{"id":172806,"date":"2018-03-15T00:26:35","date_gmt":"2018-03-15T03:26:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=172806"},"modified":"2018-03-15T00:31:37","modified_gmt":"2018-03-15T03:31:37","slug":"vereadora-contraria-a-intervencao-e-executada-dentro-do-carro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/vereadora-contraria-a-intervencao-e-executada-dentro-do-carro\/","title":{"rendered":"Vereadora contr\u00e1ria a interven\u00e7\u00e3o \u00e9 executada dentro do carro"},"content":{"rendered":"<p>O assassinato da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL), na noite desta quarta-feira, 14, pode estar ligado \u00e0 sua milit\u00e2ncia pol\u00edtica. Nascida no Complexo da Mar\u00e9, conjunto de favelas da zona norte do Rio, Marielle, de 38 anos, tinha sua atua\u00e7\u00e3o pautada pela defesa de negros e pobres e denunciava a viol\u00eancia contra essa popula\u00e7\u00e3o. O crime, que vitimou tamb\u00e9m o motorista que a levava, mobilizou o governo federal: o ministro da Seguran\u00e7a P\u00fablica, Raul Jungmann, telefonou para o interventor federal no Rio, general Walter Braga Netto, e colocou a Pol\u00edcia Federal \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para auxiliar na investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 oito dias, Marielle, que acompanhava na condi\u00e7\u00e3o de vereadora a interven\u00e7\u00e3o federal, como forma de coibir abusos das For\u00e7as Armadas e da pol\u00edcia a moradores de comunidades, recebeu den\u00fancias envolvendo PMs que patrulham a Favela de Acari, na zona norte do Rio. Moradores contaram, na primeira reuni\u00e3o do Observat\u00f3rio da Interven\u00e7\u00e3o, no Centro de Estudos de Seguran\u00e7a e Cidadania (Cesec), da Universidade Candido Mendes, que dois homens foram assassinados por policiais e tiveram os corpos jogados num val\u00e3o. Segundo estes moradores, a PM vem se sentindo &#8220;com licen\u00e7a para matar&#8221; por conta da interven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A vereadora compartilhou a not\u00edcia em seu perfil no Facebook, com a inscri\u00e7\u00e3o &#8216;Somos todos Acari, parem de nos matar&#8221;. &#8220;Precisamos gritar para que todos saibam o est\u00e1 acontecendo em Acari nesse momento. O 41\u00b0 Batalh\u00e3o da Pol\u00edcia Militar do Rio de Janeiro est\u00e1 aterrorizando e violentando moradores de Acari. Nessa semana dois jovens foram mortos e jogados em um val\u00e3o. Hoje, a pol\u00edcia andou pelas ruas amea\u00e7ando os moradores. Acontece desde sempre e com a interven\u00e7\u00e3o ficou ainda pior&#8221;, dizia a mensagem, que conclamava os internautas a reverberarem a den\u00fancia.<\/p>\n<p>A advogada criminalista Ma\u00edra Fernandes, membro do Comit\u00ea Latino Americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher, acredita na hip\u00f3tese de execu\u00e7\u00e3o. &#8220;Marielle era a nossa esperan\u00e7a na pol\u00edtica&#8221;, lamentou. &#8220;Eu a conheci h\u00e1 quase duas d\u00e9cadas: sempre nas mais importantes lutas, coerente, aguerrida, corajosa. T\u00ednhamos muitos planos para ela. Esse seria o primeiro mandato de muitos! Tinha um caminho enorme pela frente. N\u00e3o consigo acreditar. Acabo de ver as fotos e vejo que isso n\u00e3o foi assalto. Foi execu\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso descobrir quem fez isso e fazer justi\u00e7a \u00e0 Marielle.