{"id":166508,"date":"2018-01-14T10:25:06","date_gmt":"2018-01-14T12:25:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=166508"},"modified":"2018-01-14T10:25:06","modified_gmt":"2018-01-14T12:25:06","slug":"se-meu-apartamento-falasse-provoca-muitas-gargalhadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/se-meu-apartamento-falasse-provoca-muitas-gargalhadas\/","title":{"rendered":"Se meu apartamento falasse provoca muitas gargalhadas"},"content":{"rendered":"<div id=\"Corpo\">\n<p>Era 2010 e a atriz Maria Clara Gueiros, que estava em Nova York, assistiu ao musical Promises, Promises e, ao sair, estava determinada: compraria os direitos para montar o espet\u00e1culo no Brasil. Curiosamente, no mesmo ano, Charles M\u00f6eller e Claudio Botelho, respons\u00e1veis por montar boa parte dos grandes musicais encenados no Pa\u00eds, tamb\u00e9m se emocionaram com aquela vers\u00e3o para a Broadway de um cl\u00e1ssico do cinema, a com\u00e9dia Se Meu Apartamento Falasse&#8230;, de 1960. &#8220;Todos sonh\u00e1vamos com uma vers\u00e3o brasileira, o que s\u00f3 aconteceu no final do ano passado&#8221;, conta Maria Clara.<\/p>\n<p>De fato, a estreia aconteceu em dezembro, no Rio, e, depois de uma r\u00e1pida temporada, Se Meu Apartamento Falasse&#8230; chega a S\u00e3o Paulo no pr\u00f3ximo domingo, dia 21, no Teatro Santander. E o que tanto encantou esses artistas? &#8220;O musical surgiu a partir da uni\u00e3o de v\u00e1rios talentos&#8221;, explica M\u00f6eller, respons\u00e1vel pela dire\u00e7\u00e3o. &#8220;Se, no cinema, a hist\u00f3ria foi criada por um g\u00eanio, Billy Wilder, a vers\u00e3o no palco tem uma assinatura tamb\u00e9m nobre: a do dramaturgo Neil Simon.&#8221; O mesmo acontece com as melodias, como observa Botelho: &#8220;A m\u00fasica \u00e9 de Burt Bacharach, com letras de Hal David, ou seja, a sofistica\u00e7\u00e3o do texto de Simon \u00e9 bem acolhida por can\u00e7\u00f5es com incr\u00edveis harmonias, que bem traduzem emo\u00e7\u00f5es no universo pop.&#8221;<\/p>\n<p>Tudo bem alinhavado para contar uma hist\u00f3ria que, apesar de seus 58 anos, continua atual. Trata-se das desventuras de Chuck Baxter (Marcelo M\u00e9dici), um atrapalhado contador que empresta seu apartamento para os encontros amorosos dos colegas do trabalho em troca de favores e promessas de promo\u00e7\u00e3o. At\u00e9 o presidente da empresa, J. D. Sheldrake (Marcos Pasquim), utiliza a gar\u00e7onni\u00e8re para namorar a ascensorista Fran Kubelik (Malu Rodrigues), imigrante polonesa que n\u00e3o percebe a paix\u00e3o de Baxter por ela.<\/p>\n<p>&#8220;Neil Simon n\u00e3o traiu o original de Wilder, mantendo quase fala por fala. Na verdade, ele acrescentou camadas aos personagens, pois todos t\u00eam sua hist\u00f3ria pr\u00f3pria&#8221;, explica M\u00f6eller que, como de h\u00e1bito, se aprofundou em todos os detalhes hist\u00f3ricos da produ\u00e7\u00e3o. &#8220;Isso foi decisivo para que entend\u00eassemos as inten\u00e7\u00f5es do texto no pouco tempo de ensaio&#8221;, acrescenta M\u00e9dici.<\/p>\n<p>Realmente, a prepara\u00e7\u00e3o foi enxut\u00e9rrima (quatro semanas) por conta do baixo investimento que n\u00e3o passou de R$ 1,3 milh\u00e3o, apenas 20% do autorizado a captar pela lei de incentivo. &#8220;N\u00e3o t\u00ednhamos a chance de errar&#8221;, diverte-se Maria Clara, que se interessou em fazer um papel pequeno, mas marcante: Marge Macdougall, a b\u00eabada que Chuck conhece em um bar. &#8220;S\u00e3o s\u00f3 duas cenas, no in\u00edcio do segundo ato, mas \u00e9 uma piada atr\u00e1s da outra&#8221;, conta ela, aplaudida merecidamente em cena aberta.<\/p>\n<p>Maria Clara tamb\u00e9m assina a tradu\u00e7\u00e3o do texto, ao lado de Edgar Duvivier, pai de Greg\u00f3rio, que ambicionava o papel de Chuck, mas n\u00e3o conseguiu acertar agenda. Foi um trabalho delicado, que eles compartilharam com Claudio Botelho, respons\u00e1vel pela vers\u00e3o brasileira das can\u00e7\u00f5es. &#8220;Enquanto Simon adotou um tom filos\u00f3fico, buscando o esp\u00edrito do filme, Hal David criou letras simples, mas inusitadas, com rimas internas e acidentes lingu\u00edsticos quase intraduz\u00edveis&#8221;, explica Botelho.