{"id":172435,"date":"2018-03-11T10:37:22","date_gmt":"2018-03-11T13:37:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=172435"},"modified":"2018-03-11T10:37:22","modified_gmt":"2018-03-11T13:37:22","slug":"degradacao-ameaca-memoria-da-triste-guerra-do-paraguai","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/degradacao-ameaca-memoria-da-triste-guerra-do-paraguai\/","title":{"rendered":"Degrada\u00e7\u00e3o amea\u00e7a mem\u00f3ria da triste Guerra do Paraguai"},"content":{"rendered":"<p>Pr\u00e9dios e constru\u00e7\u00f5es que serviram de apoio \u00e0s tropas brasileiras na Guerra do Paraguai, que terminou h\u00e1 148 anos, correm o risco de desabar por falta de conserva\u00e7\u00e3o, no interior paulista. O pr\u00e9dio que abrigou o comando de tropas nacionais durante o enfrentamento ao ditador paraguaio Solano Lopez, est\u00e1 em ru\u00ednas, em Itapura, extremo oeste paulista. Em Iper\u00f3, regi\u00e3o de Sorocaba, instala\u00e7\u00f5es da Real F\u00e1brica de Ferro de S\u00e3o Jo\u00e3o de Ipanema, que produziu armas e muni\u00e7\u00e3o para as tropas em combate no cone sul, est\u00e3o escoradas para n\u00e3o ru\u00edrem.<\/p>\n<p>Conhecido como Pal\u00e1cio do Imperador, por ter sido constru\u00eddo a mando de dom Pedro II, o pr\u00e9dio de dois pavimentos, em Itapura, em nada lembra o passado de gl\u00f3rias, como a festa que celebrou a vit\u00f3ria na guerra. O im\u00f3vel tombado pelo patrim\u00f4nio hist\u00f3rico estadual est\u00e1 em ru\u00ednas: tem portas e janelas arrancadas, madeira do forro e estrutura do teto apodrecidas e as paredes pichadas. O pal\u00e1cio foi erguido em 1858 ap\u00f3s o avan\u00e7o das tropas de Solano pelo atual Mato Grosso do Sul.<\/p>\n<p>Preocupado em fortalecer a defesa do Pa\u00eds, o imperador criou uma col\u00f4nia na regi\u00e3o, instalando no pr\u00e9dio, estrategicamente entre os Rios Tiet\u00ea e Paran\u00e1, o comando da base naval. Na \u00e9poca, o sobrado ficou conhecido como Forte de Itapura. Nele, eram planejadas t\u00e1ticas de combate. Alguns historiadores dizem que dom Pedro II se hospedou no local quando inspecionava as tropas brasileiras.<\/p>\n<p>Em 1969, o Conselho de Defesa do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico, Art\u00edstico, Arqueol\u00f3gico e Tur\u00edstico (Condephaat) tombou o pr\u00e9dio e seu entorno, com base em relat\u00f3rio sobre sua &#8220;import\u00e2ncia para a hist\u00f3ria e a cultura do local, da regi\u00e3o e do Pa\u00eds&#8221;.<\/p>\n<p>Moradores se mobilizam pelo restauro, sem sucesso. &#8220;Poderia ser uma ferramenta importante para o turismo da regi\u00e3o, mas est\u00e1 ruindo e ningu\u00e9m se importa&#8221;, diz a dentista aposentada Guiomar Tavares, que frequenta o local desde crian\u00e7a.<\/p>\n<p>A professora Andressa Ferrari desenvolveu, em 2016, com alunos de Direito de uma faculdade em Ilha Solteira, um projeto de mobiliza\u00e7\u00e3o para restaurar o pr\u00e9dio. Os alunos foram ao local, mas n\u00e3o puderam entrar no casar\u00e3o por falta de seguran\u00e7a. Conforme relatos da \u00e9poca, o pr\u00e9dios estava com portas e janelas fechadas de improviso, com madeiras compensadas &#8211; algumas arrancadas. Parte das paredes perdeu o reboco e as escadas estavam podres.<\/p>\n<p>O Pal\u00e1cio do Imperador, remanescente das instala\u00e7\u00f5es da col\u00f4nia militar desativada em 1896, tinha o pavimento superior ocupado pela casa do comandante e, no t\u00e9rreo, pelo setor administrativo. O local abrigou reparti\u00e7\u00f5es municipais, at\u00e9 1989, quando foi desocupado. Desde ent\u00e3o, sucederam-se v\u00e1rios projetos de restauro, mas esbarraram na falta de verba.<\/p>\n<p>&#8220;O pr\u00e9dio est\u00e1 caindo. O problema \u00e9 que n\u00e3o podemos mexer em nada sem autoriza\u00e7\u00e3o do Condephaat&#8221;, afirma o prefeito F\u00e1bio Dourado (PP). Ele diz que a cidade, com 4,7 mil habitantes e or\u00e7amento de R$ 20 milh\u00f5es, n\u00e3o tem como bancar a obra, de cerca de R$ 3 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>O Condephaat disse ter analisado projeto para restauro, em 2014, mas as interven\u00e7\u00f5es ser\u00e3o de responsabilidade do propriet\u00e1rio: a prefeitura de Itapura.<\/p>\n<p><strong>Armas<\/strong> &#8211; Em Iper\u00f3, remanescentes da Real F\u00e1brica de Ferro S\u00e3o Jo\u00e3o de Ipanema, onde foram produzidos sabres, fac\u00f5es e outras armas usadas por soldados brasileiros, tamb\u00e9m est\u00e3o deteriorados. A f\u00e1brica, criada em 1810, foi a primeira sider\u00fargica do Pa\u00eds e produzia ainda arados, pregos e enxadas. Em 1871, a princesa Isabel e seu marido, Conde d&#8217;Eu, foram \u00e0 f\u00e1brica para agradecer aos oper\u00e1rios pela fabrica\u00e7\u00e3o de armas e muni\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O conjunto \u00e9 tombado pelo Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (Iphan). O n\u00facleo hist\u00f3rico, na Floresta Nacional de Ipanema, \u00e9 gerido pelo Instituto Chico Mendes (ICMBio) e aberto a visitas.<\/p>\n<p>A Casa das Armas Brancas, pr\u00e9dio mais imponente do conjunto, est\u00e1 com s\u00e9ria infiltra\u00e7\u00e3o por causa do mau estado da represa que produzia for\u00e7a hidr\u00e1ulica para m\u00e1quinas da \u00e9poca. J\u00e1 a 3.\u00aa Oficina de Refino do ferro foi escorada a pedido do Iphan pelo risco de desabar. A constru\u00e7\u00e3o est\u00e1 interditada para visita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Iphan disse que n\u00e3o h\u00e1 no momento projeto em an\u00e1lise para recuperar o patrim\u00f4nio de Iper\u00f3. Uma parte dos bens hist\u00f3ricos, diz o ICMBio, foi restaurada entre 2006 e 2013, mas n\u00e3o h\u00e1 verba prevista para o resto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pr\u00e9dios e constru\u00e7\u00f5es que serviram de apoio \u00e0s tropas brasileiras na Guerra do Paraguai, que terminou h\u00e1 148 anos, correm o risco de desabar por falta de conserva\u00e7\u00e3o, no interior paulista. 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