{"id":172514,"date":"2018-03-12T08:54:06","date_gmt":"2018-03-12T11:54:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=172514"},"modified":"2018-03-12T08:54:06","modified_gmt":"2018-03-12T11:54:06","slug":"adeus-crise-e-o-brasileiro-volta-com-velhos-habitos-de-consumo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/adeus-crise-e-o-brasileiro-volta-com-velhos-habitos-de-consumo\/","title":{"rendered":"Adeus, crise! E o brasileiro volta com velhos h\u00e1bitos de consumo"},"content":{"rendered":"<p>Aos poucos, as fam\u00edlias brasileiras come\u00e7am a retomar alguns h\u00e1bitos de consumo adquiridos nos tempos de bonan\u00e7a da economia. Depois da longa recess\u00e3o econ\u00f4mica que fez os consumidores cortarem ou substitu\u00edrem produtos no dia a dia, a lista de compras voltou a ser incrementada com mercadorias um pouco mais caras. No lugar da margarina, a manteiga retornou \u00e0 mesa; assim como o \u00f3leo de soja foi substitu\u00eddo pelo azeite de oliva. O requeij\u00e3o, a batata congelada e o p\u00e3o industrializado tamb\u00e9m est\u00e3o de volta ao card\u00e1pio dos consumidores.<\/p>\n<p>Dados da consultoria Kantar Worldpanel mostram que, em 2017, mais de dois milh\u00f5es de lares voltaram a comprar manteiga pelo menos uma vez no ano &#8211; indicador que mostra uma rea\u00e7\u00e3o do mercado de consumo. No auge da crise, o produto estava presente em 32,94% dos lares brasileiros. Com a retomada, a participa\u00e7\u00e3o subiu para 36,80% &#8211; superior \u00e0 registrada antes da recess\u00e3o, em 2014 (34,17%). O mesmo ocorreu com o azeite, que retornou \u00e0 lista de supermercado de 1,4 milh\u00e3o de fam\u00edlias.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c0 medida que a economia melhora, a primeira cesta a dar sinais de recupera\u00e7\u00e3o \u00e9 a de bens de consumo n\u00e3o dur\u00e1veis&#8221;, afirma a diretora de neg\u00f3cios e Marketing da Kantar, Christine Pereira. A retomada \u00e9 explicada por um conjunto de fatores: infla\u00e7\u00e3o baixa, juros no menor patamar hist\u00f3rico, aumento da renda e ligeira rea\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho.<\/p>\n<p>Outro motor do consumo foi a redu\u00e7\u00e3o do endividamento das fam\u00edlias, que chegou a comprometer 22,8% da renda mensal em 2015 De l\u00e1 pra c\u00e1, o indicador seguiu um movimento de queda. Segundo dados do Banco Central, em dezembro do ano passado, j\u00e1 estava em 19,9%.<\/p>\n<p>C\u00e1lculos do economista Maur\u00edcio Molan, do Santander, mostram que o aumento da massa salarial e o recuo do endividamento dos brasileiros devem liberar cerca de R$ 124 bilh\u00f5es para a economia. &#8220;Vemos um crescimento consistente do consumo neste ano, j\u00e1 que o emprego e a renda est\u00e3o voltando. Tudo isso \u00e9 muito poderoso.&#8221;<\/p>\n<p>A expectativa \u00e9 de que o varejo tenha um avan\u00e7o de 4,7% em 2018 &#8211; o que deve ajudar a sustentar as previs\u00f5es de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em torno de 3%. Levantamento da Tend\u00eancias Consultoria Integrada mostra que o aumento do consumo dever\u00e1 ser puxado em especial pelos Estados do Norte e por S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>O economista da consultoria, Adriano Pitoli, afirma que quem sofreu mais durante a crise tem potencial para registrar melhor desempenho agora. Ele lembra que a maior disponibilidade dos bancos para emprestar dinheiro tamb\u00e9m pode ter efeito positivo nesse mercado. Durante a crise, as institui\u00e7\u00f5es financeiras fecharam os cofres para novos empr\u00e9stimos \u00e0s pessoas f\u00edsicas.<\/p>\n<p>&#8220;Mas, vale pontuar que h\u00e1 um longo caminho pela frente para o Pa\u00eds retomar por completo os n\u00edveis pr\u00e9-crise&#8221;, diz Pitoli. Segundo ele, proje\u00e7\u00f5es apontam que apenas em 2021 o Brasil vai voltar ao patamar de consumo de 2013. Essa avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 compartilhada pela diretora da Kantar, Christine Pereira. Ela destaca que, apesar de novos compradores e do avan\u00e7o nas vendas de produtos de maior valor agregado, o desafio \u00e9 aumentar a frequ\u00eancia de compras, ainda limitada.