{"id":171781,"date":"2018-03-04T08:37:45","date_gmt":"2018-03-04T11:37:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=171781"},"modified":"2018-03-04T08:37:45","modified_gmt":"2018-03-04T11:37:45","slug":"ex-militares-ensinam-taticas-de-guerrilha-faccoes-criminosas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/ex-militares-ensinam-taticas-de-guerrilha-faccoes-criminosas\/","title":{"rendered":"Ex-militares ensinam t\u00e1ticas de guerrilha a fac\u00e7\u00f5es criminosas"},"content":{"rendered":"<p>Os servi\u00e7os de intelig\u00eancia das For\u00e7as Armadas e da pol\u00edcia do Rio investigam ex-militares que est\u00e3o treinando integrantes de fac\u00e7\u00f5es criminosas com t\u00e1ticas usadas pelo Ex\u00e9rcito e pela Marinha. O Estado apurou que esses instrutores, principalmente ex-paraquedistas e ex-fuzileiros navais, recebem de R$ 3 mil a R$ 5 mil por hora de aula &#8211; valor que pode chegar a R$ 50 mil em uma boa semana. Eles preparam bandidos no uso de fuzis, pistolas e granadas, para atuar em \u00e1reas urbanas irregulares, como favelas, e a definir rotas de fuga.<\/p>\n<p>H\u00e1 cinco meses, durante opera\u00e7\u00e3o de cerco no Morro da Rocinha, o comportamento dos traficantes fortemente armados chamou a aten\u00e7\u00e3o do setor de intelig\u00eancia. &#8220;Seguia claros padr\u00f5es profissionais, at\u00e9 no gestual de comando&#8221;, relatou um oficial do Ex\u00e9rcito. Em grupos de 8 a 12 homens, os criminosos se deslocavam de forma coordenada, fazendo disparos seletivos e evitando o contato direto, &#8220;exatamente como faria a tropa em um ambiente adverso&#8221;. Entre as li\u00e7\u00f5es ensinadas pelos ex-militares tamb\u00e9m est\u00e3o o emprego da camuflagem e t\u00e9cnicas de enfrentamento<\/p>\n<p>J\u00e1 foram rastreados entre 10 e 12 ex-combatentes, na faixa dos 28 anos. O n\u00famero pode ser maior. O temor de que ex-militares sejam cooptados por fac\u00e7\u00f5es foi explicitado pelo novo ministro da Defesa, o general da reserva Joaquim Silva e Luna, no Rio. Segundo ele, as For\u00e7as Armadas dispensam entre 75 mil e 85 mil reservistas todos os anos. &#8220;Esse pessoal passa pelas For\u00e7as, \u00e9 treinado, adestrado, preparado e, quando sai, \u00e0s vezes volta ao desemprego. E eles podem se tornar vulner\u00e1veis nesse momento, podem ser cooptados.&#8221;<\/p>\n<p>Os militares que passam pelo Batalh\u00e3o de Opera\u00e7\u00f5es Especiais dos Fuzileiros Navais fazem cursos e est\u00e1gios de guerra na selva, na Caatinga, no Pantanal. Aprendem a saltar de paraquedas e a executar tiros de precis\u00e3o, combate pessoal e a\u00e7\u00f5es anf\u00edbias. S\u00e3o oficiais, subtenentes e sargentos. No Comando de Opera\u00e7\u00f5es Especiais do Ex\u00e9rcito, o ciclo mais abrangente prepara por 25 semanas para miss\u00f5es de reconhecimento, contraterrorismo, resgate, evas\u00e3o, sabotagem, guerrilha e contraguerrilha. Por isso s\u00e3o t\u00e3o valorizados pelas fac\u00e7\u00f5es no treinamento de seus &#8220;soldados&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Economia<\/strong> &#8211; Para um analista, ex-oficial da PM fluminense, &#8220;dar adestramento para manusear os armamentos \u00e9 um recurso das fac\u00e7\u00f5es para evitar os disparos a esmo, aumentar o poder de fogo e reduzir a perda de material, afinal, um fuzil AK-47 novo, posto no morro, custa R$ 30 mil&#8221;. A assessoria especializada dos ex-militares tamb\u00e9m orienta aquisi\u00e7\u00f5es dos contrabandistas e evita desperd\u00edcios.<\/p>\n<p>&#8220;At\u00e9 recentemente, os \u2018xerifes\u2019 do tr\u00e1fico compravam tudo o que aparecesse. Em um dep\u00f3sito em Manguinhos foi achado um proj\u00e9til de artilharia de 155 mm. Enorme, impressionante e totalmente in\u00fatil para quem n\u00e3o tem um canh\u00e3o&#8221;, contou o ex-PM. Hoje, a composi\u00e7\u00e3o do arsenal das fac\u00e7\u00f5es \u00e9 mais rigorosa. Abrange fuzis de calibre 7.62mm e 5.56mm, pistolas 9mm, granadas de alto poder letal em pequeno raio (de 5 a 15 metros) e explosivos pl\u00e1sticos.