{"id":169691,"date":"2018-02-13T05:15:08","date_gmt":"2018-02-13T07:15:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=169691"},"modified":"2018-02-13T14:18:04","modified_gmt":"2018-02-13T16:18:04","slug":"beija-flor-mostra-que-monstro-e-aquele-que-nao-sabe-amar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/beija-flor-mostra-que-monstro-e-aquele-que-nao-sabe-amar\/","title":{"rendered":"Beija-Flor mostra que monstro \u00e9 aquele que n\u00e3o sabe amar"},"content":{"rendered":"<p>Com um tom cr\u00edtico, a Beija-Flor encerrou os desfiles das escolas de samba do Grupo Especial no in\u00edcio desta ter\u00e7a-feira (13). Al\u00e9m empolgar o p\u00fablico nas arquibancadas e frisas do Samb\u00f3dromo, quando as \u00faltimas alas deixavam a passarela a pista foi invadida e uma multid\u00e3o foi atr\u00e1s da azul e branco de Nil\u00f3polis, da Baixada Fluminense.<\/p>\n<p>A Beija-Flor defendeu o enredo Monstro \u00e9 aquele que n\u00e3o sabe amar, os filhos abandonados da p\u00e1tria que os pariu, criado pelo core\u00f3grafo da comiss\u00e3o de frente Marcelo Misailidis, baseado no livro de terror Frankenstein, de autoria de Mary Shelley. \u201cA cr\u00edtica \u00e9 sobre a ambi\u00e7\u00e3o e a gan\u00e2ncia desmedida do ser humano, que levam as pessoas a se perderem de si mesmo. \u00c9 um enredo auto-reflexivo tamb\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 voltado para a quest\u00e3o pol\u00edtica ou da gan\u00e2ncia econ\u00f4mica. \u00c9 tamb\u00e9m auto-reflexivo sobre o processo das corrup\u00e7\u00f5es em geral e at\u00e9 sobre as quest\u00f5es ecol\u00f3gicos que precisam ser pensadas\u201d, disse \u00e0 Ag\u00eancia Brasil.<\/p>\n<p>Na obra, que agora completa 200 anos, um cientista d\u00e1 vida a uma criatura constru\u00edda com partes de pessoas mortas, tornando-se uma figura feia. Depois de rejeitada pelo criador, ela vaga em busca de companhia. E no desfile, a figura foi usada para um dos momentos de cr\u00edtica no carro com o t\u00edtulo de A Intoler\u00e2ncia. Al\u00e9m de trazer a cantora Pabllo Vittar na frente, no meio da alegoria uma cabe\u00e7a enorme de Frankenstein, se desfazia em fatias onde se lia embaixo palavras como racismo, feminic\u00eddio, \u00f3dio, discrimina\u00e7\u00e3o, preconceito e xenofobia.<\/p>\n<p>Em outra parte do desfile, criticando a corrup\u00e7\u00e3o, uma ala fez uma encena\u00e7\u00e3o de um banquete com homens e mulheres. Os homens estavam de terno preto com um pano branco na cabe\u00e7a, lembrando o epis\u00f3dio chamado de Farra dos Guardanapos, que ocorreu em setembro de 2009 e foi exposto ao conhecimento p\u00fablico por meio de fotos. Naquele momento S\u00e9rgio Cabral, ent\u00e3o governador do Rio de Janeiro, e seus assessores participavam de uma comemora\u00e7\u00e3o com empres\u00e1rios brasileiros e franceses.<\/p>\n<p>Na alegoria O Abandono, a Beija-Flor mostrou v\u00e1rias cenas entre simula\u00e7\u00f5es de assaltos e de viol\u00eancia nas escolas em que alunos levam armas para as salas de aula. E no fim mais uma encena\u00e7\u00e3o, os integrantes da ala vestidos com roupas comuns do cotidiano simularam arrast\u00f5es, mortes pela viol\u00eancia e estamparam mensagens como \u201cquero mais emprego\u201d, \u201cchega de bala perdida\u201d e \u201ccuidar das crian\u00e7as \u00e9 cuidar do futuro !!!