<\/p>\n<p>Outra dificuldade \u00e9 que essa onda de consumo, por ora, n\u00e3o deve ser acompanhada de grandes volumes de investimentos. &#8220;A ociosidade ainda \u00e9 muito grande e vai demorar para ter um gatilho de novos investimentos produtivos&#8221;, diz Pitoli. O economista do Santander, no entanto, tem opini\u00e3o diferente. Segundo ele, apesar do baixo uso da capacidade instalada, h\u00e1 outros investimentos importantes que podem ser feitos agora, como a moderniza\u00e7\u00e3o de parques industriais e a demanda por m\u00e1quinas no agroneg\u00f3cio, que tem efeito multiplicador na economia. &#8220;Os indicadores s\u00e3o bastante positivos, especialmente se levarmos em considera\u00e7\u00e3o que estamos saindo de uma grave recess\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Azeite volta \u00e0 mesa<\/strong> &#8211; A recess\u00e3o pegou a cabeleireira Gilda Barbosa da Silva, de 46 anos, no contrap\u00e9. Com duas obras em andamento e queda nas receitas por causa da movimenta\u00e7\u00e3o menor no sal\u00e3o, ela teve de reduzir despesas do dia a dia. Trocou a marca do sab\u00e3o em p\u00f3 por uma mais barata, substituiu o azeite por \u00f3leo e a picanha por ac\u00e9m. &#8220;Foi um pavor&#8221;, lembra Gilda, que agora come\u00e7a a respirar aliviada com os sinais de recupera\u00e7\u00e3o da economia.<\/p>\n<p>O movimento no sal\u00e3o voltou a crescer; o rendimento do marido, que trabalha com pe\u00e7as automotivas, melhorou; e a filha, que estava desempregada, conseguiu uma recoloca\u00e7\u00e3o. Ela lembra que a mudan\u00e7a come\u00e7ou no \u00faltimo trimestre de 2017 e continua positiva. &#8220;Hoje j\u00e1 voltei a consumir Omo (sab\u00e3o em p\u00f3), azeite e picanha&#8221;, comemora a cabeleireira, que tamb\u00e9m planeja uma viagem para Alagoas com a fam\u00edlia no fim do ano.<\/p>\n<p>Gilda faz parte do grupo de fam\u00edlias que conseguiram emergir da intensa crise econ\u00f4mica brasileira. Um levantamento feito pela consultoria Nielsen mostra que 22,2% dos lares conseguiram superar a recess\u00e3o no ano passado. Para isso, as fam\u00edlias tiveram de promover um forte ajuste no or\u00e7amento dom\u00e9stico. Segundo a pesquisa, os gastos foram reduzidos em 25%.<\/p>\n<p>&#8220;Esta crise foi um pouco mais sofrida do que as anteriores. Estamos falando de uma gera\u00e7\u00e3o que consumiu produtos diferentes em anos passados, mas teve de cortar por causa da recess\u00e3o&#8221;, diz a especialista em consumo da Nielsen, Mariana Morais.<\/p>\n<p>A representante comercial Tatiana Arjona sentiu na pele os reflexos da crise. Parou de comer fora, trocou o caf\u00e9 em c\u00e1psulas pelo caf\u00e9 em p\u00f3, deixou de ir ao sal\u00e3o de beleza para fazer unha em casa e cancelou o plano de TV a cabo. Ela fechou uma empresa e passou a ser representante comercial ao lado do marido, Ivan. Nesse processo, a renda do casal caiu 40%.<\/p>\n<p>Mas, de quatro meses para c\u00e1, a situa\u00e7\u00e3o voltou a entrar nos trilhos e a renda familiar melhorou. &#8220;Hoje j\u00e1 consigo comprar o xampu de marca que sempre gostei, maquiagens e comer fora de casa&#8221;, diz ela. &#8220;O azeite, que tinha trocado por uma marca inferior, agora j\u00e1 \u00e9 de mais qualidade. A situa\u00e7\u00e3o melhorou bastante.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aos poucos, as fam\u00edlias brasileiras come\u00e7am a retomar alguns h\u00e1bitos de consumo adquiridos nos tempos de bonan\u00e7a da economia. Depois da longa recess\u00e3o econ\u00f4mica que fez os consumidores cortarem ou substitu\u00edrem produtos no dia a dia, a lista de compras voltou a ser incrementada com mercadorias um pouco mais caras. 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