{"id":171036,"date":"2018-02-25T10:45:47","date_gmt":"2018-02-25T13:45:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=171036"},"modified":"2018-02-25T13:08:56","modified_gmt":"2018-02-25T16:08:56","slug":"pericia-confirma-propina-da-odebrecht-para-instituto-lula","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/pericia-confirma-propina-da-odebrecht-para-instituto-lula\/","title":{"rendered":"Per\u00edcia confirma propina da Odebrecht para Instituto Lula"},"content":{"rendered":"<p>O laudo de per\u00edcia nos arquivos do Drousys e do MyWebDay, os sistemas de comunica\u00e7\u00e3o e o de contabilidade do setor de propinas, da Odebrecht apresentado pela Pol\u00edcia Federal na sexta-feira, 23, \u00e0 Justi\u00e7a Federal confirma a autenticidade das provas entregues da mega dela\u00e7\u00e3o da empreiteira, no processo em que o ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva \u00e9 acusado de receber R$ 12,2 milh\u00f5es na compra de um terreno que serviria de sede para o Instituto Lula, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>O documento, de 325 p\u00e1ginas, marca uma das etapas finais da segunda a\u00e7\u00e3o penal em que o ex-presidente Lula ser\u00e1 julgado pelo juiz federal S\u00e9rgio Moro por corrup\u00e7\u00e3o e lavagem de dinheiro na Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato.<\/p>\n<p>O laudo 335\/2018, do Setor T\u00e9cnico-Cient\u00edfico da PF do Paran\u00e1, pode encerrar a fase de dilig\u00eancias &#8211; que antecede a senten\u00e7a de Moro &#8211; e, na avalia\u00e7\u00e3o de advogados e investigadores ouvidos em reservado pela reportagem, aprofunda os elementos que indicam o setor de propinas da Odebrecht como origem de parte dos recursos da compra &#8211; depois desfeita &#8211; do terreno da Rua Haberbeck Brand\u00e3o, 178.<\/p>\n<p>O documento afasta ainda a tese que buscava invalidar o material entregue pela Odebrecht e seus delatores no acordo de colabora\u00e7\u00e3o fechado com o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal sob o argumento de que ele havia sido violado, segundo apurou a reportagem.<\/p>\n<p>Lula \u00e9 acusado nesse segundo processo da Lava Jato de Curitiba de corrup\u00e7\u00e3o passiva e lavagem de dinheiro por ter sido supostamente beneficiado no esquema de cartel e corrup\u00e7\u00e3o da Petrobr\u00e1s com o acerto de R$ 12,4 milh\u00f5es em propinas da Odebrecht. A maior parte na compra no terreno e R$ 504 mil na compra do apartamento ocupado por ele vizinho ao seu, no Edif\u00edcio Hill House, em S\u00e3o Bernardo do Campo.<\/p>\n<p>O im\u00f3vel, adquirido em 2010, em nome de Glaucos da Costamarques Bumlai, que tamb\u00e9m atuou na compra do terreno, mas foi substitu\u00eddo pela construtora do amigo de Marcelo Odebrecht DAG Construtora, \u00e9 usado pelo ex-presidente desde 2003, pelo menos. Para Lava Jato, Glaucos, primo do amigo de Lula Jos\u00e9 Carlos Bumlai, \u00e9 &#8220;laranja&#8221; e nunca recebeu aluguel pelo im\u00f3vel.<\/p>\n<p>O laudo pericial entregue \u00e0 Justi\u00e7a confirma que os dados que constam no processo sobre a origem dos R$ 12 milh\u00f5es usados pela DAG para compra do terreno e dos R$ 500 mil usados por Glaucos para adquirir o apartamento tiveram origem na Odebrecht, parte dele no Setor de Opera\u00e7\u00f5es Estruturadas &#8211; a m\u00e1quina de fazer propinas do grupo, que em dez anos movimentou R$ 10 bilh\u00f5es, segundo confessaram os delatores.<\/p>\n<p>A per\u00edcia foi feita nos arquivos fornecidos pela Odebrecht \u00e0 Lava Jato do Drousys e o MyWebDay. Eles s\u00e3o sistemas de inform\u00e1tica distintos, mas relacionados. A den\u00fancia contra Lula explica que o primeiro &#8220;funcionava para alimentar e controlar os dados financeiros relativos \u00e0 contabilidade paralela&#8221; e o segundo para a comunica\u00e7\u00e3o entre o setor de propinas, executivos e doleiros e controladores de contas.<\/p>\n<p>&#8220;O sistema Drousys consistia em m\u00e1quinas virtuais, inicialmente abrigado em data center localizado na Su\u00ed\u00e7a e depois migrado para a Su\u00e9cia, que proporcionava e-mail e bate-papo, o que, como referido, era usado para a finalidade de comunica\u00e7\u00e3o pela equipe do Setor de Opera\u00e7\u00f5es Estruturadas.