&#8221;<\/p>\n<p>O soci\u00f3logo Renato Lima, diretor presidente do F\u00f3rum Brasileira de Seguran\u00e7a P\u00fablica, defendeu que a PF entre imediatamente na apura\u00e7\u00e3o do crime. &#8220;Estou absolutamente chocado, a morte de Marielle Franco \u00e9 mais um sinal da banaliza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia que toma conta do Pa\u00eds e que nos faz ref\u00e9ns do medo. O m\u00ednimo que se espera do interventor \u00e9 uma apura\u00e7\u00e3o rigorosa e transparente do epis\u00f3dio. N\u00e3o podemos aceitar que o caso n\u00e3o seja rapidamente esclarecido. O interventor tem diante de si um dos seus maiores desafios desde que a medida foi adotada, n\u00e3o deixar esta morte impune. Tudo indica que foi uma execu\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>O cientista social Luiz Eduardo Soares afirmou que a execu\u00e7\u00e3o foi confirmada pela pol\u00edcia, e lembrou do caso da ju\u00edza Patricia Acioli, assassinada por policiais em 2011 depois de condenar \u00e0 pris\u00e3o policiais ligados a mil\u00edcias. &#8220;Mulher, negra, lutadora contra as desigualdades e a viol\u00eancia. Teve uma vota\u00e7\u00e3o surpreendente, em 2016. Ela passou esta semana denunciando viola\u00e7\u00f5es praticadas pela PM em Acari. Temos estado juntos na longa milit\u00e2ncia. Estive com ela dois dias antes de viajar, semana passada. Faltam palavras para expressar o horror e mal posso imaginar o que se passa na cabe\u00e7a de sua filha e de sua fam\u00edlia. E o motorista, sua fam\u00edlia, um trabalhador inocente, honrado? A pol\u00edcia confirma que foi execu\u00e7\u00e3o. A ju\u00edza Patricia Acioli foi assassinada em 2011 por policiais militares. Agora, \u00e9 poss\u00edvel que o mesmo tenha acontecido. Quando, meu Deus, quando a popula\u00e7\u00e3o vai despertar e entender que a inseguran\u00e7a p\u00fablica come\u00e7a nos segmentos corruptos e brutais das pol\u00edcias, e que n\u00e3o podemos conviver mais com esse legado macabro da ditadura. Vamos continuar falando em &#8216;desvios de conduta individuais&#8217;? O que fazer, agora, al\u00e9m de chorar?&#8221;, ele escreveu em seu perfil no Facebook.<\/p>\n<p>O PSOL divulgou a seguinte nota: &#8220;O Partido Socialismo e Liberdade vem a p\u00fablico manifestar seu pesar diante do assassinato da vereadora Marielle Franco. Estamos ao lado dos familiares, amigos, assessores e dirigentes partid\u00e1rios do PSOL\/RJ nesse momento de dor e indigna\u00e7\u00e3o. A atua\u00e7\u00e3o de Marielle como vereadora e ativista dos direitos humanos orgulha toda a milit\u00e2ncia do PSOL e ser\u00e1 honrada na continuidade de sua luta. Exigimos apura\u00e7\u00e3o imediata e rigorosa desse crime hediondo. N\u00e3o nos calaremos! Marielle, presente!&#8221;<\/p>\n<p>O coronel da reserva Ibis Silva, ex-comandante geral da corpora\u00e7\u00e3o, desolado, n\u00e3o conseguiu comentar a perda. &#8220;Perdi uma irm\u00e3. Ela era minha madrinha no PSOL, me levou para l\u00e1. Conhecia h\u00e1 muitos anos. O Rio perdeu uma pessoa extraordin\u00e1ria. Eu perdi uma grande amiga.&#8221;<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m evitando dar declara\u00e7\u00f5es sobre a a\u00e7\u00e3o criminosa, Paulo Storani, antrop\u00f3logo e ex-capit\u00e3o da Pol\u00edcia Militar, acredita que, tendo sido execu\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o, o caso n\u00e3o ficar\u00e1 impune. &#8220;Todas as hip\u00f3teses devem ser consideradas. A assessora que sobreviveu poder\u00e1 esclarecer tudo. Dificilmente a verdade, seja qual for, ficar\u00e1 acobertada&#8221;.<\/p>\n<p>O prefeito Marcelo Crivella (PRB) divulgou nota de pesar, em que ressaltou a &#8220;honradez, bravura e esp\u00edrito p\u00fablico&#8221; da vereadora. &#8220;Sua trajet\u00f3ria exemplar de supera\u00e7\u00e3o continuar\u00e1 a brilhar como uma estrela de esperan\u00e7a para todos que, inconformados, lutam por um Rio culto, poderoso, rico, mas, sobretudo, justo e humano Em cada lar uma prece, em cada olhar uma l\u00e1grima e em cada cora\u00e7\u00e3o um voto de tristeza, dor e saudade. \u00c9 assim que hoje anoitece a cidade desolada e amargurada pela perda de sua filha inesquec\u00edvel e inigual\u00e1vel. Que Deus a tenha!&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O assassinato da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL), na noite desta quarta-feira, 14, pode estar ligado \u00e0 sua milit\u00e2ncia pol\u00edtica. 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