\u201d<\/p>\n<p><strong>Salgueiro<\/strong><br \/>\nO p\u00fablico tamb\u00e9m respondeu bem \u00e0 passagem do Salgueiro, que homenageou as mulheres guerreiras africanas e em diversas atividades. A comiss\u00e3o de frente da escola emocionou boa parte do p\u00fablico. Os componentes executaram a coreografia do casal H\u00e9lio e Beth Bejani, que est\u00e3o no Salgueiro h\u00e1 12 anos, e arrancou aplausos, principalmente quando representavam o momento do nascimento de uma crian\u00e7a negra, em uma alus\u00e3o \u00e0 fertilidade. Os integrantes sa\u00edam de uma alegoria no formato de uma caba\u00e7a e ap\u00f3s ser dividida em fatias, os componentes apareciam para o p\u00fablico. \u201cAquilo me arrepiou desde a primeira vez que a gente ensaiou. \u00c9 nascimento. \u00c9 vida\u201d, apontou H\u00e9lio.<\/p>\n<p>\u201cTudo que se passava na escola a gente contou na comiss\u00e3o de frente. Emo\u00e7\u00e3o. Foi criada para emocionar e se era para o p\u00fablico gritar, a gente fez\u201d, completou.<\/p>\n<p>Os 15 integrantes precisaram passar por uma prepara\u00e7\u00e3o de maquiagem que come\u00e7ou na tarde de domingo (11). Eles receberam um produto para ficar com toda a pela negra. \u201cFizemos v\u00e1rias misturas para que n\u00e3o sa\u00edssem. A gente fez v\u00e1rios testes e de acordo com isso a gente pesquisou qual seria a melhor maquiagem. Tinha que ser resistente \u00e0 chuva, ao suor. Tinha que ser \u00e0 prova de qualquer coisa\u201d, disse a maquiadora Suzana Caneca, acrescentando que as mulheres tiveram ainda uma prepara\u00e7\u00e3o para esconder o cabelo e parecerem carecas. Cinco dos integrantes estavam vestidos com roupas de orix\u00e1s e outros de guerreiros.<\/p>\n<p>O primeiro carro, o Eden Africano, todo vermelho, levou para a avenida mulheres gr\u00e1vidas. \u201cEu sou uma delas. Estou sem palavras, foi muito lindo. Foi uma experi\u00eancia que vai ficar na minha mem\u00f3ria para sempre. Quando meu filho nascer vou contar para ele. Ele j\u00e1 tem hist\u00f3ria\u201d, disse Pamela Oliveira, de 20 anos, que est\u00e1 com seis meses de gravidez do Anthony.<\/p>\n<p>Para Pamela, a inten\u00e7\u00e3o era mostrar tamb\u00e9m que mulher gr\u00e1vida n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o fr\u00e1gil, como se pode pensar. Lembrou que algumas trabalham at\u00e9 os 9 meses e isso, para ela, significa uma forma de independ\u00eancia e de garantir direitos que s\u00e3o negados \u00e0s mulheres. \u201cEm uma \u00e9poca que a gente est\u00e1 discutindo tanto igualdade entre homem e mulher, acho muito justo esse samba\u201d, disse.<\/p>\n<p><strong>Portela<\/strong><br \/>\nNo enredo De Repente de L\u00e1 Pra C\u00e1 e Dirrepente de C\u00e1 Pra L\u00e1, a Portela, que foi a segunda a se apresentar no Samb\u00f3dromo, levou a \u00e1guia, o seu s\u00edmbolo, j\u00e1 no abre alas. Na frente da escola estavam tamb\u00e9m dois personagens que fazem parte da hist\u00f3ria da escola. O cantor e compositor Monarco e a cantora Tia Surica.<\/p>\n<p>A escola contou a hist\u00f3ria dos imigrantes judeus que tiveram que sair de Portugal por persegui\u00e7\u00e3o religiosa e se instalaram, onde inauguraram no Recife, em Pernambuco, a sinagoga Kahal Zur Israel, a primeira das Am\u00e9ricas. Mas tamb\u00e9m precisaram deixar o local ap\u00f3s a retomada da \u00e1rea por portugueses. Foram para Nova Amsterd\u00e3, que mais tarde se transformou em Nova York. A escola abordou tamb\u00e9m a intoler\u00e2ncia contra a imigra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A carnavalesca Rosa Magalh\u00e3es, como costuma fazer, veio meio escondida em um carro aleg\u00f3rico, sentada em um bote ao lado da alegoria de uma caravela que simbolizava a viagem dos imigrantes. Por estar em uma das alegorias n\u00e3o p\u00f4de ter no\u00e7\u00e3o de como tinha sido o desfile na sua totalidade, mas a recep\u00e7\u00e3o do p\u00fablico ela sentiu que foi boa. \u201cGra\u00e7as a Deus\u201d, indicou ap\u00f3s ser ajudada a sair do bote.