{"id":167200,"date":"2018-01-21T07:47:27","date_gmt":"2018-01-21T09:47:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=167200"},"modified":"2018-01-21T11:09:08","modified_gmt":"2018-01-21T13:09:08","slug":"odio-racismo-e-pedofilia-entram-na-mira-dos-federais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/odio-racismo-e-pedofilia-entram-na-mira-dos-federais\/","title":{"rendered":"\u00d3dio, racismo e pedofilia entram na mira dos federais"},"content":{"rendered":"<p>O Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) e as pol\u00edcias civis do Rio de Janeiro e de S\u00e3o Paulo investigam as reais motiva\u00e7\u00f5es e os respons\u00e1veis por tr\u00e1s de um site denunciado por milhares de internautas por causa de textos que fazem apologia a crimes como racismo e pedofilia. Especialistas n\u00e3o descartam a hip\u00f3tese de que a p\u00e1gina esteja a servi\u00e7o de pessoas ou grupos interessados em prejudicar desafetos; disseminar o \u00f3dio contra as minorias sociais e conquistar audi\u00eancia por meio de pol\u00eamicas \u2013 t\u00e1tica comum a v\u00e1rios sites e blogs sensacionalistas.<\/p>\n<p>S\u00f3 a ONG SaferNet, que se dedica \u00e0 preven\u00e7\u00e3o e ao combate a crimes contra os direitos humanos na internet, recebeu mais de 11 mil den\u00fancias em menos de 48 horas. Equipes da ONG est\u00e3o analisando o conte\u00fado dos textos denunciados para subsidiar as investiga\u00e7\u00f5es j\u00e1 instauradas pelas procuradorias da Rep\u00fablica em S\u00e3o Paulo e no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Criado em dezembro de 2017, o site que provocou a revolta de internautas com postagens intituladas &#8220;Espancar Negros Libera Adrenalina&#8221; e &#8220;Pedofilia Com Filhas de M\u00e3es Solteiras&#8221; ganhou destaque ap\u00f3s publicar ofensas a estudantes e a um professor da UniCarioca. Todos os alvos da publica\u00e7\u00e3o tiveram as fotos e nomes divulgados em um texto que caracterizava a institui\u00e7\u00e3o de ensino como uma \u201csenzala gigantesca\u201d. Um dos estudantes foi amea\u00e7ado de morte pelo agressor, que reclama da presen\u00e7a de \u201cnegros e mesti\u00e7os\u201d em ambiente antes dominado pela \u201celite branca\u201d.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s pedir a instaura\u00e7\u00e3o de inqu\u00e9rito na Procuradoria da Rep\u00fablica no Rio de Janeiro, o procurador Daniel Prazeres, do Grupo de Combate a Crimes Cibern\u00e9ticos, solicitou a ajuda da Pol\u00edcia Federal e da Pol\u00edcia Civil fluminense para tentar identificar os respons\u00e1veis pelo site.<\/p>\n<p>\u201cEste \u00e9 um caso grave e complicado, j\u00e1 que a principal motiva\u00e7\u00e3o pode ser prejudicar a terceiros, e n\u00e3o o racismo. \u00c9 uma apura\u00e7\u00e3o muito dif\u00edcil, que vai ter que ser feita em conjunto com v\u00e1rios \u00f3rg\u00e3os e que traz \u00e0 tona uma s\u00e9rie de temas com os quais ainda estamos aprendendo a lidar\u201d, ponderou o procurador, destacando que o fato de o site estar hospedado em um servidor no exterior pode atrasar a apura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um dos textos publicados na p\u00e1gina cont\u00e9m a seguinte mensagem: &#8220;N\u00e3o adianta denunciar meu site. Eu gozo de impunidade e o site vai continuar online. J\u00e1 paguei dez anos de servidor e coloquei mais de 50 artigos para serem postados automaticamente\u201d.<\/p>\n<p>Enquanto a investiga\u00e7\u00e3o transcorre, a SaferNet recomenda que as pessoas evitem acessar ou compartilhar links de acesso a este e outros sites com a mesma tem\u00e1tica. De acordo com diretores da ONG, as pessoas \u00e0 frente desse tipo de p\u00e1gina costumam adotar a estrat\u00e9gia de gerar pol\u00eamicas para divulgar anonimamente ideias criminosas e preconceituosas e, assim, conquistar audi\u00eancia. Desta forma, passam a ganhar dinheiro com publicidade ou mesmo assumindo o controle dos computadores de internautas desavisados.<\/p>\n<p><strong>Amea\u00e7as<\/strong> &#8211; As v\u00edtimas citadas no texto sobre a UniCarioca registraram um boletim de ocorr\u00eancia, e a Pol\u00edcia Civil passou a investigar as den\u00fancias, inicialmente tratadas como de racismo. No entanto, outros textos publicados fazem apologia a diferentes tipos de crime. Em uma postagem, os leitores s\u00e3o incentivados a doparem, raptarem e abusarem sexualmente de crian\u00e7as, e o site amea\u00e7a fazer o mesmo com a filha de uma professora da universidade, de 11 anos.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um absurdo o que escreveram e eu n\u00e3o tenho a menor no\u00e7\u00e3o do porque de eu e minha filha termos sido envolvidas nesta situa\u00e7\u00e3o\u201d, disse a professora, que preferiu n\u00e3o se identificar. \u201cN\u00e3o tenho desafetos dentro ou fora da institui\u00e7\u00e3o e n\u00e3o tenho a menor ideia da motiva\u00e7\u00e3o disso\u201d, acrescentou a professora, que, ap\u00f3s o epis\u00f3dio, bloqueou o acesso \u00e0s p\u00e1ginas que ela e a filha mantinham em uma rede social.