{"id":166140,"date":"2018-01-09T18:45:03","date_gmt":"2018-01-09T20:45:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=166140"},"modified":"2018-01-09T18:46:09","modified_gmt":"2018-01-09T20:46:09","slug":"alcool-pode-danificar-o-dna-e-e-por-isso-que-causa-cancer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/alcool-pode-danificar-o-dna-e-e-por-isso-que-causa-cancer\/","title":{"rendered":"\u00c1lcool pode danificar o DNA, e \u00e9 por isso que causa c\u00e2ncer"},"content":{"rendered":"<p>Os cientistas sabem h\u00e1 um tempo que o consumo de \u00e1lcool leva a um aumento do risco de c\u00e2ncer. Agora, uma nova pesquisa da Universidade de Cambridge (Reino Unido) encontrou uma explica\u00e7\u00e3o plaus\u00edvel para isso.<\/p>\n<p>No estudo, realizado com ratos, o \u00e1lcool danificou diretamente o DNA em c\u00e9lulas-tronco formadoras de sangue. Esse dano pode se espalhar por tecidos do corpo, aumentando as chances de desenvolvimento da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>A pesquisa foi publicada na prestigiosa revista cient\u00edfica Nature.<\/p>\n<p><strong>O mecanismo &#8211;\u00a0<\/strong>Os pesquisadores deram \u00e1lcool dilu\u00eddo, ou etanol, a ratos, e usaram an\u00e1lise cromoss\u00f4mica e sequenciamento de DNA para avaliar o dano gen\u00e9tico no organismo dos animais.<\/p>\n<p>Eles descobriram que o culpado era um composto qu\u00edmico chamado acetalde\u00eddo, um subproduto do processo de metaboliza\u00e7\u00e3o do \u00e1lcool. O acetalde\u00eddo pode danificar e causar rupturas no DNA dentro das c\u00e9lulas, alterando-o permanentemente.<\/p>\n<p>As c\u00e9lulas-tronco sangu\u00edneas foram utilizadas na an\u00e1lise porque podem ser facilmente replicadas para estudo do DNA, e tamb\u00e9m porque podem espalhar seus danos gen\u00e9ticos por todo o corpo.<\/p>\n<p>Pesquisas anteriores j\u00e1 haviam indicado que o acetalde\u00eddo causava danos ao DNA, mas tais experi\u00eancias foram realizadas em c\u00e9lulas em placas de Petri, n\u00e3o em corpos vivos. O novo estudo permitiu aos cientistas observar a forma como o organismo responde a esse dano, ent\u00e3o foi um avan\u00e7o cr\u00edtico para a nossa compreens\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Muito \u00e1lcool, muito acetalde\u00eddo &#8211;\u00a0<\/strong>De acordo com o principal autor do estudo, Ketan Patel, a quest\u00e3o de como o \u00e1lcool causa danos para o organismo era controversa.<\/p>\n<p>\u201cEste artigo fornece evid\u00eancias muito fortes de que um metabolito do \u00e1lcool provoca danos ao DNA, [inclusive] para as c\u00e9lulas-tronco mais importantes que continuam a fazer tecidos\u201d, declarou Patel ao portal The Guardian.<\/p>\n<p>Quando n\u00f3s consumimos \u00e1lcool em grandes quantidades, nosso corpo luta para metabolizar o acetalde\u00eddo, e ele se acumula nas c\u00e9lulas. Este \u00e9 o momento em que pode causar um enorme estrago no DNA.<\/p>\n<p><strong>Defesa natural do corpo<\/strong> &#8211; O corpo tem uma defesa contra o acetalde\u00eddo \u2013 um grupo de enzimas chamado de alde\u00eddo-desidrogenase (ALDH). Quando est\u00e3o funcionando corretamente, elas neutralizam o acetalde\u00eddo convertendo-o em acetato, que o corpo pode usar como energia.<\/p>\n<p>A fim de ver como o acetalde\u00eddo afeta as c\u00e9lulas quando se acumula, a equipe teve que modificar geneticamente os ratos com uma muta\u00e7\u00e3o que impediu as c\u00e9lulas-tronco do sangue de produzir uma dessas enzimas, ALDH2.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s vimos grandes quantidades de dano no DNA nessas c\u00e9lulas. Peda\u00e7os de DNA foram deletados, peda\u00e7os foram quebrados e at\u00e9 mesmo partes de cromossomos foram movidas e reorganizadas\u201d, explicou Patel.<\/p>\n<p>Os ratos deficientes em ALDH2 tiveram quatro vezes mais dano celular que os ratos do grupo de controle com produ\u00e7\u00e3o normal de ALDH2.<\/p>\n<p><strong>Como ocorre o dano<\/strong> &#8211; O corpo tamb\u00e9m possui um segundo tipo de defesa, um sistema de reparo, o qual trabalha para tentar corrigir o dano causado ao DNA. Mas algumas pessoas t\u00eam muta\u00e7\u00f5es onde uma ou ambas essas defesas n\u00e3o funcionam.<\/p>\n<p>Por exemplo, cerca de 540 milh\u00f5es de pessoas na \u00c1sia carregam uma muta\u00e7\u00e3o no gene ALDH2, o que significa que n\u00e3o podem processar o acetalde\u00eddo. Essa condi\u00e7\u00e3o faz com que n\u00e3o consigam beber \u00e1lcool, ficando muito vermelhos quando o fazem \u2013 da\u00ed o fato da muta\u00e7\u00e3o ser conhecida como \u201cAsian Flush\u201d (algo como \u201cvermelhid\u00e3o asi\u00e1tica\u201d). Quem a possui tem maior risco de c\u00e2ncer de es\u00f4fago.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dessa muta\u00e7\u00e3o, outros tipos de condi\u00e7\u00f5es que fazem com que as pessoas n\u00e3o sejam capazes de processar o \u00e1lcool efetivamente levam a um risco ainda maior de danos ao DNA relacionados \u00e0s bebidas e, portanto, de certos tipos de c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>Vale lembrar, no entanto, que nossos sistemas de reparo n\u00e3o s\u00e3o perfeitos, de forma que o \u00e1lcool ainda pode causar c\u00e2ncer de maneiras diferentes, mesmo em pessoas cujos mecanismos de defesa est\u00e3o intactos.<\/p>\n<p><strong>No futuro &#8211;\u00a0<\/strong>O pr\u00f3ximo passo da pesquisa \u00e9 descobrir porque o consumo de \u00e1lcool est\u00e1 ligado a alguns tipos de c\u00e2ncer e n\u00e3o a outros.<\/p>\n<p>Pesquisas anteriores j\u00e1 encontraram associa\u00e7\u00f5es com maior risco de c\u00e2ncer de boca, garganta, es\u00f4fago, laringe, mama, f\u00edgado e intestino, mesmo para quantidades pequenas de \u00e1lcool.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os cientistas sabem h\u00e1 um tempo que o consumo de \u00e1lcool leva a um aumento do risco de c\u00e2ncer. 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