{"id":171778,"date":"2018-03-04T08:23:22","date_gmt":"2018-03-04T11:23:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=171778"},"modified":"2018-03-04T08:33:14","modified_gmt":"2018-03-04T11:33:14","slug":"forcas-armadas-nao-desejam-tomar-o-poder-pela-forca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/forcas-armadas-nao-desejam-tomar-o-poder-pela-forca\/","title":{"rendered":"&#8216;For\u00e7as Armadas n\u00e3o desejam tomar o Poder pela for\u00e7a&#8217;"},"content":{"rendered":"<p>As For\u00e7as Armadas n\u00e3o querem poder, analisa a cientista pol\u00edtica Maria Celina D\u2019Ara\u00fajo nesta entrevista. Para a pesquisadora, os militares poder\u00e3o pagar um pre\u00e7o alto por estar \u00e0 frente da seguran\u00e7a do Rio caso a interven\u00e7\u00e3o fracasse. Ela v\u00ea como apenas circunstancial o protagonismo militar no Pa\u00eds, na esteira da a\u00e7\u00e3o no Estado e da nomea\u00e7\u00e3o do primeiro militar para ministro da Defesa em 20 anos.<\/p>\n<p>Maria Celina afirma que Temer d\u00e1 uma &#8220;resposta-espet\u00e1culo&#8221; recorrendo \u00e0s For\u00e7as Armadas, que, para ela, &#8220;t\u00eam a credibilidade que ele n\u00e3o tem&#8221;, diz Celina, que \u00e9 doutora em Ci\u00eancia Pol\u00edtica, professora da PUC-Rio e tem entre seus temas de pesquisa a ditadura brasileira e as rela\u00e7\u00f5es entre civis e militares.<\/p>\n<p>&#8220;Elas est\u00e3o cumprindo uma miss\u00e3o que foi dada pelo poder pol\u00edtico, que \u00e9 parte do sistema de corrup\u00e7\u00e3o. T\u00eam sido desmoralizadas em muitas ocasi\u00f5es: chegam e o bandido j\u00e1 foi, a arma sumiu. N\u00e3o creio que seja um papel que as For\u00e7as Armadas brasileiras queiram para si.&#8221;<\/p>\n<p>Veja trechos da entrevista:<\/p>\n<p><strong>O ministro interino da Defesa, general Joaquim Silva e Luna, afirma que os militares n\u00e3o buscam esse protagonismo, que \u00e9 mera circunst\u00e2ncia.<\/strong><\/p>\n<p>Concordo com ele. O envolvimento das For\u00e7as Armadas com a seguran\u00e7a p\u00fablica no Rio n\u00e3o pode ser permanente, segundo a Constitui\u00e7\u00e3o. Eles t\u00eam que sair. E tem os outros Estados dizendo \u2018eu tamb\u00e9m quero\u2019. Al\u00e9m disso, n\u00e3o creio que haja um projeto pol\u00edtico das For\u00e7as Armadas de retomar as r\u00e9deas do poder.<\/p>\n<p><strong>Ent\u00e3o, o que explica o protagonismo militar no atual governo?<\/strong><\/p>\n<p>O protagonismo se acentuou com a interven\u00e7\u00e3o na seguran\u00e7a. O ministro da Defesa \u00e9 interino, n\u00e3o \u00e9 definitivo, mesmo porque Marinha e Aeron\u00e1utica n\u00e3o aceitam um ministro do Ex\u00e9rcito. Um civil voltar\u00e1. O (ministro-chefe do Gabinete de Seguran\u00e7a Institucional, general S\u00e9rgio) Etchegoyen n\u00e3o \u00e9 novidade. O que tem de novo \u00e9 que a rubrica mudou, n\u00e3o \u00e9 mais GLO (Garantia da Lei e da Ordem), \u00e9 interven\u00e7\u00e3o. E com isso muda tamb\u00e9m a responsabilidade das For\u00e7as Armadas.<\/p>\n<p><strong>A manuten\u00e7\u00e3o de um militar no Minist\u00e9rio da Defesa n\u00e3o seria um passo atr\u00e1s?<\/strong><\/p>\n<p>Seria. Mas, por enquanto, \u00e9 um interino. De qualquer forma, o ministro civil n\u00e3o significa subordina\u00e7\u00e3o das For\u00e7as Armadas ao poder civil. Elas est\u00e3o afastadas de um projeto de tomada do poder, isso \u00e9 verdade, mas elas continuam tendo voz pr\u00f3pria para defender seu sistema de pens\u00f5es, seu or\u00e7amento. N\u00e3o tem um ministro que os conven\u00e7a que eles v\u00e3o entrar nas reformas, por exemplo.<\/p>\n<p><strong>O que pode decorrer de um eventual fracasso da atua\u00e7\u00e3o das For\u00e7as Armadas na seguran\u00e7a no Rio?<\/strong><\/p>\n<p>Se os militares forem desmoralizados, a quem se vai recorrer? Qual vai ser a solu\u00e7\u00e3o? Eles s\u00e3o vistos pela popula\u00e7\u00e3o como o recurso final. Temos uma interven\u00e7\u00e3o com grande probabilidade de fracassar, porque os militares t\u00eam o melhor servi\u00e7o de intelig\u00eancia sobre o tr\u00e1fico, mas isso n\u00e3o significa necessariamente fazer bom uso da informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>O que explica os militares ainda sejam vistos como solu\u00e7\u00e3o no Brasil mesmo ap\u00f3s a ditadura?<\/strong><\/p>\n<p>Para a maioria da popula\u00e7\u00e3o, os militares n\u00e3o est\u00e3o associados com a ditadura. N\u00e3o se considera sequer que tenha sido um momento t\u00e3o importante da hist\u00f3ria. N\u00f3s gostamos de esquecer, de passar a m\u00e3o na cabe\u00e7a. E tamb\u00e9m a escala da viol\u00eancia n\u00e3o atingiu todas as fam\u00edlias. Existe ainda a ideia de que os militares s\u00e3o moralmente superiores, n\u00e3o corrompem e n\u00e3o s\u00e3o corrompidos. A gente v\u00ea grupos pedindo a volta deles, mas s\u00e3o ciclos: \u00e0s vezes acham que tem que ter mais abertura e liberdade, e, nos momentos de explos\u00e3o da viol\u00eancia, que \u00e9 preciso usar mais for\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Militares podem fazer bem o papel de pol\u00edcia?<\/strong><\/p>\n<p>Acho que at\u00e9 podem, se forem treinados para isso. Fala-se muito da militariza\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia, mas o mais importante \u00e9 entender que h\u00e1 uma policializa\u00e7\u00e3o dos militares. O limite entre o que \u00e9 seguran\u00e7a p\u00fablica e o que \u00e9 defesa nacional est\u00e1 ficando cada vez mais dilu\u00eddo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As For\u00e7as Armadas n\u00e3o querem poder, analisa a cientista pol\u00edtica Maria Celina D\u2019Ara\u00fajo nesta entrevista. Para a pesquisadora, os militares poder\u00e3o pagar um pre\u00e7o alto por estar \u00e0 frente da seguran\u00e7a do Rio caso a interven\u00e7\u00e3o fracasse. 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