{"id":171880,"date":"2018-03-05T15:42:00","date_gmt":"2018-03-05T18:42:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=171880"},"modified":"2018-03-05T15:42:00","modified_gmt":"2018-03-05T18:42:00","slug":"formacao-de-futuros-craques-da-asas-ao-futebol-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/formacao-de-futuros-craques-da-asas-ao-futebol-brasileiro\/","title":{"rendered":"Forma\u00e7\u00e3o de futuros craques d\u00e1 asas ao futebol brasileiro"},"content":{"rendered":"<p>Luis Phelipe Souza tem 17 anos e h\u00e1 tr\u00eas vive fora de casa. S\u00f3 volta aos finais de semana e, ao chegar, nem sempre h\u00e1 boas not\u00edcias. Isso o motiva a correr mais r\u00e1pido quando volta ao centro de treinamento em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Sabe que as estrelas n\u00e3o t\u00eam come\u00e7os f\u00e1ceis, e a vida j\u00e1 lhe deu algumas boladas.<\/p>\n<p>&#8220;Meu \u00eddolo \u00e9 o Neymar por tudo o que ele passou para chegar onde est\u00e1: tantas cr\u00edticas, insultos. Conseguiu superar tudo e agora \u00e9 um dos melhores do mundo&#8221;, conta este meio-campo da equipe Sub-16 do Red Bull Brasil.<\/p>\n<p>Agora ele luta para ganhar um espa\u00e7o nas categorias de base deste clube, propriedade do gigante austr\u00edaco de energ\u00e9ticos, onde compartilha a vida e os sonhos com outros 120 jovens de 14 a 20 anos em seu moderno CT em Jarinu, a 70 quil\u00f4metros de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>L\u00e1, se esfor\u00e7am com a ambi\u00e7\u00e3o de se tornarem profissionais do futebol moderno, e, para conseguir isso, n\u00e3o vale apenas o talento. Para seguir em frente ter\u00e3o que se sair bem na escola, trabalhar a resist\u00eancia mental e aprender idiomas.<\/p>\n<p>Devem se fortalecer para entrarem em um setor hipercompetitivo, mas \u00e9 isso que querem.<\/p>\n<p>Maior campe\u00e3o do mundo e inventor de uma forma de sentir o futebol, o Brasil continua dominando o mercado mundial. Mais de um d\u00e9cimo de todas as transfer\u00eancia de jogadores em 2017 envolveram atletas do pa\u00eds, seguidos muito distante pelos argentinos.<\/p>\n<p>E quase a metade dos campeonatos do mundo conta com ao menos um jogador procedente da terra de Pel\u00e9 e Ronaldo, segundo o \u00faltimo relat\u00f3rio FIFA-TMS.<\/p>\n<p>&#8220;O grande diferencial do atleta brasileiro ainda \u00e9 a criatividade. Aqui as pessoas t\u00eam uma forma alegre de viver. Os meninos jogam futebol de uma forma mais livre, menos sistematizada&#8221;, afirma o diretor executivo do Red Bull Brasil, Thiago Scuro, enquanto os jovens do Sub-17 disputam um amistoso.<\/p>\n<p>Atra\u00edda pelo potencial deste pa\u00eds de 206 milh\u00f5es de habitantes, a poderosa multinacional aterrissou h\u00e1 10 anos no futebol brasileiro. O objetivo era emular suas bem-sucedidas experi\u00eancias como clube-empresa com o Red Bull Salzburgo, que j\u00e1 conquistou sete campeonatos da \u00c1ustria, ou \u00e0 frente do RB Leipzig, que em apenas sete anos saltou da quinta para a primeira divis\u00e3o alem\u00e3. Outra filial \u00e9 a do New York Red Bulls, da MLS americana.