{"id":169249,"date":"2018-02-08T08:09:58","date_gmt":"2018-02-08T10:09:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=169249"},"modified":"2018-02-08T08:09:58","modified_gmt":"2018-02-08T10:09:58","slug":"federais-apontam-negociata-na-venda-da-refinaria-triunfo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/federais-apontam-negociata-na-venda-da-refinaria-triunfo\/","title":{"rendered":"Federais apontam negociata na venda da refinaria Triunfo"},"content":{"rendered":"<p>Um laudo preparado pela Pol\u00edcia Federal, no Paran\u00e1, levanta suspeita sobre o valor de venda da Petroqu\u00edmica Triunfo, da Petrobr\u00e1s, para a Braskem, do grupo Odebrecht, em 2009. De acordo com o documento, a negocia\u00e7\u00e3o teria provocado um preju\u00edzo para a estatal entre R$ 144,4 milh\u00f5es e R$ 191,2 milh\u00f5es. O relat\u00f3rio, feito por um perito criminal federal, foi incorporado \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o que corre em segredo de Justi\u00e7a e est\u00e1 no \u00e2mbito da Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato.<\/p>\n<p>Segundo fontes, o inqu\u00e9rito come\u00e7ou em 2014, com den\u00fancias dos ex-s\u00f3cios da Petrobr\u00e1s na Triunfo. A estatal detinha na companhia, localizada no Rio Grande do Sul, uma fatia de 84,4%, por meio da sua subsidi\u00e1ria Petroquisa. O restante pertencia \u00e0 Petroplastic, companhia da fam\u00edlia Gorentzvaig.<\/p>\n<p>Em 2008, antes do neg\u00f3cio com a Braskem, a Petrobr\u00e1s tinha recebido uma oferta da Petroplastic para comprar a Triunfo por R$ 355 milh\u00f5es. Mas a venda n\u00e3o foi fechada porque a estatal justificou que a s\u00f3cia teria perdido o prazo para concluir a transa\u00e7\u00e3o. O argumento da fam\u00edlia era que o processo de avalia\u00e7\u00e3o da empresa ainda n\u00e3o tinha sido conclu\u00eddo. O caso foi parar na Justi\u00e7a e, logo em seguida, a estatal iniciou conversas com a Braskem, de quem tamb\u00e9m era s\u00f3cia, para fazer a incorpora\u00e7\u00e3o da Triunfo por cerca de R$ 250 milh\u00f5es, valor bem abaixo da oferta dos Gorentzvaig.<\/p>\n<p>Nessa \u00e9poca, j\u00e1 era p\u00fablica a estrat\u00e9gia de Braskem e Petrobr\u00e1s de assumir relev\u00e2ncia mundial no setor petroqu\u00edmico. Para isso, a estatal repassaria \u00e0 empresa do grupo Odebrecht uma rela\u00e7\u00e3o de ativos na \u00e1rea, que inclu\u00eda, al\u00e9m da Triunfo, a Central Petroqu\u00edmica do Sul (Copesul), a Petroqu\u00edmica Paul\u00ednia, a Ipiranga Qu\u00edmica e a Ipiranga Petroqu\u00edmica.<\/p>\n<p>Com a incorpora\u00e7\u00e3o da Triunfo, a Braskem conseguiu o controle do Polo Petroqu\u00edmico do Sul. Mais tarde, em 2010, tamb\u00e9m passou a controlar o Polo Sudeste, ao incorporar a Quattor, antiga Suzano Petroqu\u00edmica. A compra dessa \u00faltima empresa pela Petrobr\u00e1s, em 2007, tamb\u00e9m est\u00e1 sendo investigada pela Pol\u00edcia Federal. O valor pago, R$ 2,7 bilh\u00f5es, foi considerado alto, por estar muito acima do pre\u00e7o m\u00ednimo, conforme dela\u00e7\u00e3o de Paulo Roberto Costa.<\/p>\n<p>&#8220;Como praxe, seria esperado que o pre\u00e7o de aquisi\u00e7\u00e3o fosse pr\u00f3ximo do m\u00ednimo, afim de atender aos interesses comerciais da Petrobr\u00e1s&#8221;, explicou o ex-diretor, na dela\u00e7\u00e3o. Procurada, a Suzano Holding afirmou em nota que &#8220;toda a transa\u00e7\u00e3o para venda da empresa atendeu a todos os requisitos legais. A avalia\u00e7\u00e3o dos ativos e a defini\u00e7\u00e3o do valor da opera\u00e7\u00e3o foi suportada por an\u00e1lises independentes feitas por bancos de primeira linha&#8221;.