{"id":172430,"date":"2018-03-11T10:28:20","date_gmt":"2018-03-11T13:28:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=172430"},"modified":"2018-03-11T10:28:20","modified_gmt":"2018-03-11T13:28:20","slug":"ocupar-as-ruas-pode-no-fim-virar-tiro-no-pe-dos-militares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/ocupar-as-ruas-pode-no-fim-virar-tiro-no-pe-dos-militares\/","title":{"rendered":"Ocupar as ruas pode, no fim, virar tiro no p\u00e9 dos militares"},"content":{"rendered":"<p>Em pouco mais de dez meses, o interventor federal na seguran\u00e7a do Rio, general Walter Braga Netto, poder\u00e1 &#8220;estancar o descontrole&#8221; no setor e lan\u00e7ar bases para uma reestrutura\u00e7\u00e3o mais significativa a m\u00e9dio e longo prazo, dizem especialistas ouvidos pelo Estado. Mas a opini\u00e3o n\u00e3o \u00e9 un\u00e2nime. H\u00e1 quem acredite que a decis\u00e3o de intervir no Rio n\u00e3o ser\u00e1 eficaz em nenhum aspecto nem deixar\u00e1 legado.<\/p>\n<p>Na lista do que especialistas acreditam ser exequ\u00edvel at\u00e9 o fim do ano, quando a interven\u00e7\u00e3o chegar\u00e1 ao fim, est\u00e1 recuperar a capacidade operacional das pol\u00edcias, com manuten\u00e7\u00e3o de viaturas e armas. Outras tarefas poss\u00edveis s\u00e3o melhorar a gest\u00e3o das corpora\u00e7\u00f5es, para reduzir a influ\u00eancia pol\u00edtica; e estruturar um plano de seguran\u00e7a que possa ser abra\u00e7ado pelo futuro governador<\/p>\n<p>Ex-secret\u00e1rio de Seguran\u00e7a do Distrito Federal e professor da Universidade de Bras\u00edlia (UnB), Arthur Trindade diz que, em termos de implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas, dez meses \u00e9 pouco tempo. \u00c9 poss\u00edvel, por\u00e9m, caminhar para resolver problemas emergenciais.<\/p>\n<p>&#8220;A curto prazo, h\u00e1 de se recuperar o poder operacional das pol\u00edcias, coisa que o general est\u00e1 fazendo. A PM tem metade das suas viaturas encostadas. A interven\u00e7\u00e3o poder\u00e1 permitir que se use recursos federais para colocar essa frota para rodar novamente, al\u00e9m de retomar contratos de manuten\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo Trindade, apesar das tentativas anteriores de usar dinheiro federal para esse tipo de custeio, a legisla\u00e7\u00e3o barrava Isso acabou alterado com o novo decreto de interven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na reserva da PM fluminense e presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Oficiais, o coronel Carlos Fernando Ferreira Belo pede foco para os problemas estruturais da corpora\u00e7\u00e3o. &#8220;O efetivo est\u00e1 bastante defasado e necessitado de armamento, muni\u00e7\u00e3o e colete bal\u00edstico &#8221; Belo cita ainda a necessidade de se pagar o 13.\u00ba sal\u00e1rio da tropa, que est\u00e1 pendente. &#8220;Ainda que tenha vindo de forma tardia, esperamos e confiamos que a interven\u00e7\u00e3o ter\u00e1 o pensamento positivo voltado para atender a essas demandas.&#8221;<\/p>\n<p>Outro que demonstra entusiasmo com a possibilidade de mudan\u00e7a \u00e9 o fundador da ONG Viva Rio, Rubem C\u00e9sar Fernandes. Para ele, o m\u00e9rito da iniciativa \u00e9 &#8220;reverter a tend\u00eancia negativa&#8221;. &#8220;A interven\u00e7\u00e3o tem o potencial de ser catalisadora de recursos, for\u00e7as e opini\u00f5es positivas. Mas ela s\u00f3 ser\u00e1 bem sucedida se conseguir criar um ambiente que levante nossos olhos mais para frente, pensando tamb\u00e9m nos pr\u00f3ximos cinco e dez anos.&#8221;<\/p>\n<p>Para Fernandes, \u00e9 fundamental que at\u00e9 dezembro as autoridades das For\u00e7as Armadas abram caminho para uma pol\u00edtica de seguran\u00e7a &#8220;distante de um ambiente de descontrole.