294,"date":"2018-01-01T09:32:51","date_gmt":"2018-01-01T11:32:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=165294"},"modified":"2018-01-01T09:32:51","modified_gmt":"2018-01-01T11:32:51","slug":"uso-dos-militares-no-combate-ao-crime-triplica-em-uma-decada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/uso-dos-militares-no-combate-ao-crime-triplica-em-uma-decada\/","title":{"rendered":"Uso dos militares no combate ao crime triplica em uma d\u00e9cada"},"content":{"rendered":"<p>O uso das For\u00e7as Armadas no combate ao crime organizado cresceu pelo menos tr\u00eas vezes nesta d\u00e9cada comparado aos anos 1990. A presen\u00e7a dos militares nas ruas do Pa\u00eds tamb\u00e9m cresceu e somou em m\u00e9dia 293 dias por ano fora dos quart\u00e9is, cerca de tr\u00eas vezes mais do que nas d\u00e9cadas anteriores. Dados sobre 181 a\u00e7\u00f5es do Ex\u00e9rcito, da Marinha, da Aeron\u00e1utica e do Minist\u00e9rio da Defesa nos \u00faltimos 25 anos &#8211; a maioria de Garantia de Lei e da Ordem (GLO) &#8211; mostram um retrato in\u00e9dito sobre essas opera\u00e7\u00f5es no Brasil. Ao todo, cada uma mobilizou em m\u00e9dia 3.717 homens.<\/p>\n<p>A percep\u00e7\u00e3o de que o emprego dos militares no combate \u00e0 criminalidade est\u00e1 cada vez mais comum \u00e9 sustentada pelos n\u00fameros. \u00c9 o que disse nesta sexta-feira, 29, o comandante do Ex\u00e9rcito, general Eduardo Villas B\u00f4as, no Twitter. &#8220;Preocupa-me o constante emprego do Ex\u00e9rcito em \u2018interven\u00e7\u00f5es\u2019 (GLO) nos Estados. S\u00f3 no Rio Grande do Norte, as For\u00e7as Armadas j\u00e1 foram usadas 3 vezes, em 18 meses. A seguran\u00e7a p\u00fablica precisa ser tratada pelos Estados com prioridade \u2018zero\u2019.&#8221;<\/p>\n<p>De fato, a m\u00e9dia anual de a\u00e7\u00f5es desse tipo saiu de 0,55 nos anos 1990 para 1,8 nesta d\u00e9cada, na contagem mais conservadora. Isso porque esse n\u00famero pode dobrar, caso se considere em separado cada fase da atual Opera\u00e7\u00e3o Furac\u00e3o, no Rio. Como foram feitas sob a autoriza\u00e7\u00e3o de um mesmo decreto presidencial, o Minist\u00e9rio da Defesa conta as 14 fases ocorridas em favelas, com tropas e datas diferentes, como sendo apenas uma \u00fanica a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para criar o primeiro retrato dessas opera\u00e7\u00f5es no Brasil, o jornal consultou dados das For\u00e7as Armadas desde 1992, quando pela primeira vez os militares ocuparam com tanques uma cidade, a fim de garantir a seguran\u00e7a da ECO 92, a confer\u00eancia sobre o meio ambiente das Na\u00e7\u00f5es Unidas. Depois disso, o uso dos militares se ampliou e modificou.<\/p>\n<p>O chefe de opera\u00e7\u00f5es conjuntas do Minist\u00e9rio da Defesa, general C\u00e9sar Augusto Nardi de Souza, diz que a maioria das a\u00e7\u00f5es de combate \u00e0 criminalidade nos anos 1990 tinha como causa a greve de pol\u00edcias. O Ex\u00e9rcito era ent\u00e3o chamado para impedir a a\u00e7\u00e3o de saqueadores e bandidos aproveitadores, como no Cear\u00e1 e na Bahia. Ao todo, foram registradas dez greves de policiais naquela d\u00e9cada &#8211; incluindo uma da Pol\u00edcia Federal, em 1994. Essa situa\u00e7\u00e3o voltou a preocupar o Ex\u00e9rcito na d\u00e9cada atual, que registrou oito casos com a interven\u00e7\u00e3o das For\u00e7as Armadas &#8211; o mais recente no Rio Grande do Norte.<\/p>\n<p><b>Pres\u00eddios &#8211;\u00a0<\/b>O perfil agora \u00e9 outro. At\u00e9 para a revista de pres\u00eddios o Ex\u00e9rcito j\u00e1 foi convocado: a Opera\u00e7\u00e3o Varredura, que acaba no dia 17 de janeiro. &#8220;Foram opera\u00e7\u00f5es pontuais, principalmente na Amaz\u00f4nia, Nordeste e Centro-Oeste&#8221;, contou o general. Nessas a\u00e7\u00f5es, a pol\u00edcia estadual separava os presos enquanto os homens do Ex\u00e9rcito vasculhavam as celas de 31 pres\u00eddios. &#8220;Isso mostrou a fragilidade do acesso \u00e0 arma branca. Encontramos uma para cada dois presos.&#8221;<\/p>\n<p>Para ser feita como GLO, a Opera\u00e7\u00e3o Varredura teve de ser autorizada pelo presidente Michel Temer. Assim como a Opera\u00e7\u00e3o Furac\u00e3o, de interven\u00e7\u00e3o nas favelas do Rio. Para o ex-secret\u00e1rio nacional de Seguran\u00e7a P\u00fablica e coronel da PM Jos\u00e9 Vicente da Silva Filho, \u00e9 &#8220;rid\u00edculo&#8221; o uso do Ex\u00e9rcito na revista de celas. &#8220;Voc\u00ea humilha a institui\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Dezenas de documentos das For\u00e7as Armadas alertam para os riscos de seu emprego no combate ao crime. Desde os danos colaterais (mortes de civis inocentes, crimes militares, etc) at\u00e9 para o desgate que esse tipo de miss\u00e3o provoca na imagem das For\u00e7as Amadas.<\/p>\n<p>O general Gustavo Henrique Dutra de Menezes, comandante da 1.\u00aa Brigada de Infantaria de Selva, que analisou as a\u00e7\u00f5es de GLO na Escola de Comando e Estado-Maior (Eceme), afirma em seu estudo A Degrada\u00e7\u00e3o da Seguran\u00e7a P\u00fablica e as Suas Consequ\u00eancias Para as For\u00e7as Armadas que as a\u00e7\u00f5es de GLO apresentavam &#8220;uma quantidade de poss\u00edveis reflexos negativos significativamente superior aos reflexos positivos&#8221;. Para ele, a atual conjuntura de seguran\u00e7a p\u00fablica &#8220;induz cada vez mais ao emprego das For\u00e7as Armadas nesse escopo de tarefas, enquanto as moderniza\u00e7\u00f5es e adequa\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias ao sistema n\u00e3o s\u00e3o adotadas&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O uso das For\u00e7as Armadas no combate ao crime organizado cresceu pelo menos tr\u00eas vezes nesta d\u00e9cada comparado aos anos 1990. A presen\u00e7a dos militares nas ruas do Pa\u00eds tamb\u00e9m cresceu e somou em m\u00e9dia 293 dias por ano fora dos quart\u00e9is, cerca de tr\u00eas vezes mais do que nas d\u00e9cadas anteriores. 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