{"id":168962,"date":"2018-02-06T14:57:35","date_gmt":"2018-02-06T16:57:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=168962"},"modified":"2018-02-06T16:53:03","modified_gmt":"2018-02-06T18:53:03","slug":"samba-suor-e-bolso-vazio-o-desafio-dos-cariocas-para-por-o-bloco-na-rua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/samba-suor-e-bolso-vazio-o-desafio-dos-cariocas-para-por-o-bloco-na-rua\/","title":{"rendered":"Suor e bolso vazio, o desafio para colocar o bloco na rua"},"content":{"rendered":"<p>Eles arrastam multid\u00f5es pelas ruas do Rio de Janeiro durante o carnaval, a qualquer hora do dia ou da noite. Mas apesar do sucesso, os 473 blocos oficiais da cidade lutam para conseguir recursos e pagar os custos da divers\u00e3o.<\/p>\n<p>Formados por pessoas comuns, que no restante do ano s\u00e3o advogados, jornalistas, m\u00e9dicos, etc, os blocos simbolizam o lado democr\u00e1tico da festa mais popular da cidade. Antes mesmo dos quatro dias da folia oficial, os componentes, cariocas e turistas, capricham nas fantasias e se unem nesses cortejos musicais onde alegria e irrever\u00eancia s\u00e3o quesitos obrigat\u00f3rios.<\/p>\n<p>A festa nas ruas n\u00e3o tem limite de participantes, nem cobran\u00e7a de ingresso, ao contr\u00e1rio dos desfiles no samb\u00f3dromo, onde o pre\u00e7o da entrada individual varia de R$ 10 a R$ 500.<\/p>\n<p>&#8220;A maioria come\u00e7ou como um encontro de amigos&#8221;, lembra Tiago Rodrigues, da Orquestra Voadora, que estreou em 2009 e hoje atrai 100 mil foli\u00f5es. &#8220;No nosso caso, foram 15 m\u00fasicos amadores que tocavam em v\u00e1rios cortejos e criaram uma banda.&#8221;<\/p>\n<p>Com o sucesso dos ensaios de rua, vieram os shows. &#8220;Em 2013, passamos a formar alunos para tocar com a gente, e a partir da\u00ed crescemos absurdamente&#8221;, conta Tiago.<\/p>\n<p>Outro grande bloco que come\u00e7ou despretensioso foi o Quizomba, criado em 2001 por cinco amigos que tocavam no carnaval e decidiram abrir uma oficina de percuss\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;A ideia era fazer um bloco com os nossos ritmos. Tamb\u00e9m foi uma forma de ajudar financeiramente os componentes&#8221;, lembra o diretor-geral, Andr\u00e9 Schmidt. &#8220;J\u00e1 passaram por aqui cerca de 2 mil alunos&#8221;, calcula.<\/p>\n<p>&#8220;A partir do surgimento de alguns blocos com novas propostas musicais e suas oficinas, h\u00e1 cerca de 15 anos, houve uma explos\u00e3o do carnaval de rua carioca&#8221;, explica o produtor cultural Rodrigo Rezende.<\/p>\n<p>O aumento do p\u00fablico gerou mais despesas para os organizadores, que recorrem a alternativas como o crowdfunding, financiamento coletivo pela internet que se tornou uma pr\u00e1tica comum. O objetivo \u00e9 conseguir ajuda do p\u00fablico para cobrir parte das despesas, como a estrutura de som e seguran\u00e7as para os m\u00fasicos.<\/p>\n<p>Mas a principal forma de financiamento dos blocos vem de shows durante o ano, da mensalidade das oficinas de percuss\u00e3o e do patroc\u00ednio de empresas privadas. &#8220;Todos s\u00e3o volunt\u00e1rios, dividimos as fun\u00e7\u00f5es&#8221;, ressalta Tiago, da Voadora, cujo desfile tem um custo estimado em R$ 70 mil. &#8220;Ano passado conseguimos, pela primeira vez, n\u00e3o tirar dinheiro do bolso.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Dificuldade de capta\u00e7\u00e3o &#8211;\u00a0<\/strong>A Orquestra Voadora \u00e9 um dos oito blocos que integram a Liga dos Amigos do Z\u00e9 Pereira, e recebe um patroc\u00ednio privado que cobre metade dos custos. &#8220;A liga tem a expertise de usar a Lei de Incentivo do estado, o que facilita a negocia\u00e7\u00e3o&#8221;, explica o presidente, Rodrigo Rezende.