{"id":172517,"date":"2018-03-12T11:42:43","date_gmt":"2018-03-12T14:42:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=172517"},"modified":"2018-03-12T14:29:32","modified_gmt":"2018-03-12T17:29:32","slug":"candidato-que-aposta-so-nas-redes-sociais-morre-na-praia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/candidato-que-aposta-so-nas-redes-sociais-morre-na-praia\/","title":{"rendered":"Candidato que aposta s\u00f3 nas redes sociais morre na praia"},"content":{"rendered":"<p>O diretor de Comunica\u00e7\u00e3o e Marketing da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV), Marcos Fac\u00f3, especializado em marketing digital pela Universidade de Harvard, tem uma m\u00e1 not\u00edcia pra quem enxerga nas redes sociais o caminho para uma vit\u00f3ria eleitoral: &#8220;As ag\u00eancias de marketing e consultorias querem criar um novo mercado e ficam alimentando um mito em torno do poder das redes sociais em uma elei\u00e7\u00e3o. Elas s\u00e3o s\u00f3 mais uma ferramenta. N\u00e3o t\u00eam o poder de eleger ningu\u00e9m.&#8221;<\/p>\n<p>Para ele, o grande problema de quem aposta no poder das redes \u00e9 achar que o eleitor brasileiro \u00e9 aquele que vive nos grandes centros. &#8220;A TV e o r\u00e1dio ainda s\u00e3o os melhores meios de penetra\u00e7\u00e3o nos rinc\u00f5es do Pa\u00eds.&#8221;.<\/p>\n<p>Leia, a seguir, trechos da entrevista<\/p>\n<p><strong>Qual ser\u00e1 o peso das redes sociais nas pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<p>Sou defensor das redes sociais, mas elas n\u00e3o ser\u00e3o as respons\u00e1veis pela vit\u00f3ria de um candidato. A nossa tend\u00eancia \u00e9 imaginar que todo mundo usa Waze, Uber, tem smartphone, 4G&#8230; Mas o Brasil \u00e9 muito grande. Fora da bolha de quem mora em grandes centros ou \u00e9 formador de opini\u00e3o, o alcance dos meios digitais \u00e9 muito menor. As ag\u00eancias de marketing e consultorias querem criar um novo mercado e ficam alimentando um mito em torno do poder das redes sociais em uma elei\u00e7\u00e3o. Elas s\u00e3o s\u00f3 mais uma ferramenta. N\u00e3o t\u00eam o poder de eleger ningu\u00e9m.<\/p>\n<p><strong>Ent\u00e3o, faz sentido os partidos brigarem tanto pelo tempo de TV?<\/strong><\/p>\n<p>Quando a gente fala do poder de influ\u00eancia das redes sociais estamos falando dos eleitores dos centros urbanos, de universit\u00e1rios, de gente esclarecida e que consome not\u00edcias nessas plataformas. Os especialistas ignoram esse recorte e tratam como se todo o Brasil fosse igual. A TV e o r\u00e1dio ainda s\u00e3o os melhores meios de penetra\u00e7\u00e3o nos rinc\u00f5es do Pa\u00eds. A comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 mais palat\u00e1vel e direta. A pessoa que n\u00e3o tem um grau de forma\u00e7\u00e3o adequado tamb\u00e9m tem dificuldade em absorver informa\u00e7\u00f5es escritas. At\u00e9 os chamados memes precisam de um background cultural para serem traduzidos.<\/p>\n<p><strong>A impress\u00e3o \u00e9 que nos meios digitais a elei\u00e7\u00e3o j\u00e1 come\u00e7ou<\/strong><\/p>\n<p>Sim. Por enquanto, a elei\u00e7\u00e3o s\u00f3 come\u00e7ou para uma faixa muito pequena de eleitores. Para os formadores de opini\u00e3o, o jogo j\u00e1 come\u00e7ou. Portanto, a elei\u00e7\u00e3o j\u00e1 \u00e9 pauta nas redes sociais, mas sua penetra\u00e7\u00e3o na vida real das pessoas \u00e9 limitada. A maioria est\u00e1 preocupada, no m\u00e1ximo, com a contus\u00e3o do Neymar e sua participa\u00e7\u00e3o na Copa do Mundo. Para fora da bolha do pol\u00edtico, do jornalista ou do formador de opini\u00e3o, as conversas s\u00e3o outras A elei\u00e7\u00e3o n\u00e3o faz parte do conte\u00fado discutido por outras bolhas \u00c9 quase outra l\u00edngua para ele.<\/p>\n<p><strong>Quem faz pol\u00edtica nas redes sociais est\u00e1 falando pra quem?<\/strong><\/p>\n<p>Se voc\u00ea n\u00e3o prestar aten\u00e7\u00e3o, voc\u00ea s\u00f3 vai falar para quem gosta de voc\u00ea. Para os pol\u00edticos alcan\u00e7arem um retorno real nas redes sociais, eles v\u00e3o precisar de investimento. N\u00e3o existe Hor\u00e1rio Eleitoral Gratuito nas redes sociais. Para falar com quem n\u00e3o \u00e9 convertido, os pol\u00edticos e partidos ter\u00e3o que investir em posts pagos, por exemplo.<\/p>\n<p><strong>Mesmo se o candidato tiver milh\u00f5es de seguidores?