{"id":168727,"date":"2018-02-04T09:33:35","date_gmt":"2018-02-04T11:33:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=168727"},"modified":"2018-02-04T10:11:31","modified_gmt":"2018-02-04T12:11:31","slug":"ministros-fazem-media-atras-de-voto-com-nosso-dinheiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/ministros-fazem-media-atras-de-voto-com-nosso-dinheiro\/","title":{"rendered":"Ministros fazem m\u00e9dia atr\u00e1s de voto com nosso dinheiro"},"content":{"rendered":"<p>A dois meses de deixarem os cargos para disputar as elei\u00e7\u00f5es, os ministros-candidatos do governo Michel Temer aumentaram a libera\u00e7\u00e3o de recursos para seus Estados de origem e privilegiaram suas bases eleitorais nas agendas oficiais. Levantamento mostra que 7 dos 13 ministros com a inten\u00e7\u00e3o de entrar na corrida eleitoral incrementaram o valor autorizado para projetos e obras nos seus respectivos redutos eleitorais.<\/p>\n<p>No Minist\u00e9rio do Turismo, por exemplo, o ministro Marx Beltr\u00e3o (MDB) destinou no ano passado R$ 72 milh\u00f5es para cidades de Alagoas, Estado pelo qual pretende disputar uma cadeira no Senado. O aumento em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior foi de 269%, o que tornou Alagoas o campe\u00e3o de investimento em Turismo no Pa\u00eds.<\/p>\n<p>S\u00f3 a cidade de Coruripe (AL), governada por um tio do ministro, teve R$ 4,4 milh\u00f5es liberados no ano passado, dois ter\u00e7os a mais do que havia recebido no ano anterior. Parte do valor servir\u00e1 para pagar a elabora\u00e7\u00e3o de projeto b\u00e1sico para a constru\u00e7\u00e3o de um aeroporto na cidade (mais informa\u00e7\u00f5es na p\u00e1g. A5). A pasta autorizou ainda repasses para Feliz Deserto e Jequi\u00e1 da Praia, cidades que tamb\u00e9m s\u00e3o administradas por parentes do titular do Turismo.<\/p>\n<p>Entre dezembro e janeiro, Beltr\u00e3o teve tr\u00eas compromissos na capital do Estado, Macei\u00f3. Fora Bras\u00edlia, foi a \u00fanica cidade do Pa\u00eds onde cumpriu agenda oficial no per\u00edodo. Na semana passada, escolheu a capital alagoana para lan\u00e7ar o cadastro nacional de prestadores de servi\u00e7os tur\u00edsticos.<\/p>\n<p>No Minist\u00e9rio da Sa\u00fade a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 semelhante. O ministro Ricardo Barros (PP), candidato \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o na C\u00e2mara, foi nada menos que 20 vezes ao Paran\u00e1, onde sua mulher, atualmente vice-governadora, figura como pr\u00e9-candidata ao governo. Em alguns casos, as agendas n\u00e3o tinham rela\u00e7\u00e3o com o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade: encontro com empreendedores rurais na Expotrade, assinatura de conv\u00eanios entre prefeitos e a usina de Itaipu e at\u00e9 entrega de uma honraria, a Ordem do Pinheiro, \u00e0 sua mulher, Cida Borghetti.<\/p>\n<p>O Paran\u00e1 n\u00e3o foi favorecido apenas no n\u00famero de visitas do ministro da Sa\u00fade. Em 2017, o valor dos conv\u00eanios da pasta firmados no Estado mais do que dobrou. Foram R$ 221,6 milh\u00f5es, R$ 6 milh\u00f5es a menos do que o total destinado para S\u00e3o Paulo, o Estado mais populoso do Pa\u00eds. Em Maring\u00e1, base eleitoral de Barros, o valor liberado quase quadruplicou. Saltou de R$ 3,6 milh\u00f5es em 2016 para R$ 12,4 milh\u00f5es em 2017.<\/p>\n<p>A maior concentra\u00e7\u00e3o de repasses a um mesmo Estado, por\u00e9m, ocorreu no Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, comandado por Sarney Filho (PV), filho do ex-presidente e ex-senador Jos\u00e9 Sarney (MDB-AP). Dos R$ 50,5 milh\u00f5es autorizados via conv\u00eanios no ano, R$ 37,4 milh\u00f5es (74%) foram para o Maranh\u00e3o. O valor \u00e9 bem superior ao total repassado ao Estado durante todo o governo Dilma Rousseff: R$ 2,2 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>No Par\u00e1, embora o valor dos conv\u00eanios com cidades do Estado tenha ca\u00eddo no ano passado, o total de R$ 15,2 milh\u00f5es direcionados \u00e0 base eleitoral do ministro da Integra\u00e7\u00e3o Nacional, Helder Barbalho (MDB), \u00e9 mais do que a soma do que munic\u00edpios paraenses receberam da pasta nos oito anos anteriores \u00e0 sua gest\u00e3o (R$ 7,6 milh\u00f5es de 2008 a 2015). O aporte de recursos foi recorde em 2016, quando Helder assumiu &#8211; R$ 38,8 milh\u00f5es, a maior quantia via conv\u00eanios entre os 26 Estados e o Distrito Federal.