&#8221;<\/p>\n<p>O laudo feito na fase final do processo confirma que s\u00e3o aut\u00eanticos os documentos entregues na dela\u00e7\u00e3o premiada da Odebrecht e constantes na den\u00fancia do MPF que indicam a origem dos recursos da compra, no setor de propinas, passando pela DAG, at\u00e9 chegar \u00e0 offshore Beluga Holdings LTD, pertencente a Mateus Claudio Gravina Baldassarri, um dos propriet\u00e1rios do im\u00f3vel , por interm\u00e9dio da empresa ASA &#8211; Ag\u00eancia Sul Americana de Publicidade.<\/p>\n<p>Confirmou ainda a autenticidade do repasse de R$ 1,034 milh\u00e3o, via DAG Construtora, a Glaucos da Costamarques e ao escrit\u00f3rio Teixeira, Martins Advogados, do compadre de Lula Roberto Teixeira, r\u00e9u tamb\u00e9m no processo que atuou na negocia\u00e7\u00e3o, acusado de lavagem de dinheiro.<\/p>\n<p>&#8220;O montante de R$ 1.034.000,00 \u00e9 compat\u00edvel com a soma de dois valores repassados pela empresa DAG Construtora para Glaucos da Costamarques (R$ 800.000,00) e Teixeira, Martins Advogados (R$ 234.000,00). Estes valores foram corroborados com a movimenta\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria da DAG Construtora&#8221;, informa o laudo.<\/p>\n<p>A defesa de Lula afirma que a cobertura usada pelo ex-presidente \u00e9 alugada de Glaucos Costamarques. Glaucos, no entanto, disse em depoimento que nunca recebeu aluguel. O Instituto Lula nunca usou o pr\u00e9dio comprado pela Odebrecht em nome da DAG e, em depoimento, Lula afirmou que chegou a visitar o im\u00f3vel, mas considerou a localiza\u00e7\u00e3o inadequada e, por isso, n\u00e3o aceitou.<\/p>\n<p>O documento entregue \u00e0 Justi\u00e7a servir\u00e1 para o juiz federal S\u00e9rgio Moro analisar a acusa\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal contra Lula. J\u00e1 a Odebrecht confirmou em sua dela\u00e7\u00e3o que comprou o terreno por acerto feito com o ex-ministro Antonio Palocci, que era o &#8220;gerente&#8221; da conta que a empresa tinha com o PT e Lula por seus neg\u00f3cios com o governo. Identificado como &#8220;Italiano&#8221;, foi ele quem deu aval para a compra pela empreiteira.<\/p>\n<p>O ex-presidente aparece nas planilhas do setor de propinas como &#8220;Amigo&#8221;, refer\u00eancia \u00e0 sua amizade com o patriarca do grupo, Em\u00edlio Odebrecht.<\/p>\n<p>Foi Moro quem pediu que os peritos avaliassem seu os arquivos continham &#8220;documentos ou lan\u00e7amentos que possam estar relacionados com o objeto&#8221; da a\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n<p>Um dos elementos descobertos na triagem feita nos arquivos entregues pela Odebrecht est\u00e1 a descoberta da origem de R$ 150 mil determinados para serem pagos da \u00faltima parcela de tr\u00eas de R$ 1,057 milh\u00e3o, que sa\u00edram do Setor de Opera\u00e7\u00f5es Estruturadas, que foram repassados para a DAG &#8211; do total de R$ 12 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Um e-mail encontrado nos arquivos foi destacado pelo laudo, h\u00e1 refer\u00eancia a um valor de R$ 150 mil no sistema Drousys. A mensagem \u00e9 de 14 de janeiro de 2011 e foi encaminhada pelo codinome Waterloo (ex-executivo da Odebrecht Fernando Miglicaccio) para Tumaine (a secretaria do setor de propinas Angela Palmeira) e Tulia (secretaria do setor Maria Lucia Tavares), com c\u00f3pia para Vinho (possivelmente, o doleiro Alvaro Novis). Assunto: &#8220;Cr\u00e9dito Paulistinha&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 necess\u00e1rio apontar tr\u00eas detalhes, no referido e-mail, que poderiam indicar que os R$ 150.000,00 seriam parte dos R$ 1.057 920,00&#8221;, informa o laudo.<\/p>\n<p>&#8220;Em primeiro lugar, a proximidade temporal com os demais pagamentos. O segundo ind\u00edcio seria o envolvimento da pessoa de Jo\u00e3o Lovera, o mesmo apontado no manuscrito e diversas vezes citado com papel ativo na negocia\u00e7\u00e3o de um dos im\u00f3veis objeto da A\u00e7\u00e3o Penal e a cita\u00e7\u00e3o a MO (Marcelo Odebrecht). Finalmente, h\u00e1 refer\u00eancia \u00e0 palavra &#8216;TERRENO&#8217;, conforme pode ser atestado no e-mail.&#8221;<\/p>\n<p>Essa descoberta do laudo completa outra per\u00edcia feita pelo setor da PF, que havia descoberto uma f\u00f3rmula matem\u00e1tica no setor de propinas da Odebrecht vinculada \u00e0 &#8220;Planilha Italiano&#8221;, codinome de Palocci, que chegou a ter R$ 200 milh\u00f5es em cr\u00e9ditos de propinas ao PT, segundo Marcelo Odebrecht e Em\u00edlio Odebrecht.