{"id":168037,"date":"2018-01-29T07:59:30","date_gmt":"2018-01-29T09:59:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=168037"},"modified":"2018-01-29T07:59:30","modified_gmt":"2018-01-29T09:59:30","slug":"apos-fogo-tucuruvi-refaz-tudo-para-mostrar-uma-noite-no-museu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/apos-fogo-tucuruvi-refaz-tudo-para-mostrar-uma-noite-no-museu\/","title":{"rendered":"Ap\u00f3s fogo, Tucuruvi refaz tudo para mostrar Uma Noite no Museu"},"content":{"rendered":"<p>Os cerca de 2,5 mil integrantes da escola de samba Acad\u00eamicos do Tucuruvi, da zona norte de S\u00e3o Paulo, entrar\u00e3o no samb\u00f3dromo na madrugada de 10 de fevereiro com um n\u00f3 na garganta. N\u00e3o pela emo\u00e7\u00e3o que habitualmente empolga os apaixonados sambistas da comunidade da Vila Mazzei, nem pela forte pegada do refr\u00e3o do samba-enredo &#8220;Uma noite no museu&#8221;, inspirado na com\u00e9dia do ator Ben Stiller no cinema.<\/p>\n<p>Os sentimentos que a terceira escola a desfilar na primeira noite do Grupo Especial da capital levar\u00e1 para a avenida s\u00e3o a dor e a gana de quem teve apenas um m\u00eas para refazer o trabalho de quase um ano, depois que um inc\u00eandio destruiu, no \u00faltimo dia 4, cerca de 70% das fantasias e a tirou da disputa pelo t\u00edtulo de 2018.<\/p>\n<p>Com o sonho de campe\u00e3 do carnaval, aproveitando o sucesso do carnavalesco Fl\u00e1vio Campello &#8211; que venceu a disputa de 2017 na rival Acad\u00eamicos do Tatuap\u00e9 -, o fogo provocado por um curto circuito na madrugada queimou tamb\u00e9m, total ou parcialmente, 1,8 mil das 2,5 mil fantasias feitas \u00e0 m\u00e3o na escola. &#8220;Temos de refazer quase tudo&#8221;, disse na semana passada o ator Didi Guerreiro, coordenador de produ\u00e7\u00e3o de fantasias da Tucuruvi, num improvisado barrac\u00e3o da Avenida Manoel Gaia, vizinho da quadra da agremia\u00e7\u00e3o, que fica na Avenida Mazzei. As roupas, compostas por at\u00e9 70 pe\u00e7as, viraram cinzas no ateli\u00ea da Rua Bartolomeu de Torales.<\/p>\n<p>Por causa do inc\u00eandio, a Liga SP decidiu que a escola n\u00e3o receber\u00e1 pontua\u00e7\u00e3o nem ser\u00e1 rebaixada. N\u00e3o \u00e9 a primeira vez que o fogo fustiga a festa da Tucuruvi. Em maio de 2014, o mesmo pr\u00e9dio da Manoel Gaia que agora serve de oficina provis\u00f3ria foi destru\u00eddo pelas chamas.<\/p>\n<p>Desta vez, por\u00e9m, o tempo escasso impediu a recupera\u00e7\u00e3o total. Materiais raros e caros, comprados no segundo semestre, quando a fabrica\u00e7\u00e3o das fantasias foi acelerada, viraram fuma\u00e7a. O fogo comeu as 5 mil penas brancas de pav\u00e3o albino, adquiridas a R$ 4,50 cada, que deveriam enfeitar os 60 costeiros (adornos de costas e cabe\u00e7a) da Ala das Baianas, um dos charmes das escolas de samba. &#8220;Perdemos todas as penas do pav\u00e3o albino&#8221;, lamentou Guerreiro, que tem dez anos de avenida e barrac\u00f5es.<\/p>\n<p>Destaque do quarto carro da escola no desfile deste ano, Guerreiro &#8211; ator de teatro e produtor de cen\u00e1rios &#8211; conta que o fogo acabou com quase toda a roupa de cor salm\u00e3o das baianas. &#8220;S\u00f3 sobraram 17 dos 60 vestidos, mas os costeiros foram todos perdidos, e isso mudou o tecido e a at\u00e9 cor da fantasia que agora vai para a avenida&#8221;, explicou, enquanto trabalhava na Manuel Gaia, para onde foram levados os restos do inc\u00eandio.<\/p>\n<p>Como a produ\u00e7\u00e3o da escola n\u00e3o estava concentrada apenas no barrac\u00e3o incendiado, algumas roupas sobreviveram. O material da F\u00e1brica do Samba, na Barra Funda, e algumas pe\u00e7as que estavam no t\u00e9rreo do sinistro se salvaram e estar\u00e3o na avenida. Outras j\u00e1 haviam sido retiradas pelos foli\u00f5es, como a fantasia de centuri\u00e3o dos 220 ritmistas da bateria.<\/p>\n<p>Na Ala do Museu da Tortura, por\u00e9m, o estrago foi grande. Com fantasias originalmente em tons de roxo e m\u00e1scaras brancas imitando caveiras, a ala foi uma das mais afetadas. &#8220;S\u00f3 sobraram os costeiros de 81 fantasias. Vamos refazer com o que temos&#8221;, disse Guerreiro.<\/p>\n<p>A principal dificuldade da reconstru\u00e7\u00e3o, segundo os dirigentes, \u00e9 que em janeiro os fornecedores j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam mais as cores e tecidos especiais nem as quantidades necess\u00e1rias de materiais para as fantasias desenhadas para o enredo. E muitas das alas, que foram totalmente destru\u00eddas, sair\u00e3o com as fantasias alteradas em forma e conte\u00fado em rela\u00e7\u00e3o ao plano inicial.<\/p>\n<p><b>Mutir\u00e3o &#8211;\u00a0<\/b>A comunidade do Tucuruvi apelou para os volunt\u00e1rios e a coordena\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o dobrou o hor\u00e1rio de funcion\u00e1rios no novo local de trabalho. Integrantes de outros setores, que j\u00e1 estariam envolvidos nos ensaios de harmonia, ritmo e bateria, t\u00eam passado os dias na tarefa de reconstru\u00e7\u00e3o para, ao menos, cumprir o regulamento, que exige 28 alas e 5 carros, mais trip\u00e9s e comiss\u00e3o de frente.<\/p>\n<p>Para a sambista Giovanna Amaral, &#8220;\u00e9 hora de ajudar&#8221;. Ela dedicou horas de seu ver\u00e3o colando pe\u00e7as e forrando arames de suportes de ombros para tentar colorir complementos das 81 pe\u00e7as da Ala da Arqueologia. &#8220;E a gente vem trazer o almo\u00e7o para eles&#8221;, emendou Maria Manoela, coordenadora de outro grupo encarregado de montar duas alas para cerca de 200 pessoas do Vale do Para\u00edba, f\u00e3s da Tucuruvi.<\/p>\n<p>Para Campello, o tempo \u00e9 agora o maior inimigo. &#8220;Mas vamos para a avenida mostrar um peda\u00e7o do sonho e, em 2019, tentar fazer o que n\u00e3o conseguimos desta vez&#8221;, afirmou Campello.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os cerca de 2,5 mil integrantes da escola de samba Acad\u00eamicos do Tucuruvi, da zona norte de S\u00e3o Paulo, entrar\u00e3o no samb\u00f3dromo na madrugada de 10 de fevereiro com um n\u00f3 na garganta. 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