{"id":166738,"date":"2018-01-16T17:33:37","date_gmt":"2018-01-16T19:33:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=166738"},"modified":"2018-01-16T17:33:37","modified_gmt":"2018-01-16T19:33:37","slug":"brasil-parece-uma-sociedade-de-castas-diz-le-monde","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/brasil-parece-uma-sociedade-de-castas-diz-le-monde\/","title":{"rendered":"&#8216;Brasil parece uma sociedade de castas&#8217; diz Le Monde"},"content":{"rendered":"<p>O Le Monde publicou m\u00eas passado, em seu caderno de economia, a terceira reportagem da s\u00e9rie desigualdades, enfocando a situa\u00e7\u00e3o no Brasil e na R\u00fassia. As an\u00e1lises aprofundam os dados do projeto World Wealth and Income Database (base de dados sobre patrim\u00f4nio e renda), dirigido pelo economista franc\u00eas Thomas Piketty. O documento aponta que, desde os anos 80, 1% da popula\u00e7\u00e3o mais rica do planeta aproveitou do crescimento econ\u00f4mico duas vezes mais do que os 50% mais pobres.<\/p>\n<p>As duas pot\u00eancias \u201cemergentes correm o risco de uma situa\u00e7\u00e3o extrema\u201d, afirma o vespertino. Na R\u00fassia de Vladimir Putin, 21 milh\u00f5es de pessoas vivem com uma renda inferior ao m\u00ednimo vital. O ex-pa\u00eds comunista, estritamente controlado pelo Kremlin, \u00e9 um dos mais desiguais do mundo.<\/p>\n<p>No Brasil, as \u201cesperan\u00e7as\u201d da era Lula, que tirou da pobreza milh\u00f5es de pessoas, deram lugar \u00e0 amargura no pa\u00eds do chamado \u201cracismo cordial\u201d, escreve Le Monde. As desigualdades voltam a crescer. O economista Marc Morgan, aluno de Piketty, fez o estudo sobre o Brasil e calculou a renda dos mais ricos do pa\u00eds. Segundo os dados, 1% da popula\u00e7\u00e3o, ou seja, 1,4 milh\u00e3o de pessoas, recebem por ano \u20ac 287 mil (cerca de R$ 1,1 milh\u00e3o).<\/p>\n<p>J\u00e1 os super-ricos, que representam 0,1% da popula\u00e7\u00e3o, ganham por ano 40 vezes mais do que o equivalente \u00e0 renda m\u00e9dia estimada de todos os brasileiros.\u00a0Diante desses n\u00fameros, as desigualdades no Brasil s\u00e3o compar\u00e1veis \u00e0 situa\u00e7\u00e3o no s\u00e9culo 19 na Fran\u00e7a, quando Victor Hugo escreveu o romance \u201cOs Miser\u00e1veis\u201d, avalia o texto.<\/p>\n<p><strong>Desigualdade como escolha pol\u00edtica &#8211;\u00a0<\/strong>A correspondente do Le Monde no Brasil, Claire Gatinois, come\u00e7a o artigo tra\u00e7ando o perfil de uma empregada dom\u00e9stica da periferia de S\u00e3o Paulo que acreditou no milagre de \u201cmelhorar de vida\u201d e hoje constata que \u201cnada mudou\u201d.<\/p>\n<p>A reportagem cita Marc Morgan, para quem \u201ca hist\u00f3ria recente do Brasil indica que o pa\u00eds fez uma escolha pol\u00edtica pela desigualdade\u201d. \u201cUm dos pilares da perman\u00eancia da enorme diferen\u00e7a de sal\u00e1rios \u00e9 a pol\u00edtica fiscal que faz os mais pobres pagarem proporcionalmente mais impostos do que os mais ricos\u201d. Al\u00e9m disso, as fraudes s\u00e3o uma pr\u00e1tica utilizada com frequ\u00eancia pela classe A para escapar do fisco.<\/p>\n<p>A manuten\u00e7\u00e3o dos privil\u00e9gios da elite d\u00e1 ao Brasil \u201cares de uma sociedade de castas\u201d, como a denunciada por Gilberto Freyre no livro \u201cCasa grande e Senzala\u201d, denuncia o artigo. Desigualdade de classe e de ra\u00e7a. Ser negro no Brasil significa com frequ\u00eancia \u201cser condenado \u00e0 mis\u00e9ria\u201d, constata Le Monde.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Le Monde publicou m\u00eas passado, em seu caderno de economia, a terceira reportagem da s\u00e9rie desigualdades, enfocando a situa\u00e7\u00e3o no Brasil e na R\u00fassia. As an\u00e1lises aprofundam os dados do projeto World Wealth and Income Database (base de dados sobre patrim\u00f4nio e renda), dirigido pelo economista franc\u00eas Thomas Piketty. O documento aponta que, desde [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":166739,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-166738","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/166738","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=166738"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/166738\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":166740,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/166738\/revisions\/166740"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/166739"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=166738"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=166738"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=166738"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}