<\/p>\n<p>Os comandos do Ex\u00e9rcito e da Marinha tratam esses casos como assunto policial. &#8220;S\u00e3o criminosos comuns, perderam o v\u00ednculo com as For\u00e7as. Depois de presos, s\u00e3o submetidos \u00e0 Justi\u00e7a comum. \u00c9 isso o que acontece&#8221;, explicou um general. Na avalia\u00e7\u00e3o do oficial, com larga experi\u00eancia na miss\u00e3o de estabiliza\u00e7\u00e3o do Haiti, &#8220;n\u00e3o h\u00e1 gente de ponta entre esses marginais: os melhores quadros ficam na tropa, mesmo depois de cumprido seu termo de trabalho&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Origem<\/strong> &#8211; Esse treinamento por ex-militares foi detectado no Rio pela primeira vez em 2000. Desde ent\u00e3o, houve cinco casos em que os protagonistas foram identificados. Ao menos um morreu em confronto com a PM. Um deles &#8211; o ex-paraquedista Marcelo Soares Medeiros, o Marcelo PQD &#8211; acabou evoluindo na estrutura do crime Passou de instrutor e intermediador na compra de armas a gerente e, depois, controlador de um ponto de distribui\u00e7\u00e3o de drogas no Morro do Dend\u00ea, na Ilha do Governador. Preso desde 2007, cumpre pena em Bangu.<\/p>\n<p>H\u00e1 um ano, foi apontado como o respons\u00e1vel pela constru\u00e7\u00e3o de um t\u00fanel, com ilumina\u00e7\u00e3o, ventila\u00e7\u00e3o e sistema de drenagem, que seria usado em uma fuga. Marcelo PQD (a sigla identifica os paraquedistas) esteve alinhado ao Comando Vermelho (CV), mas, na pris\u00e3o, mudou de fac\u00e7\u00e3o e agora integraria o Primeiro Comando da Capital (PCC), grupo paulista.<\/p>\n<p>Uma das estrat\u00e9gias do PCC \u00e9 qualificar seus membros. Al\u00e9m de ampliar o dom\u00ednio no Pa\u00eds, com n\u00facleos em pres\u00eddios, montou uma rede internacional que abrange Col\u00f4mbia, Venezuela, Bol\u00edvia e Paraguai &#8211; de onde saem as linhas de fornecimento e entrepostagem de drogas e armas. O PCC est\u00e1 armado sobre um sofisticado organograma, equivalente ao adotado por empresas de grande porte.<\/p>\n<p>Segundo o setor de intelig\u00eancia do Minist\u00e9rio da Defesa, na arquitetura administrativa do PCC h\u00e1 tr\u00eas n\u00edveis sob lideran\u00e7a de Marcos Herbas Camacho, o Marcola, encarcerado em regime de seguran\u00e7a m\u00e1xima em Presidente Venceslau, em S\u00e3o Paulo. Uma das divis\u00f5es da organiza\u00e7\u00e3o se dedica a obter equipamentos, criar dep\u00f3sitos seguros para guard\u00e1-los e expandir a infraestrutura. A meta mais ambiciosa seria estabelecer centros de comando e comunica\u00e7\u00f5es fora das zonas de conflito.<\/p>\n<p><strong>Ponto m\u00f3vel<\/strong> &#8211; Os treinamentos desenvolvidos pelos ex-militares s\u00e3o realizados em campos m\u00f3veis para dificultar a localiza\u00e7\u00e3o. De acordo com a intelig\u00eancia da PM haveria centros em seis comunidades da cidade do Rio. S\u00e3o \u00e1reas de mata e vielas de passagem, isoladas pelos traficantes durante um curto per\u00edodo.<\/p>\n<p>Encontrar os pontos de treinamento \u00e9 priorit\u00e1rio para as For\u00e7as Armadas. Uma possibilidade \u00e9 utilizar os Ve\u00edculos A\u00e9reos N\u00e3o Tripulados (Vants) &#8211; os drones da For\u00e7a A\u00e9rea no trabalho. As aeronaves sem piloto Hermes 450, israelenses, do Esquadr\u00e3o H\u00f3rus, s\u00e3o capazes de voar por 20 horas acima dos 5 mil metros de altura, e seus sensores \u00f3ticos podem obter informa\u00e7\u00f5es e imagens de dia e \u00e0 noite.<\/p>\n<p>Os ex-militares s\u00e3o cuidadosos para n\u00e3o deixar rastros. Os instrutores ensinam seus aprendizes a n\u00e3o produzir lixo que possa servir de pista de localiza\u00e7\u00e3o ou sinal de passagem.<\/p>\n<p>Mais que isso, os criminosos s\u00e3o orientados a n\u00e3o ter em m\u00e3os nada que n\u00e3o possa ser abandonado, mesmo os objetos pessoais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os servi\u00e7os de intelig\u00eancia das For\u00e7as Armadas e da pol\u00edcia do Rio investigam ex-militares que est\u00e3o treinando integrantes de fac\u00e7\u00f5es criminosas com t\u00e1ticas usadas pelo Ex\u00e9rcito e pela Marinha. 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