<\/p>\n<p>Herdeiro pol\u00edtico do pai, o senador Jader Barbalho (MDB-PA), Helder tenta se cacifar como candidato ao governo paraense. Para isso, foi ao Estado para 14 compromissos como ministro, s\u00f3 dois a menos do que a agenda de despachos na capital federal. Quando est\u00e1 em Bras\u00edlia, tem como pr\u00e1tica abrir espa\u00e7o no gabinete para receber at\u00e9 vereadores de pequenos munic\u00edpios do Par\u00e1.<\/p>\n<p><b>P\u00f3s-Olimp\u00edada &#8211;\u00a0<\/b>Mesmo ap\u00f3s a Olimp\u00edada, o Rio continuou a ser privilegiado em repasses do Minist\u00e9rio do Esporte e na agenda do ministro, Leonardo Picciani (MDB-RJ). A pasta liberou R$ 98,2 milh\u00f5es no ano passado em conv\u00eanios que tinham como objetivo, entre outros, a constru\u00e7\u00e3o de campos de futebol, pistas de skate e reformas de quadras poliesportivas em cidades do interior fluminense.<\/p>\n<p>O valor repassado ao Rio no ano passado foi o maior entre todos os Estados e superou em 176% o que havia sido destinado em 2016 (R$ 35,5 milh\u00f5es).<\/p>\n<p>No Minist\u00e9rio da Agricultura, a libera\u00e7\u00e3o de recursos para prefeituras de Mato Grosso, reduto eleitoral do ministro Blairo Maggi (PP), passou de R$ 27,6 milh\u00f5es para R$ 57,6 milh\u00f5es, um incremento de 109%.<\/p>\n<p>No Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Social, os conv\u00eanios com cidades do Rio Grande do Sul cresceram 42% em 2017 e somaram R$ 22,1 milh\u00f5es. O titular da pasta, Osmar Terra (MDB-RS), pretende disputar a reelei\u00e7\u00e3o na C\u00e2mara.<\/p>\n<p>Mesmo em minist\u00e9rios sem verba para distribuir aos Estados, ministros-candidatos d\u00e3o um jeito de privilegiar seus redutos eleitorais. O ministro da Ci\u00eancia, Tecnologia, Inova\u00e7\u00f5es e Comunica\u00e7\u00f5es, Gilberto Kassab (PSD), por exemplo, esteve 18 vezes em cidades paulistas, mais do que em Bras\u00edlia, quase sempre divulgando a prefeitos o programa Internet para Todos, de baixo investimento, mas alta popularidade.<\/p>\n<p>H\u00e1 casos tamb\u00e9m de ministros que cumpriram agenda diferente da divulgada oficialmente. O ministro dos Transportes, Maur\u00edcio Quintella Lessa (PR), passou a maior parte de janeiro &#8220;sem compromissos oficiais&#8221;, conforme sua agenda. Ele, no entanto, concedeu entrevistas, despachou com prefeitos de munic\u00edpios alagoanos e vistoriou, em tr\u00eas sextas-feiras do m\u00eas, obras de rodovias no Estado. Quintella \u00e9 deputado federal licenciado e se articula para disputar o Senado pela primeira vez ou a reelei\u00e7\u00e3o \u00e0 C\u00e2mara.<\/p>\n<p>O chanceler Aloysio Nunes (PSDB), por sua vez, tem uma agenda p\u00fablica voltada para a pol\u00edtica externa brasileira, mas aproveita para tentar conciliar com os interesses de seu mandato de senador por S\u00e3o Paulo, do qual se licenciou. Ele vai se candidatar \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o. Quando poss\u00edvel, o ministro despacha do escrit\u00f3rio de representa\u00e7\u00e3o do Itamaraty na capital paulista.<\/p>\n<p>\u00c0 exce\u00e7\u00e3o das agendas de trabalho, os ministros tamb\u00e9m passaram a intensificar os fins de semana de folga fora de Bras\u00edlia, em articula\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. Em Pernambuco, uma frente governista de oposi\u00e7\u00e3o ao governo Paulo C\u00e2mara, do PSB, tem reunido os ministros de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho (PSB), e da Educa\u00e7\u00e3o, Mendon\u00e7a Filho (DEM). Mendon\u00e7a visitou cidades de Pernambuco em agenda oficial nove vezes nos \u00faltimos dois meses.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A dois meses de deixarem os cargos para disputar as elei\u00e7\u00f5es, os ministros-candidatos do governo Michel Temer aumentaram a libera\u00e7\u00e3o de recursos para seus Estados de origem e privilegiaram suas bases eleitorais nas agendas oficiais. 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