<\/p>\n<p><b>Subavalia\u00e7\u00e3o &#8211;<\/b>\u00a0No neg\u00f3cio envolvendo a Triunfo, a diferen\u00e7a entre as propostas levou os peritos da Pol\u00edcia Federal a recalcular o valor da empresa com base em relat\u00f3rios de bancos Foram usadas as an\u00e1lises do UBS Pactual, contratado pela Petrobr\u00e1s para o neg\u00f3cio, e do Bradesco BBI, por parte da Braskem. O laudo incorpora ainda relat\u00f3rio do Santander, de 2007, encomendado pela Petrobr\u00e1s na negocia\u00e7\u00e3o com a Petroplastic, que avaliava em Triunfo em R$ 355 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>O resultado do laudo \u00e9 que houve subvaloriza\u00e7\u00e3o dos ativos da Triunfo. Os peritos dizem que a Petrobr\u00e1s teria negligenciado relat\u00f3rios de avalia\u00e7\u00e3o feito pelo banco que ela pr\u00f3pria contratou em benef\u00edcio do relat\u00f3rio emitido pelo Bradesco BBI, que fez o c\u00e1lculo para o comprador.<\/p>\n<p>&#8220;Os relat\u00f3rios demonstravam um cen\u00e1rio mais desafiador, em grande parte pela imin\u00eancia de uma crise mundial e por aspectos inerentes ao neg\u00f3cio. No entanto, constatou-se que o relat\u00f3rio usado para a tomada de decis\u00e3o (Bradesco BBI) foi feito com excessivo vi\u00e9s de baixa&#8221;, afirmam os peritos, no documento.<\/p>\n<p>Segundo eles, com base num fluxo de caixa reduzido, o Bradesco BBI chegou num valor da empresa de R$ 249 milh\u00f5es enquanto os c\u00e1lculos da per\u00edcia apontam para valores entre R$ 393 milh\u00f5es e R$ 440 milh\u00f5es. Em nota, o Bradesco BBI disse que &#8220;prestou servi\u00e7o de avalia\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica \u00e0 parte interessada na compra&#8221;, no caso a Braskem. Isso significa que o banco n\u00e3o participou de toda a negocia\u00e7\u00e3o, mas s\u00f3 fez os c\u00e1lculos de pre\u00e7o da empresa.<\/p>\n<p><b>Coopera\u00e7\u00e3o &#8211;<\/b>\u00a0A Braskem, por sua vez, explicou que, em raz\u00e3o do acordo de leni\u00eancia, assumiu o compromisso de cooperar com as autoridades. &#8220;Em rela\u00e7\u00e3o especificamente a esse assunto (Triunfo), a empresa j\u00e1 se manifestou no processo de investiga\u00e7\u00e3o, que corre sob segredo de Justi\u00e7a. Com base em avalia\u00e7\u00f5es societ\u00e1rias e econ\u00f4mico-financeiras juntadas ao processo, a Braskem n\u00e3o identificou nenhuma irregularidade.&#8221;<\/p>\n<p>Fontes do setor afirmam que a Braskem contratou relat\u00f3rio do economista Gustavo Franco para comprovar que n\u00e3o houve nenhuma irregularidade na incorpora\u00e7\u00e3o da Triunfo e nos c\u00e1lculos de pre\u00e7os dos ativos.<\/p>\n<p>A Petrobr\u00e1s disse, tamb\u00e9m por meio de nota, que as autoridades p\u00fablicas que conduzem as investiga\u00e7\u00f5es da Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato e o Supremo Tribunal Federal reconhecem que a empresa \u00e9 v\u00edtima de todos os fatos revelados pela opera\u00e7\u00e3o. &#8220;A Petrobr\u00e1s segue colaborando com as autoridades e buscar\u00e1 o ressarcimento de todos os preju\u00edzos causados em fun\u00e7\u00e3o dos atos il\u00edcitos cometidos contra a companhia.&#8221; Ao contr\u00e1rio do passado, hoje a estatal segue o caminho inverso e tenta vender sua participa\u00e7\u00e3o na Braskem.<\/p>\n<p>Em uma guerra jur\u00eddica contra a Petrobr\u00e1s, a fam\u00edlia Gorentzvaig acredita na recupera\u00e7\u00e3o da Triunfo. Auro Gorentzvaig acusa a estatal de &#8220;expropriar&#8221; a petroqu\u00edmica da fam\u00edlia em benef\u00edcio da Braskem. Ele diz que h\u00e1 na Justi\u00e7a a\u00e7\u00e3o movida pelo pai, Boris, que morreu em 2012. &#8220;A a\u00e7\u00e3o nos leva de volta ao mercado; pedimos a retomada de market share.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um laudo preparado pela Pol\u00edcia Federal, no Paran\u00e1, levanta suspeita sobre o valor de venda da Petroqu\u00edmica Triunfo, da Petrobr\u00e1s, para a Braskem, do grupo Odebrecht, em 2009. De acordo com o documento, a negocia\u00e7\u00e3o teria provocado um preju\u00edzo para a estatal entre R$ 144,4 milh\u00f5es e R$ 191,2 milh\u00f5es. 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