{"id":167904,"date":"2018-01-28T09:40:42","date_gmt":"2018-01-28T11:40:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=167904"},"modified":"2018-01-28T09:40:42","modified_gmt":"2018-01-28T11:40:42","slug":"mulher-ganha-espaco-e-ocupa-30-dos-cargos-de-comando","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/mulher-ganha-espaco-e-ocupa-30-dos-cargos-de-comando\/","title":{"rendered":"Mulher ganha espa\u00e7o e ocupa 30% dos cargos de comando"},"content":{"rendered":"<p>Os anos recentes n\u00e3o foram s\u00f3 de ganho de produtividade e aumento do uso da tecnologia no campo. Ele tamb\u00e9m ficou mais feminino. Uma em cada tr\u00eas propriedades rurais do Pa\u00eds tem mulheres ocupando fun\u00e7\u00f5es de comando &#8211; h\u00e1 cinco anos, eram 10%. Quando n\u00e3o s\u00e3o as principais respons\u00e1veis pelas propriedades, elas atuam como administradoras, dividem as atividades com um familiar ou est\u00e3o sendo preparadas para assumir essas fun\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Os dados s\u00e3o de uma pesquisa da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Marketing Rural e Agroneg\u00f3cio (ABMRA) e antecedem o Censo Agropecu\u00e1rio, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), que deve ficar pronto este ano. O levantamento foi feito ao longo de 2017, com 2.090 agricultores e 717 pecuaristas de 15 Estados.<\/p>\n<p>Criada em uma fazenda de gado de S\u00e3o Sep\u00e9, no Rio Grande do Sul, Fernanda Costabeber, de 26 anos, nunca pensou em ser apenas a &#8220;filha do dono&#8221;. Ela e a irm\u00e3 mais velha foram acostumadas desde pequenas a participar das atividades da propriedade de 1,6 mil hectares.<\/p>\n<p>&#8220;O meu pai n\u00e3o \u00e9 de uma fam\u00edlia de pecuaristas tradicionais, come\u00e7ou tudo do zero e sempre disse que nos criaria para tomar conta do neg\u00f3cio no futuro, ensinando todas as fun\u00e7\u00f5es que um filho homem teria de aprender&#8221;, conta. &#8220;Muitas meninas acabam ouvindo que n\u00e3o dariam conta de tocar uma fazenda. Acho que ter aprendido desde cedo que seria capaz de administrar o neg\u00f3cio foi uma das coisas mais importantes.&#8221;<\/p>\n<p>Fernanda se formou em veterin\u00e1ria h\u00e1 cinco anos. &#8220;J\u00e1 conhecia a vida no campo na pr\u00e1tica e queria uma vis\u00e3o mais profissional, para tentar aprimorar o nosso neg\u00f3cio.&#8221; Ela chegou a trabalhar por um ano na ind\u00fastria de alimentos, mas decidiu voltar. H\u00e1 dois anos, substituiu o pai na fun\u00e7\u00e3o de gerente administrativo da fazenda.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s assumir a ger\u00eancia, o n\u00famero de cabe\u00e7as de gado subiu de 4 mil para 6,3 mil. &#8220;Conseguimos dividir fun\u00e7\u00f5es e cada um oferece o que tem de melhor para a fazenda.&#8221; O pai de Fernanda negocia a compra e venda de animais, enquanto o marido dela, agr\u00f4nomo, cuida da produ\u00e7\u00e3o de ra\u00e7\u00e3o. &#8220;As barreiras n\u00e3o desapareceram por completo para as mulheres, mas ficaram menores.&#8221;<\/p>\n<p>Com o aumento do uso da tecnologia no campo, a for\u00e7a f\u00edsica deixou de ser uma barreira para muitas atividades, lembra Ricardo Nicodemos, coordenador da pesquisa da ABMRA. Elas tamb\u00e9m est\u00e3o se preparando mais para assumir as fun\u00e7\u00f5es. Uma em cada quatro mulheres tem forma\u00e7\u00e3o superior. Entre os homens, um em cada cinco.<\/p>\n<p>&#8220;Essa nova din\u00e2mica do agroneg\u00f3cio faz com que as mulheres ganhem destaque. Embora os homens sejam a maioria dos entrevistados, para 81% dos agricultores e pecuaristas, a participa\u00e7\u00e3o delas \u00e9 vital ou muito importante&#8221;, diz Nicodemos.<\/p>\n<p>Lavoura nada arcaica. A presen\u00e7a feminina \u00e0 frente das propriedades rurais n\u00e3o \u00e9 in\u00e9dita. Mas a pesquisa da ABMRA mostra que elas ganham espa\u00e7o nas pequenas, m\u00e9dias e grandes propriedades. &#8220;Existem \u00f3timos exemplos de mulheres de gera\u00e7\u00f5es passadas que tocaram propriedades muito bem. Mas acho que, de forma geral, quando s\u00f3 havia filhas mulheres na fam\u00edlia, a expectativa reca\u00eda mais sobre os maridos mesmo&#8221;, conta a veterin\u00e1ria Andrea Ver\u00edssimo, de 44 anos. Ela divide com o marido a administra\u00e7\u00e3o de uma propriedade em Arambar\u00e9, tamb\u00e9m no interior do Rio Grande do Sul. Na fazenda, heran\u00e7a dos pais do marido, o casal integra lavoura e pecu\u00e1ria.<\/p>\n<p>Formada na d\u00e9cada de 1990, Andrea foi complementar os estudos com um mestrado na Nova Zel\u00e2ndia em 2001. &#8220;Trabalhei dois anos na propriedade do meu pai e fui buscar mais conhecimento. Era uma \u00e9poca em que os cursos de especializa\u00e7\u00e3o na \u00e1rea eram raros &#8221; Hoje, al\u00e9m da fazenda, ela cuida de uma consultoria de rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas voltada para o agroneg\u00f3cio.<\/p>\n<p>&#8220;Essa \u00e9 mesmo uma caracter\u00edstica muito feminina, de querer se aprimorar sempre&#8221;, avalia a paulista Teresa Vendramini, primeira mulher a ocupar um cargo de diretora executiva na Sociedade Rural Brasileira (SRB). Ela est\u00e1 no cargo desde mar\u00e7o do ano passado.<\/p>\n<p>&#8220;A mulher antes acabava indo parar no campo quando ficava vi\u00fava ou quando perdia os pais. Foi assim comigo e ainda acontece bastante. Mas a import\u00e2ncia crescente do agroneg\u00f3cio tamb\u00e9m veio acompanhada de uma revolu\u00e7\u00e3o cultural. Os jovens querem ficar no campo, muitas mulheres n\u00e3o s\u00e3o mais criadas para ficar em segundo plano e esses novos agentes est\u00e3o transformando a agropecu\u00e1ria. \u00c9 um caminho sem volta.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os anos recentes n\u00e3o foram s\u00f3 de ganho de produtividade e aumento do uso da tecnologia no campo. Ele tamb\u00e9m ficou mais feminino. Uma em cada tr\u00eas propriedades rurais do Pa\u00eds tem mulheres ocupando fun\u00e7\u00f5es de comando &#8211; h\u00e1 cinco anos, eram 10%. 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