<\/strong><\/p>\n<p>Milh\u00f5es de seguidores n\u00e3o quer dizer nada. Os maiores usu\u00e1rios de Twitter, por exemplo, s\u00e3o os jornalistas e pessoas ligadas ao mundo da comunica\u00e7\u00e3o. E ainda tem quem diga que o Brasil usa o Twitter&#8230; Nem o jovem usa tanto como se imagina. Esses posts que se espalham pelo WhatsApp, Facebook e Twitter s\u00e3o resultantes do trabalho de convertidos. Quem acessa esse material j\u00e1 \u00e9 o eleitor desse candidato. O impacto em temos de conquista de voto \u00e9 muito baixo. N\u00e3o acredito no poder de transformar esse engajamento em voto.<\/p>\n<p><strong>O eleitor mais jovem, aquele que quase n\u00e3o assiste TV aberta, n\u00e3o pode ser influenciado por esses meios?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, totalmente. Agora, o profissional de marketing n\u00e3o consegue falar, entrar na mesma conversa, n\u00e3o consegue debater com esse jovem. Eles s\u00e3o mais cr\u00edticos ao status quo e, naturalmente, est\u00e3o nos extremos do debate pol\u00edtico.<\/p>\n<p><strong>Pol\u00edticos sabem usar a rede?<\/strong><\/p>\n<p>Pol\u00edticos n\u00e3o usam bem as redes sociais. O marketing pol\u00edtico atinge uma classe pequena, mas acha que est\u00e1 atingindo todo mundo. \u00c9 dif\u00edcil pautar as redes sociais quando voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 nos extremos. Tudo parte do amor ou do \u00f3dio. Quem est\u00e1 no meio, quem se manifesta num n\u00edvel mais profundo de discuss\u00e3o, pouco participa desse debate. O barulho \u00e9 de quem ama e odeia, quem defende ou ataca. O pol\u00edtico recebe likes e s\u00f3 ouve elogios. Os cr\u00edticos s\u00e3o reduzidos. O marketing pol\u00edtico \u00e9 incipiente no digital. Na TV, \u00e9 mais simples e funciona.<\/p>\n<p><strong>A tecnologia n\u00e3o pode ao menos melhorar a qualidade do voto?<\/strong><\/p>\n<p>Olha, pessoas que n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o esclarecidas tornam dif\u00edcil identificar a raz\u00e3o do voto. Claro, existe o coronelismo, o voto de cabresto, a troca de favores e a venda do voto. A tecnologia n\u00e3o matou o coronelismo. N\u00e3o matou nada disso. E n\u00e3o matou em raz\u00e3o do baixo n\u00edvel educacional da popula\u00e7\u00e3o. As pessoas se vendem porque n\u00e3o t\u00eam dimens\u00e3o do que est\u00e3o fazendo. Existem os &#8220;Brasis&#8221; que a gente esquece. S\u00e3o as defici\u00eancias desses &#8220;Brasis&#8221; que fazem as coisas serem como s\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>As fake news espalhadas pela rede ir\u00e3o inundar a discuss\u00e3o pol\u00edtica nos pr\u00f3ximos meses?<\/strong><\/p>\n<p>Tem o mito da fake news&#8230; Isso sempre existiu. Mas o que \u00e9 fake news? Quando um candidato faz uma promessa que todo mundo sabe que n\u00e3o ser\u00e1 cumprida, isso \u00e9 fake news. At\u00e9 que ponto a plataforma dos candidatos \u00e9 verdadeira? Vai ser dif\u00edcil fazer uma curadoria do que \u00e9 fake ou n\u00e3o. A l\u00f3gica \u00e9: se a fake news me \u00e9 favor\u00e1vel, minha tend\u00eancia \u00e9 replicar; se \u00e9 desfavor\u00e1vel, vou denunciar. N\u00e3o vejo as pessoas querendo excluir as fake news Elas querem excluir as fake news que ser\u00e3o desfavor\u00e1veis. Se voc\u00ea fala mal de mim \u00e9 fake news. \u00c9 o que o Donald Trump faz. Acredito que ser\u00e1 uma campanha t\u00e3o fake (falsa) quanto as fake news.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O diretor de Comunica\u00e7\u00e3o e Marketing da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV), Marcos Fac\u00f3, especializado em marketing digital pela Universidade de Harvard, tem uma m\u00e1 not\u00edcia pra quem enxerga nas redes sociais o caminho para uma vit\u00f3ria eleitoral: &#8220;As ag\u00eancias de marketing e consultorias querem criar um novo mercado e ficam alimentando um mito em torno [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":172518,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[83],"tags":[],"class_list":["post-172517","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-vota-brasil"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/172517","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=172517"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/172517\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":172520,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/172517\/revisions\/172520"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/172518"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=172517"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=172517"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=172517"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}