<\/p>\n<p>Um dos grandes desafios foi traduzir a m\u00fasica Christmas Party &#8211; Turkey Lurkey Time, cujo andamento incerto \u00e9 marcado por uma lista nonsense de refer\u00eancias natalinas. &#8220;Na d\u00favida, ligamos direto para Burt Bacharach, que disse simplesmente: &#8216;Turkey Lurkey n\u00e3o tem significado, apenas \u00e9 uma boa rima'&#8221;, diverte-se Maria Clara. &#8220;Decidi criar um trava-l\u00edngua, que une um Papai Noel com Pernambuco&#8221;, emenda Botelho.<\/p>\n<p><b>Como voc\u00ea v\u00ea seu personagem, Chuck Baxter?<\/b><\/p>\n<p>\u00c9 um personagem na\u00eff. Ele se diz ambicioso, mas acho que \u00e9 mais um homem apaixonado. Chuck n\u00e3o consegue dizer &#8216;n\u00e3o&#8217; para os colegas de trabalho e depois se arrepende. \u00c9 um personagem c\u00f4mico, pat\u00e9tico, um homem que n\u00e3o consegue se colocar no mundo<\/p>\n<p><b>Como foi o trabalho de cria\u00e7\u00e3o?<\/b><\/p>\n<p>Eu me lembrava do trabalho do Jack Lemmon no filme. Mas busquei tamb\u00e9m o humor de Jerry Lewis.<\/p>\n<p>Na verdade, sua atua\u00e7\u00e3o me fez pensar em uma homenagem a Marco Nanini, na forma engra\u00e7ada e tresloucada do personagem que ele faz t\u00e3o bem&#8230;<\/p>\n<p>Isso muito me honra, pois Nanini, assim como Mar\u00edlia P\u00eara, a turma do Asdr\u00fabal Trouxe o Trombone e a da TV Pirata, todos s\u00e3o minha refer\u00eancia de humor quando comecei.<\/p>\n<p><b>Voc\u00ea conversa com a plateia, o que n\u00e3o deve ser f\u00e1cil.<\/b><\/p>\n<p>Tenho muita experi\u00eancia por causa do meu show Cada Um Com Seus Pobrema, assim n\u00e3o foi dif\u00edcil. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil, pois sou uma vedete mesmo (risos). O que aprendi \u00e9 que, quando voc\u00ea fala com um, fala, na verdade, com todos.<\/p>\n<p><b>E como \u00e9 cantar?<\/b><\/p>\n<p><b> &#8211;\u00a0<\/b>Nada f\u00e1cil, pois n\u00e3o sou cantor nem quero gravar CD. As m\u00fasicas t\u00eam ciladas para quem n\u00e3o \u00e9 cantor. S\u00e3o incr\u00edveis, mas dif\u00edceis<\/p>\n<p><b>Apartamento s\u00f3 surge no 2\u00ba ato<\/b><\/p>\n<p>1. Nas can\u00e7\u00f5es que se tornaram cl\u00e1ssicos do repert\u00f3rio de Burt Bacharach, como I&#8217;ll Never Fall in Love Again, um grande sucesso na voz de Dione Warwick.<\/p>\n<p>2. Na interpreta\u00e7\u00e3o e na voz inigual\u00e1vel de Malu Rodrigues. Aos 24 anos, \u00e9 seu 11.\u00ba trabalho com M\u00f6eller e Botelho. Ela canta em tom mais grave que seu habitual, para n\u00e3o parecer a jovem que \u00e9<\/p>\n<p>3. Nos divertidos colegas de trabalho de Chuck, vividos por Fernando Caruso, Antonio Fragoso, Renato Rabelo e Ruben Gabira. &#8220;S\u00e3o como c\u00e3es no cio, verdadeiras caricaturas, quase cartoons&#8221;, descreve M\u00f6eller.<\/p>\n<p>4. Na pequena, mas marcante participa\u00e7\u00e3o de Maria Clara Gueiros, como a b\u00eabada Marge. Ela (que eventualmente pode ser substitu\u00edda por Dani Calabresa) comprova como domina o humor verbal, arrancando aplausos em cena aberta.<\/p>\n<p>5. No cen\u00e1rio em tom s\u00e9pia, para lembrar a \u00e9poca (anos 1960), criado por Rog\u00e9rio Falc\u00e3o. Por causa do tempo escasso, ele armou uma oficina embaixo do palco do Rio para trabalhar na carpintaria e pintura das pe\u00e7as.<\/p>\n<p>6. No apartamento que, embora inspire o t\u00edtulo do espet\u00e1culo, s\u00f3 aparece mesmo no segundo ato.<\/p>\n<p>7. Na forma aberta com que Neil Simon e Billy Wilder tratam de temas delicados como adult\u00e9rio.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Era 2010 e a atriz Maria Clara Gueiros, que estava em Nova York, assistiu ao musical Promises, Promises e, ao sair, estava determinada: compraria os direitos para montar o espet\u00e1culo no Brasil. 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