<\/p>\n<p>Ao chegar na Pra\u00e7a da Apoteose, no fim da passarela, a Portela foi ovacionada com gritos de campe\u00e3 pelo p\u00fablico das arquibancadas dos setores 6 e 13, que s\u00e3o populares. Se conquistar o t\u00edtulo a escola ser\u00e1 bicampe\u00e3. No ano passado dividiu o campeonato com a Mocidade Independente.<\/p>\n<p><strong>Uni\u00e3o da Ilha<\/strong><br \/>\nO desfile da Uni\u00e3o da Ilha trouxe de volta para o Grupo Especial a alegria contagiante que a caracterizou em carnavais passados. O \u00faltimo carro, intitulado Ilha prepara a mesa do bar, faz a festa, estava com um time dos melhores chefes de cozinha que trabalham no Brasil. O chefe Claude Troisgros se emocionou de ver a culin\u00e1ria brasileira na avenida. \u201cFoi maravilhoso, deu uma alegria representar a culin\u00e1ria brasileira no carnaval do Rio de Janeiro, que \u00e9 o melhor do Brasil. \u00c9 uma honra, estou muito emocionado com isso\u201d.<\/p>\n<p>A chefe K\u00e1tia Barbosa disse que passar na avenida deu o mesmo prazer com que preparam os seus pratos, principalmente os de comida brasileira. \u201cE isso foi bom tamb\u00e9m para divulgar o que se faz no Brasil. \u00c9 isso que a gente precisa valorizar todos os dias, a comida brasileira. As pessoas conhecem mais pratos estrangeiros do que os nossos. O que a gente quer \u00e9 isso, que as pessoas conhe\u00e7am, amem a comida brasileira como a gente ama\u201d, disse.<\/p>\n<p>As alegorias da Uni\u00e3o da Ilha mostraram diversos aspectos da culin\u00e1ria nacional e suas influ\u00eancias, como as que ocorreram com a dos negros e dos ind\u00edgenas. Mas teve ainda o momento das sobremesas. Conforme os carros iam passando, chegavam, com eles, os cheiros. No que mostrava o cacau, claro, o aroma de chocolate ficou no ar. Mas a escola teve um momento especial de muita intera\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico. Foi com a bateria comandada pelo Mestre Ci\u00e7a, que durante o desfile fez v\u00e1rias paradinhas com mudan\u00e7a nos ritmos e separando os naipes dos instrumentos. O p\u00fablico foi ao del\u00edrio em todas as vezes que isso aconteceu.<\/p>\n<p><strong>Unidos da Tijuca<\/strong><br \/>\nOs desfiles da segunda-feira (12) na Marqu\u00eas de Sapuca\u00ed come\u00e7aram com a Unidos da Tijuca, que levou para l\u00e1 um verdadeiro elenco para homenagear o ator, escritor, produtor cultural e at\u00e9 carnavalesco Miguel Falabella.<\/p>\n<p>Ao descer do carro aleg\u00f3rico, a atriz Araci Balabanian estava emocionada ao chegar na Pra\u00e7a da Apoteose, no fim da passarela. \u201cAcho que o Miguel merecia toda essa ova\u00e7\u00e3o que eu vi aqui na avenida. Ele merece isso e muito mais. Estou muito emocionada\u201d, disse.<\/p>\n<p>A atriz Cl\u00e1udia Raia, que veio de estaque do carro La Mancha nas teias da Mulher Aranha, uma refer\u00eancia \u00e0s produ\u00e7\u00f5es internacionais que Miguel trouxe para o Brasil, disse que n\u00e3o poderia ficar de fora dessa homenagem. \u201cEu fa\u00e7o parte da vida inteira dele e ele da minha. Na vida e na arte \u00e9 meu irm\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Como madrinha da bateria, a atriz Marisa Orth representou a personagem Magda, da parceria com Falabella que fazia o marido Caco Antibes. Marisa desfilou com uma faixa no pesco\u00e7o com a palavra Caco, como a que Luma de Oliveira utilizou durante um desfile com o nome do ent\u00e3o marido Eike Batista. \u201cFoi maravilhoso. Foi bacana o desfile\u201d, disse Marisa, voltando com uma pergunta: Eu que pergunto, foi legal?