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do inqu\u00e9rito instaurado pela Pol\u00edcia Civil do Rio de Janeiro, desde 2017, a Pol\u00edcia Civil de S\u00e3o Paulo j\u00e1 vem apurando a a\u00e7\u00e3o de pessoas que enviaram mensagens eletr\u00f4nicas chantageando e amea\u00e7ando ativistas sociais e pessoas p\u00fablicas, como a advogada Jana\u00edna Paschoal. A suspeita \u00e9 que os respons\u00e1veis pelo site podem estar de alguma forma associados ao epis\u00f3dio, j\u00e1 que os e-mails continham o nome da mesma pessoa a quem s\u00e3o atribu\u00eddos os textos publicados.<\/p>\n<p><strong>&#8220;Roubo&#8221; de identidade<\/strong> &#8211; Quase todos os textos publicados no blog s\u00e3o atribu\u00eddos a Ricardo Wagner Arouxa que, segundo a UniCarioca, j\u00e1 estudou na institui\u00e7\u00e3o. Em depoimento \u00e0 Pol\u00edcia Civil do Rio de Janeiro, Arouxa alegou ser v\u00edtima da a\u00e7\u00e3o de pessoas que usam sua identidade para prejudic\u00e1-lo e se esconder das autoridades.<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 imprensa, o delegado carioca que colheu o depoimento de Arouxa disse que o rapaz \u00e9 uma v\u00edtima dos verdadeiros respons\u00e1veis pelo site. A hip\u00f3tese e os motivos, no entanto, continuam sendo apurados, e a pol\u00edcia n\u00e3o forneceu mais detalhes.<\/p>\n<p>Apesar da declara\u00e7\u00e3o do delegado, Arouxa continua sendo atacado nas redes sociais por causa do conte\u00fado dos textos a ele atribu\u00eddos. Ao tentar conversar com o jovem, a reportagem ouviu de seu pai que o nome do filho vem sendo usado indevidamente h\u00e1 pelo menos dois anos. E que, desde ent\u00e3o, o rapaz teve a vida devassada na internet.<\/p>\n<p>\u201cOs telefones dele foram divulgados na internet, incluindo o daqui de casa. At\u00e9 amea\u00e7a de morte n\u00f3s recebemos. Divulgaram at\u00e9 o endere\u00e7o e o telefone do hospital em que ele trabalhava, amea\u00e7ando ir l\u00e1 peg\u00e1-lo. At\u00e9 pessoas famosas ligam aqui em casa procurando por ele, dizendo que v\u00e3o process\u00e1-lo\u201d, contou o pai de Arouxa, que tamb\u00e9m pediu para que seu nome n\u00e3o fosse divulgado.<\/p>\n<p>\u201cNa semana retrasada, policiais estiveram aqui em sua casa e levaram todos os computadores que encontraram\u201d, acrescentou o pai do rapaz, com quem a reportagem n\u00e3o conseguiu conversar. A Pol\u00edcia Civil do Rio de Janeiro disse que as investiga\u00e7\u00f5es ainda n\u00e3o foram encerradas e que n\u00e3o comentar\u00e1 o assunto.<\/p>\n<p>Uma das pessoas agredidas em e-mails atribu\u00eddos a Arouxa foi a advogada Jana\u00edna Paschoal, que participou do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Em setembro de 2017, a advogada revelou estar recebendo e-mails com amea\u00e7as a ela e a sua fam\u00edlia, al\u00e9m de cobran\u00e7a de valores em dinheiro para deix\u00e1-la em paz. Ap\u00f3s denunciar o caso \u00e0 Pol\u00edcia Civil de S\u00e3o Paulo, Jana\u00edna conseguiu o telefone do rapaz e entrou em contato com ele.<\/p>\n<p>\u201cEle me disse que estavam usando o nome dele indevidamente. Pareceu-me que os pr\u00f3prios delegados n\u00e3o acreditaram que ele fosse o real culpado, mas nunca mais voltei a falar com ele e estou aguardando o resultado da investiga\u00e7\u00e3o policial\u201d, contou.<\/p>\n<p>Para a SaferNet, n\u00e3o ser\u00e1 nenhuma surpresa se a investiga\u00e7\u00e3o confirmar que Arouxa teve a identidade virtual roubada e \u00e9 mais uma v\u00edtima de grupos organizados que usam da estrat\u00e9gia de gerar pol\u00eamicas e ofender grupos da popula\u00e7\u00e3o, como mulheres, negros e homossexuais, para alavancar os acessos e obter vantagens financeiras.<\/p>\n<p>A ONG lembra que, em 2012, a PF prendeu duas pessoas, posteriormente condenadas, por divulga\u00e7\u00e3o de mensagens com conte\u00fado discriminat\u00f3rio falsamente atribu\u00eddas a uma terceira pessoa. Batizada de Intoler\u00e2ncia, a opera\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m investigou o envolvimento dos criminosos com o autor do chamado Massacre de Realengo, em 2011, no qual um rapaz de 23 anos invadiu a Escola Municipal Tasso da Silveira, no Rio de Janeiro, e matou 12 estudantes, antes de se suicidar.<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o destaca que as pessoas n\u00e3o devem disseminar mensagens de \u00f3dio, pois o justi\u00e7amento virtual \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o precipitada e que pode levar a graves consequ\u00eancias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) e as pol\u00edcias civis do Rio de Janeiro e de S\u00e3o Paulo investigam as reais motiva\u00e7\u00f5es e os respons\u00e1veis por tr\u00e1s de um site denunciado por milhares de internautas por causa de textos que fazem apologia a crimes como racismo e pedofilia. 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