<\/p>\n<p>No Brasil, a aposta n\u00e3o est\u00e1 indo mal e j\u00e1 contam com uma equipe profissional na primeira divis\u00e3o do Campeonato Paulista, mas falta a consolida\u00e7\u00e3o no cen\u00e1rio nacional, para o que precisam de uma base s\u00f3lida.<\/p>\n<p><strong>Oportunidade &#8211;\u00a0<\/strong>Em busca de suas futuras joias, o Red Bull Brasil tem seis olheiros por todo o pa\u00eds e observa v\u00e1rias escolinhas de futebol. Em uma delas chamou sua aten\u00e7\u00e3o Thomas Bueno, um promissor atacante Sub-15 que aterrissou h\u00e1 um ano neste enorme complexo cercado pela exuberante vegeta\u00e7\u00e3o da \u00e1rea.<\/p>\n<p>Sua seriedade enquanto faz o aquecimento debaixo do sol forte da tarde e a determina\u00e7\u00e3o de suas respostas se inspiram em Cristiano Ronaldo, a quem admira, mas muito longe de seus 14 anos.<\/p>\n<p>&#8220;O Red Bull te abre portas para outros clubes como o de Nova York, Alemanha, \u00c1ustria. \u00c9 como uma ponte para fora&#8221;, assegura orgulhoso, recordando sua estreia h\u00e1 um ano em um torneio disputado na sede central.<\/p>\n<p>Tampouco Luis Phelipe esquece sua primeira viagem, que conta rindo como chorou de emo\u00e7\u00e3o ao se ver no avi\u00e3o e como entrou em parafuso na estreia. Meses antes, havia estado a ponto de abandonar o futebol, cansado das dificuldades em seu humilde clube em Santos. At\u00e9 que sua sorte mudou.<\/p>\n<p>&#8220;Essa \u00e9 uma chance para mudar a vida da minha fam\u00edlia. Venho da favela e s\u00f3 Deus sabe o que eu sofri desde os oito anos. Se estou aqui \u00e9 porque j\u00e1 sou um vencedor&#8221;, afirma este menino de olhos vivos, que passa o sal\u00e1rio de forma\u00e7\u00e3o pago pelo clube para sua m\u00e3e doente.<\/p>\n<p><strong>Corrida de fundo &#8211;\u00a0<\/strong>Seu sonho \u00e9 ganhar a vida e melhorar a de sua fam\u00edlia gra\u00e7as ao futebol, mas para alcan\u00e7ar isso ainda ter\u00e1 que passar por muitas peneiras. Come\u00e7ando pelas do pr\u00f3prio Red Bull, que, como muitos clubes formadores, dispensa v\u00e1rios meninos no fim do ano baseando-se em crit\u00e9rios esportivos e de forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>V\u00edtor Hugo Ara\u00fajo conhece bem essa incerteza. Com apenas 20 anos \u00e9 um viajante do futebol que saiu de casa aos 13 para tentar fazer fortuna em v\u00e1rios clubes nacionais. H\u00e1 tr\u00eas anos chegou ao Red Bull e agora briga por uma vaga na equipe profissional ap\u00f3s seis meses na \u00c1ustria.<\/p>\n<p>Deu quase tudo ao futebol, que tamb\u00e9m lhe deu alguns golpes, mas sempre deixou ser chutado de novo. &#8220;Perdi um pouco da minha inf\u00e2ncia pelo futebol, mas perd\u00ea-la para fazer o que voc\u00ea ama \u00e9 um prazer&#8221;, assegura com um sorrido emoldurado por dois brincos brilhantes nas orelhas.<\/p>\n<p>Ele, como todos aqui, quer seguir at\u00e9 que a bola lhe pare.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luis Phelipe Souza tem 17 anos e h\u00e1 tr\u00eas vive fora de casa. S\u00f3 volta aos finais de semana e, ao chegar, nem sempre h\u00e1 boas not\u00edcias. Isso o motiva a correr mais r\u00e1pido quando volta ao centro de treinamento em S\u00e3o Paulo. 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