{"id":170999,"date":"2018-02-25T07:31:35","date_gmt":"2018-02-25T10:31:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=170999"},"modified":"2018-02-25T07:31:35","modified_gmt":"2018-02-25T10:31:35","slug":"as-cores-em-expansao-no-trabalho-da-artista-plastica-tassinari","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/as-cores-em-expansao-no-trabalho-da-artista-plastica-tassinari\/","title":{"rendered":"As cores em expans\u00e3o no trabalho da artista pl\u00e1stica Tassinari"},"content":{"rendered":"<p>O s\u00e9culo 21 come\u00e7ou para a pintora paulista Renata Tassinari com uma s\u00e9rie de trabalhos em que a artista usava a moldura de acr\u00edlico de suas obras como elemento da composi\u00e7\u00e3o, o que aproximava essas pe\u00e7as dos &#8216;objetos ativos&#8217; do mineiro Willys de Castro (1928-1988), produzidos entre 1959 e 1962.<\/p>\n<p>Essa afinidade com a arte do neoconcreto brasileiro s\u00f3 cresceu nos \u00faltimos anos, a ponto de se reconhecer nos trabalhos que Renata apelidou de &#8216;beiras&#8217; uma nova reflex\u00e3o sobre a tridimensionalidade do suporte a partir mesmo da rela\u00e7\u00e3o &#8220;positivo-negativo&#8221; que caracterizou o objeto ativo de Willys. As &#8216;beiras&#8217; constituem a principal novidade da exposi\u00e7\u00e3o que a artista abre no dia 1\u00ba de mar\u00e7o, na galeria Lurixs Arte Contempor\u00e2nea do Rio.<\/p>\n<p>S\u00e3o dez as &#8216;beiras&#8217; e cinco os desenhos na mostra, que d\u00e1 sequ\u00eancia \u00e0s pesquisas iniciadas numa exposi\u00e7\u00e3o anterior da pintora na mesma Lurixs, A Pintura na Caixa (2011), com curadoria de Paulo Ven\u00e2ncio Filho. Nela, a artista recorria a molduras acr\u00edlicas e madeiras, explorando a troca entre cor e material, de modo que seu cromatismo antinaturalista se aproximava de outros expoentes do neoconcretismo brasileiro, em especial de Alu\u00edsio Carv\u00e3o (1920-2001) com seu &#8216;cubocor&#8217; (1960) &#8211; um cubo todo vermelho em que cor e forma s\u00e3o mais que sin\u00f4nimos, constituindo um s\u00f3 corpo.<\/p>\n<p>As &#8216;beiras&#8217; representam a evolu\u00e7\u00e3o natural da fragmenta\u00e7\u00e3o da forma na pintura de Renata Tassinari, levando ao paroxismo o &#8220;espa\u00e7o negativo&#8221; dos objetos ativos de Willys, que conduz \u00e0 compuls\u00e3o gest\u00e1ltica de aniquilar o &#8220;vazio&#8221; entre o objeto e a parede a que est\u00e1 preso. S\u00e3o como fitas m\u00e9tricas de madeira que assumem a forma de molduras incompletas para uma pintura que n\u00e3o est\u00e1 em outro lugar al\u00e9m do pr\u00f3prio suporte da &#8216;beira&#8217;.<\/p>\n<p>J\u00e1 os desenhos da exposi\u00e7\u00e3o derivam de uma pesquisa mondrianesca em que v\u00e1rios quadrados s\u00e3o deslocados sobre a superf\u00edcie sem que nada indique uma ordem hier\u00e1rquica na estrutura articulada dessa composi\u00e7\u00e3o. A autonomia da cor \u00e9 respeitada em fun\u00e7\u00e3o do tra\u00e7o, que estabelece os limites da expans\u00e3o crom\u00e1tica, na dire\u00e7\u00e3o das pesquisas de Albers. Na conflu\u00eancia entre a ordem de Mondrian e o campo de cor de Matisse, Renata conduz esses desenhos para o territ\u00f3rio da pintura, enquanto as &#8216;beiras&#8217; s\u00e3o conduzidas para o da escultura.<\/p>\n<p>Nas &#8216;beiras&#8217;, chapas acr\u00edlicas pintadas por tr\u00e1s, elas refletem a luz e alteram de modo significativo a verdadeira natureza da cor. Nos desenhos, ao contr\u00e1rio, a cor n\u00e3o \u00e9 camuflada na transpar\u00eancia da chapa, mas surgem s\u00f3lidas como num bloco crom\u00e1tico de Brice Marden, transmitindo ao espectador uma confort\u00e1vel sensa\u00e7\u00e3o de equil\u00edbrio.<\/p>\n<p>A exemplo de Marden, a paleta policrom\u00e1tica de Renata Tassinari tem o m\u00e9rito de conciliar sentimentos contradit\u00f3rios que nascem justamente desse conflito entre a ordem racional do desenho e a sensualidade da pintura.<\/p>\n<p>Para uma pintora que surgiu no cen\u00e1rio art\u00edstico em plena onda neoexpressionista dos anos 1980 &#8211; e come\u00e7ou figurativa -, passar pelo abstracionismo geom\u00e9trico e buscar algo al\u00e9m do que foi conquistado pelos concretos representou um desafio tamb\u00e9m arquitet\u00f4nico: o de criar uma nova dimens\u00e3o espacial com a cor.<\/p>\n<p>A esse respeito, tamb\u00e9m os pintores da hard-edge norte-americana, nos anos 1950, na tentativa de se opor ao voluntarioso gestual dos expressionistas abstratos, tentaram adotar uma paleta mais impessoal com \u00e1reas de cores intensas como as das obras de Renata Tassinari. A diferen\u00e7a fundamental \u00e9 que, a exemplo da cubana Carmen Herrera, hoje com 102 anos, essa impessoalidade, paradoxalmente, revela uma sensibilidade crom\u00e1tica muito pessoal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O s\u00e9culo 21 come\u00e7ou para a pintora paulista Renata Tassinari com uma s\u00e9rie de trabalhos em que a artista usava a moldura de acr\u00edlico de suas obras como elemento da composi\u00e7\u00e3o, o que aproximava essas pe\u00e7as dos &#8216;objetos ativos&#8217; do mineiro Willys de Castro (1928-1988), produzidos entre 1959 e 1962. 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