<\/p>\n<p>O homenageado chorou no fim do desfile ao ver as arquibancadas populares nos setores 6 e 13 aplaudindo efusivamente. Depois, conversando com jornalistas, chorou de novo ao lembrar do pai que era um foli\u00e3o e com quem costumava aproveitar o carnaval. \u201cMeu pai adorava carnaval e acho que ele ficaria t\u00e3o feliz se ele pudesse ter visto isso hoje. Eu cresci com carnaval e desfilei a minha vida inteira. Eu conhe\u00e7o a comunidade do samba. Estou em casa\u201d, revelou, emocionado.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de Marisa, Araci e Cl\u00e1udia, desfilaram na Unidos da Tijuca as atrizes Arlete Salles, Ci\u00e7a Guimar\u00e3es, Zez\u00e9 Polessa, Zezeh Barbosa e Alessandra Maestrini e o ator Marcelo Picci. Miguel afirmou que o fato de ter tantos artistas amigos com ele naquele momento s\u00f3 se explica pela troca de experi\u00eancias que tem com eles.<\/p>\n<p>Para Marcus Paulo, um dos carnavalescos da comiss\u00e3o de carnaval da escola, disse que estava com a sensa\u00e7\u00e3o de dever cumprido. \u201cO p\u00fablico brindou a gente cantando o nosso samba e no final gritando \u00e9 campe\u00e3. A\u00ed a gente viu que deu tudo certo e a gente sai com a sensa\u00e7\u00e3o de dever cumprido. Agora s\u00f3 esperar a nota\u201d<\/p>\n<p><strong>Imperatriz Leopoldinense<\/strong><br \/>\nA verde e branco do bairro de Ramos, na zona da Leopoldina homenageou os 200 anos do Museu Nacional da Quinta da Boa Vista, no bairro de S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o, na zona norte do Rio. A escola n\u00e3o esqueceu de nada. As alegorias mostravam desde a fachada do Museu, a origem e a evolu\u00e7\u00e3o da vida at\u00e9 os espa\u00e7os destinados \u00e0s culturas eg\u00edpcia e africana. Teve ainda um carro que representava o Santu\u00e1rio de Ossos. O setor era destinado a um novo mundo e seus novos habitantes: Vertebrata ET Invertebrata.<\/p>\n<p>Um momento emocionante foi Maria Helena levar na comiss\u00e3o de frente, considerada tradicional, o seu filho Chiquinho. Os dois formaram um dos mais tradicionais casais de mestre-sala e porta-bandeira, mas h\u00e1 12 anos pararam de dan\u00e7ar.<\/p>\n<p>Com o enredo, a escola voltou tamb\u00e9m a uma caracter\u00edstica que durante muito tempo marcou os seus desfiles. Gostava de contar hist\u00f3rias de reis, rainhas, pr\u00edncipes e princesas. Como o Museu foi criado por dom Jo\u00e3o VI, os personagens estavam na avenida. Antes do carnaval o diretor de carnaval da Imperatriz, Wagner Ara\u00fajo disse \u00e0 Ag\u00eancia Brasil que os componentes da escola, a maior parte de comunidades da regi\u00e3o, gosta quando a escola tem este tipo de enredo. E isso se confirmou na avenida. Beliz\u00e1rio da Silva tocou na bateria e atualmente pertence \u00e0 Velha Guarda. \u201cEstou gostando muito. Est\u00e1 \u00f3tima. Nota mil. J\u00e1 saio h\u00e1 50 anos, fui fundador\u201d, disse.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com um tom cr\u00edtico, a Beija-Flor encerrou os desfiles das escolas de samba do Grupo Especial no in\u00edcio desta ter\u00e7a-feira (13). 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