<\/p>\n<p>&#8220;O Rio tem um formato de carnaval que dificulta a nossa capta\u00e7\u00e3o, porque a prefeitura &#8216;vende&#8217; as ruas para gerar recursos&#8221;, explica.<\/p>\n<p>&#8220;A empresa que compra esse espa\u00e7o prepondera, a\u00ed fica dif\u00edcil outra marca querer entrar. Ent\u00e3o os blocos praticamente s\u00f3 t\u00eam essa fonte de capta\u00e7\u00e3o privada, esse mesmo patrocinador oficial&#8221;, critica.<\/p>\n<p>Durante a passagem dos blocos, at\u00e9 mesmo os ambulantes s\u00f3 s\u00e3o autorizados a vender produtos desta empresa patrocinadora.<\/p>\n<p>Mas a ajuda para cobrir os gastos n\u00e3o se aplica \u00e0 maioria. &#8220;O p\u00fablico n\u00e3o tem no\u00e7\u00e3o de quem financia o carnaval. Quem bota a festa na rua somos n\u00f3s&#8221;, ressalta Thais Bezerra, maestrina e fundadora do Multibloco.<\/p>\n<p>&#8220;Voc\u00ea consegue alguns apoios, mas pagar os custos de produ\u00e7\u00e3o \u00e9 muito dif\u00edcil&#8221;, confirma o produtor da oficina de percuss\u00e3o do Terreirada Cearense, Igor Conde. O bloco come\u00e7ou em 2011 e hoje atrai 12 mil foli\u00f5es.<\/p>\n<p>Igor conta que pediu empr\u00e9stimo para pagar o preju\u00edzo de R$ 13 mil do ano passado. &#8220;Vale a pena, porque temos que pensar em todo o investimento em branding para n\u00f3s, al\u00e9m de ser um trabalho de valoriza\u00e7\u00e3o da cultura popular, do apoio m\u00fatuo.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Muitos organizadores trabalham o ano inteiro de gra\u00e7a&#8221;, assinala Cris Couri, presidente do coletivo Coreto, que re\u00fane mais de 20 blocos. &#8220;Alguns deles dividem o palco, reduzindo os custos de estrutura, al\u00e9m de fazerem pacotes conjuntos de compra de camisetas e tatuagens, o que acaba sendo um financiamento indireto&#8221;, explica.<\/p>\n<p><strong>Festa bilion\u00e1ria &#8211;\u00a0<\/strong>Segundo a Riotur, 6,5 milh\u00f5es de foli\u00f5es devem brincar o carnaval na cidade em 2018, entre eles 1,5 milh\u00e3o de turistas, que dever\u00e3o movimentar R$ 3,5 bilh\u00f5es. Os servi\u00e7os pagos pela prefeitura, como banheiros, guarda e limpeza, totalizam R$ 16 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 invi\u00e1vel distribuir aos blocos a quantia de que precisam. Al\u00e9m disso, a prefeitura n\u00e3o pode, por lei, passar dinheiro diretamente aos organizadores&#8221;, explica o diretor de comunica\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o, Rodrigo Paiva.<\/p>\n<p>Este ano, a prefeitura conseguiu pela primeira vez um aporte de R$ 2 milh\u00f5es para os cortejos junto aos patrocinadores oficiais, que far\u00e3o a divis\u00e3o do dinheiro.<\/p>\n<p>O maior bloco da cidade, Cord\u00e3o da Bola Preta, leva 1,5 milh\u00e3o de foli\u00f5es ao centro, ao custo de R$ 250 mil. Fundado h\u00e1 100 anos por um grupo de bo\u00eamios, tamb\u00e9m enfrenta dificuldades. &#8220;Temos apoio log\u00edstico da prefeitura e do governo, mas financeiro, n\u00e3o&#8221;, diz seu presidente, Pedro Ernesto Marinho.<\/p>\n<p>A tradi\u00e7\u00e3o garante patroc\u00ednio ao veterano dos blocos. &#8220;Antigamente, o Bola tinha um quadro social grande, que pagava mensalidade, e n\u00e3o havia gastos como o de cinco trios el\u00e9tricos e mais de 100 seguran\u00e7as&#8221;, conta Pedro Ernesto.<\/p>\n<p>&#8220;Fazemos eventos que nos possibilitam manter a sede e pagar os funcion\u00e1rios, mas n\u00e3o sobra dinheiro para financiar o carnaval. Sem patroc\u00ednio, ficamos de p\u00e9s e m\u00e3os atados&#8221;, afirma.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eles arrastam multid\u00f5es pelas ruas do Rio de Janeiro durante o carnaval, a qualquer hora do dia ou da noite. 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