{"id":165355,"date":"2018-01-02T07:14:23","date_gmt":"2018-01-02T09:14:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=165355"},"modified":"2018-01-02T07:14:23","modified_gmt":"2018-01-02T09:14:23","slug":"ferrovias-sucateadas-reduzem-velocidade-dos-nossos-trens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/ferrovias-sucateadas-reduzem-velocidade-dos-nossos-trens\/","title":{"rendered":"Ferrovias sucateadas reduzem velocidade dos nossos trens"},"content":{"rendered":"<p>A velocidade das ferrovias brasileiras caiu tanto nos \u00faltimos anos que hoje um maratonista ol\u00edmpico conseguiria superar os trens que circulam em v\u00e1rios trechos da malha nacional.<\/p>\n<p>Em alguns casos, as locomotivas e vag\u00f5es andam, em m\u00e9dia, a menos de dez quil\u00f4metros por hora (km\/h) &#8211; n\u00famero menor que os indicadores de 2001, quando as estat\u00edsticas come\u00e7aram a ser levantadas. A melhor marca nacional, em torno de 27 km\/h, est\u00e1 bem abaixo da registrada nos Estados Unidos, por exemplo, onde os trens circulam a 45 km\/h.<\/p>\n<p>Privatizadas h\u00e1 20 anos e prestes a terem os contratos renovados antecipadamente, essas estradas de ferro enfrentam uma s\u00e9rie de gargalos, que atrapalham a produtividade do transporte nacional &#8211; hoje altamente dependente das rodovias.<\/p>\n<p>A origem do problema tem v\u00e1rias vertentes. Come\u00e7a com a morosidade e a incapacidade do governo de resolver conflitos de sua compet\u00eancia no setor; passa pela falta de investimentos adequados nas vias; e termina na satura\u00e7\u00e3o de alguns trechos, com o aumento de carga movimentada. O resultado se reflete na curva de velocidade. Dados do Anu\u00e1rio Estat\u00edstico da Ag\u00eancia Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) mostram que de 2001 at\u00e9 2016, a queda da velocidade dos trens variou de 5% e 76% (ver gr\u00e1fico). Apenas uma &#8211; a MRS &#8211; conseguiu melhorar o indicador.<\/p>\n<p>Nesse per\u00edodo de 16 anos, muita coisa aconteceu no setor. Em meados dos anos 2000, depois de investimentos pesados em locomotivas e vag\u00f5es e algumas melhorias na via, as empresas conseguiram melhorar a velocidade, mas a partir de 2010 os n\u00fameros entraram num movimento de decl\u00ednio. &#8220;De modo geral, n\u00e3o h\u00e1 um fator que explique a queda de todas as ferrovias. Cada uma tem sua especificidade&#8221;, explica o presidente da consultoria Inter.B, Claudio Frischtak.<\/p>\n<p>Ele usa como exemplo o caso da Estrada de Ferro Caraj\u00e1s que passou por uma grande obra de duplica\u00e7\u00e3o, o que pode ter influenciado na velocidade. Considerada uma das mais eficientes do Pa\u00eds, a ferrovia tinha velocidade m\u00e9dia de 24,07 km\/h em 2016 ante 33 km\/h em 2001.<\/p>\n<p>A Vale, empresa que administra a estrada, afirma que a queda foi decorrente do aumento da produ\u00e7\u00e3o, que significa maior quantidade de trens ao longo da linha f\u00e9rrea. Frischtak cita tamb\u00e9m a situa\u00e7\u00e3o da ALL. A empresa, que detinha a maior malha ferrovi\u00e1ria do Pa\u00eds, foi comprada em 2012 pelo grupo Cosan e passou a se chamar Rumo.<\/p>\n<p>De l\u00e1 para c\u00e1, a nova propriet\u00e1ria da malha ferrovi\u00e1ria conseguiu alguns avan\u00e7os na velocidade, mas em 2016 voltou a cair. Comparados a 2001, todos os trechos da empresa registraram queda. A Rumo afirma que composi\u00e7\u00f5es mais compridas e vag\u00f5es com maior capacidade de carga passaram a ser usados ap\u00f3s a compra. Desde ent\u00e3o j\u00e1 foram investidos R$ 1,8 bilh\u00e3o na aquisi\u00e7\u00e3o de 150 locomotivas e de 2,7 mil vag\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;Com trens maiores e mais pesados circulando pela malha, a velocidade naturalmente diminuiu&#8221;, afirma a empresa, em nota.<\/p>\n<p>Efici\u00eancia. As concession\u00e1rias n\u00e3o gostam de relacionar velocidade \u00e0 produtividade, embora especialistas afirmem que esse \u00e9 um indicador de efici\u00eancia. &#8220;Temos uma malha centen\u00e1ria com declives e aclives, que limitam a opera\u00e7\u00e3o; nem com os melhores materiais (trens e vag\u00f5es) se consegue melhorar a velocidade&#8221;, afirma o diretor executivo da Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Transportadores Ferrovi\u00e1rios (ANTF), Fernando Sim\u00f5es Paes.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o dele, uma das principais explica\u00e7\u00f5es para a redu\u00e7\u00e3o da velocidade \u00e9 o aumento do volume transportado. Ningu\u00e9m nega que houve melhoras no sistema ferrovi\u00e1rio desde a privatiza\u00e7\u00e3o. Um n\u00famero maior de empresas passou a ser atendido pelos trilhos, que hoje respondem por 25% da matriz de transporte &#8211; participa\u00e7\u00e3o considerada baixa.<\/p>\n<p>Mas especialistas entendem que muita coisa precisa mudar para que as ferrovias ganhem mais participa\u00e7\u00e3o na matriz nacional. O governo entende que para compreender melhor as causas da queda na velocidade precisa fazer um estudo aprofundado, o que ainda n\u00e3o est\u00e1 nos planos da ANTT, que fiscaliza o setor.<\/p>\n<p>O superintendente do \u00f3rg\u00e3o, Alexandre Porto, afirma que a velocidade \u00e9 resultado de um conjunto de fatores, como a qualidade da via e o aumento do tr\u00e1fego. Al\u00e9m disso, o crescimento desordenado das grandes cidades espremeu as ferrovias, o que tem impacto na velocidade. &#8220;Toda a malha nacional, constru\u00edda num per\u00edodo de baixa urbaniza\u00e7\u00e3o, tem muitas passagens de n\u00edvel (para permitir que carros e pessoas atravessem os trilhos)&#8221;, afirma o professor da Funda\u00e7\u00e3o Dom Cabral, Paulo Resende.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A velocidade das ferrovias brasileiras caiu tanto nos \u00faltimos anos que hoje um maratonista ol\u00edmpico conseguiria superar os trens que circulam em v\u00e1rios trechos da malha nacional. 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