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 muito importante que a interven\u00e7\u00e3o passe a no\u00e7\u00e3o de que \u00e9 poss\u00edvel fazer seguran\u00e7a respeitando os direitos coletivos e individuais das pessoas. Est\u00e1vamos na regra do descalabro, com viol\u00eancia para todo lado.&#8221;<\/p>\n<p>Para Trindade, no entanto, n\u00e3o basta que a gest\u00e3o atue focada no &#8220;planejamento operacional de emprego de policiamento&#8221;, ou seja, se preocupe apenas com a regi\u00e3o em que os policiais v\u00e3o atuar e o tipo de opera\u00e7\u00f5es v\u00e3o desempenhar.<\/p>\n<p>O professor destaca a import\u00e2ncia de haver um plano de atua\u00e7\u00e3o mais amplo, com defini\u00e7\u00e3o de responsabilidades de cada ente da \u00e1rea. &#8220;O interventor poderia puxar para si essa responsabilidade, constituindo um grupo de trabalho suprapartid\u00e1rio e elaborar um plano&#8221;, diz. &#8220;No Rio, j\u00e1 se tentou de tudo: acordos t\u00e1citos com o crime organizado, UPP (Unidade de Pol\u00edcia Pacificadora), opera\u00e7\u00f5es, Ex\u00e9rcito. Mas n\u00e3o se tentou um plano que n\u00e3o seja um Power Point.&#8221;<\/p>\n<p>Renato S\u00e9rgio de Lima, diretor-presidente do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, entidade que re\u00fane pesquisadores da \u00e1rea e policiais, diz que o primeiro feito \u00e9 afetar positivamente a sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a. Para ser eficaz, al\u00e9m de colocar viaturas nas ruas, diz, os interventores dever\u00e3o definir regras claras de gest\u00e3o para as duas pol\u00edcias, &#8220;terminando com as indica\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e o desvio de efetivo para tribunais&#8221;. &#8220;Se isso for feito, com a defini\u00e7\u00e3o de indicadores de desempenho e regras claras para concurso interno, mudaria a forma como a seguran\u00e7a p\u00fablica \u00e9 feita no Estado&#8221;, diz ele. Lima acredita que o interventor Braga Netto tem a for\u00e7a necess\u00e1ria para dizer &#8220;n\u00e3o&#8221; a pol\u00edticos. Mas, de acordo com ele, isso n\u00e3o basta. O especialista destaca a necessidade de definir crit\u00e9rios de escolha dos comandantes.<\/p>\n<p><strong>Discord\u00e2ncia<\/strong> &#8211; Nem todos acreditam em melhorias. O pesquisador do Laborat\u00f3rio de An\u00e1lise da Viol\u00eancia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) Jo\u00e3o Trajano Sento-S\u00e9 classifica a interven\u00e7\u00e3o como &#8220;um desastre&#8221;. &#8220;A\u00e7\u00f5es como essas consomem muitos recursos sem promover nenhum impacto na seguran\u00e7a do Estado. A curto prazo, talvez haja melhoria na sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a, mas isso \u00e9 curto e por si s\u00f3 n\u00e3o justifica a medida. Do ponto de vista das popula\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis, a interven\u00e7\u00e3o \u00e9 desastrosa.&#8221;<\/p>\n<p>Para ele, em dez meses d\u00e1 para lan\u00e7ar eventuais bases de um programa de coopera\u00e7\u00e3o entre as pol\u00edcias federais e estaduais. &#8220;Isso nunca foi tentado, sempre foi negligenciado. Somos ref\u00e9ns da repeti\u00e7\u00e3o do mesmo.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em pouco mais de dez meses, o interventor federal na seguran\u00e7a do Rio, general Walter Braga Netto, poder\u00e1 &#8220;estancar o descontrole&#8221; no setor e lan\u00e7ar bases para uma reestrutura\u00e7\u00e3o mais significativa a m\u00e9dio e longo prazo, dizem especialistas ouvidos pelo Estado. Mas a opini\u00e3o n\u00e3o \u00e9 un\u00e2nime. 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