<\/p>\n<p><b>Intactos &#8211;\u00a0<\/b>A per\u00edcia foi requisitada ap\u00f3s a defesa questionar sua validade e problemas no material. Moro determinou em 2017 os peritos fizessem uma descri\u00e7\u00e3o geral dos sistemas Drousys e do MyWebDay usados pela Odebrecht e disponibilizados ao MPF. Questionou ainda que fosse analisada a autenticidade dos arquivos eletr\u00f4nicos e buscadas informa\u00e7\u00f5es sobre eventuais altera\u00e7\u00f5es. Os advogados de Lula chegaram a pedir a suspens\u00e3o da per\u00edcia no in\u00edcio do ano, mas o juiz negou e informou que o pedido n\u00e3o &#8216;fazia o menor sentido&#8217;.<\/p>\n<p>A per\u00edcia constatou que o material est\u00e1 intacto do ponto de vista das provas relevantes para o processo. &#8220;Foram identificados 842 arquivos, de um total de 1.912.667 arquivos, correspondendo a 0,043%, que apresentam n\u00e3o conformidades&#8221;, diz a per\u00edcia. As altera\u00e7\u00f5es n\u00e3o atingem dados questionados, no entanto.<\/p>\n<p>O laudo tem 321 p\u00e1ginas e foi feito nos 11 HDs e 2 pen drives entregues pela Odebrecht. Sete peritos criminais federais das \u00e1reas de contabilidade e inform\u00e1tica trabalharam no documento: Rodrigo Lange, Edmar Edilton da Silva, Roberto Brunori Junior, Ronaldo Rosenau da Costa, Aldemar Maia Neto, Ivan Roberto Ferreira Pinto e Ricardo Reveco Hurtado. O material, sob coordena\u00e7\u00e3o do chefe do setor, F\u00e1bio Augusto da Silva Salvador, foi conclu\u00eddo na quinta-feira, 22, e anexado ao processo na sexta-feira, 23.<\/p>\n<p>O juiz Sergio Moro deu prazo de 15 dias para a defesa de Lula e para o MPF analisarem os arquivos periciados.<\/p>\n<p><b>Defesa &#8211; <\/b>Com a palavra, o advogado Cristiano Zanin Martins, que defende Lula: &#8220;A per\u00edcia realizada pela Pol\u00edcia Federal nos autos da A\u00e7\u00e3o Penal n\u00ba 5063130-17.2016.4.04.7000\/PR, n\u00e3o estabeleceu qualquer v\u00ednculo entre contratos da Petrobr\u00e1s com os im\u00f3veis indicados na den\u00fancia e muito menos apontou o pagamento de qualquer vantagem indevida a Lula, como sempre foi afirmado pela defesa do ex-presidente.<\/p>\n<p>Lula jamais solicitou ou recebeu da Odebrecht ou de qualquer outra empresa im\u00f3vel destinado ao Instituto Lula, que funciona no mesmo local desde 1991. Tampouco solicitou ou recebeu a propriedade do apartamento que \u00e9 locado pela fam\u00edlia, mediante o pagamento de alugu\u00e9is.<\/p>\n<p>Lula jamais praticou qualquer ato para favorecer a Odebrecht ou qualquer outra empresa no cargo de Presidente da Rep\u00fablica, tampouco pediu ou solicitou vantagens indevidas.<\/p>\n<p>A mesma per\u00edcia destacou que n\u00e3o conseguiu &#8216;colocar em funcionamento o sistema MyWebDay&#8217; e que a an\u00e1lise foi realizada com base &#8216;fragmentos de relat\u00f3rios financeiros, todos em formato PDF&#8217; entregues pela Odebrecht, que n\u00e3o servem para fazer prova de qualquer fato. Refor\u00e7a esse entendimento os peritos da Pol\u00edcia Federal terem identificado arquivos que foram modificados ap\u00f3s o MPF ter recebido o material da Odebrecht (p\u00e1gina 82 do laudo)&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O laudo de per\u00edcia nos arquivos do Drousys e do MyWebDay, os sistemas de comunica\u00e7\u00e3o e o de contabilidade do setor de propinas, da Odebrecht apresentado pela Pol\u00edcia Federal na sexta-feira, 23, \u00e0 Justi\u00e7a Federal confirma a autenticidade das provas entregues da mega dela\u00e7\u00e3o da empreiteira, no processo em que o ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":171037,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[83],"tags":[],"class_list":["post-171036","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-vota-brasil"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/171036","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=171036"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/171036\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":171040,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/171036\/revisions\/171040"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/171037"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=171036"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=171036"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=171036"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}