{"id":173125,"date":"2018-03-17T20:15:59","date_gmt":"2018-03-17T23:15:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=173125"},"modified":"2018-03-17T21:18:11","modified_gmt":"2018-03-18T00:18:11","slug":"maior-estiagem-nao-e-sinonimo-de-maior-crise-hidrica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/maior-estiagem-nao-e-sinonimo-de-maior-crise-hidrica\/","title":{"rendered":"Maior estiagem n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de maior crise h\u00eddrica"},"content":{"rendered":"<p>As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas em curso no planeta devem alterar de forma significativa a frequ\u00eancia de chuvas e impactar nos sistemas de abastecimento de \u00e1gua, mas o acesso da popula\u00e7\u00e3o a esse bem fundamental vai depender de como a sociedade desenvolve suas pol\u00edticas p\u00fablicas para o setor. Esta foi a principal conclus\u00e3o do debate Planeta \u00c1gua, promovido pela Funda\u00e7\u00e3o Banco do Brasil.<\/p>\n<p>O debate \u00e9 parte da programa\u00e7\u00e3o da mostra de cinema Planeta \u00c1gua, que exibe at\u00e9 domingo uma s\u00e9rie de filmes que tra\u00e7am um painel do pensamento mundial sobre a situa\u00e7\u00e3o da \u00e1gua. O evento tamb\u00e9m antecipa os temas que estar\u00e3o em discuss\u00e3o no 8\u00ba F\u00f3rum Mundial da \u00c1gua, que come\u00e7a domingo e vai at\u00e9 o dia 23 deste m\u00eas.<\/p>\n<p>Para discutir o assunto, foram convidados o ambientalista S\u00e9rgio Basserman, membro do Conselho Diretor da WWF Brasil e atual presidente do Instituto de Pesquisa do Jardim Bot\u00e2nico, o fil\u00f3sofo Naidisson de Quintella Baptista, coordenador nacional da Articula\u00e7\u00e3o do Semi\u00e1rido Brasileiro (ASA), e Joaquim Gondim, especialista em Recursos H\u00eddricos e superintendente de Opera\u00e7\u00f5es e Eventos da Ag\u00eancia Nacional das \u00c1guas (ANA).<\/p>\n<p>&#8220;Todos os estudos relacionados \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas v\u00e3o na dire\u00e7\u00e3o de dizer que as secas ser\u00e3o mais frequentes e intensas, e as enchentes tamb\u00e9m mais frequentes e intensas. A estiagem, portanto, vai continuar existindo. A transforma\u00e7\u00e3o dessa seca em uma crise \u00e9 que depende de como a sociedade vai enfrentar esses extremos&#8221;, disse Joaquim Gondim.<\/p>\n<p>Para Gondim, ser\u00e1 preciso garantir que o planejamento seja cumprido. &#8220;Tem que ter mais resili\u00eancia. Se tiver uma previs\u00e3o de construir uma nova esta\u00e7\u00e3o de tratamento, ou trazer um manancial, e isso n\u00e3o for feito, ficaremos mais vulner\u00e1veis&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>Segundo S\u00e9rgio Besserman, do Instituto de Pesquisa Jardim Bot\u00e2nico, do Rio de Janeiro, o aumento da temperatura da Terra vai deslocar as chuvas, que n\u00e3o cair\u00e3o mais nos mesmos lugares. &#8220;Nesses outros lugares as chuvas n\u00e3o ser\u00e3o recolhidas com a mesma efici\u00eancia para os reservat\u00f3rios e rios que abastecem a popula\u00e7\u00e3o&#8221;, observou.<\/p>\n<p>Frente a essa circunst\u00e2ncia, o ambientalista prop\u00f5e \u00eanfase na melhoria do saneamento b\u00e1sico das cidades. &#8220;Temos que come\u00e7ar a pensar em tratar a \u00e1gua e reutiliz\u00e1-la para agricultura, para lavagem nas cidades, para diversos outros usos. Em algumas esta\u00e7\u00f5es de tratamento de vanguarda no mundo, a \u00e1gua, depois de tratada, \u00e9 mais limpa e saud\u00e1vel do que a \u00e1gua distribu\u00edda para as pessoas. Por qu\u00ea n\u00e3o tratar a \u00e1gua de esgoto e reabastecer os aqu\u00edferos com ela?&#8221;, prop\u00f5e Besserman, ao lembrar que saneamento b\u00e1sico ainda traz outras &#8220;externalidades&#8221; positivas, como a melhoria da sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o em geral, que gera economia de recursos p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Solu\u00e7\u00f5es locais &#8211; O desenvolvimento de tecnologia social para ser apropriada pela popula\u00e7\u00e3o deve ser o norte das pol\u00edticas p\u00fablicas que garantam o acesso \u00e0 \u00e1gua. Foi o que motivou a ASA, uma rede que envolve mais de 3 mil organiza\u00e7\u00f5es no Nordeste e norte de Minas Gerais, a dar in\u00edcio ao programa de cisternas, que come\u00e7ou no in\u00edcio dos anos 2000. Atualmente, h\u00e1 mais de 1,25 milh\u00e3o de cisternas instaladas em todo o Semi\u00e1rido.<\/p>\n<p>&#8220;Conviver com o Semi\u00e1rido n\u00e3o \u00e9 combater a seca. At\u00e9 porque, l\u00e1 chove. Centramos nossa aten\u00e7\u00e3o na estrat\u00e9gia do armazenamento dessa \u00e1gua&#8221;, explica o coordenador nacional da ANA, Naidisson de Quintella. Segundo o fil\u00f3sofo, o programa atende a mais de 6 milh\u00f5es de pessoas, que passaram a ter acesso regular \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel, um processo real de democratiza\u00e7\u00e3o. O programa tamb\u00e9m levou cidadania e autonomia para a popula\u00e7\u00e3o, que deixou de depender do favor de pol\u00edticos para o abastecimento e o acesso a um direito fundamental.<\/p>\n<p>Naidisson disse que \u00e9 preciso enfrentar o &#8220;uso indisciplinado&#8221; da \u00e1gua, causado, por exemplo, pelo desmatamento desenfreado de biomas como Cerrado e Amaz\u00f4nia, onde est\u00e3o importantes mananciais, mas tamb\u00e9m lutar contra o que chamou de &#8220;privatiza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua&#8221;. &#8220;\u00c9 claro que temos os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, a crise que isso gera, mas temos tamb\u00e9m a quest\u00e3o pol\u00edtica, me preocupa a discuss\u00e3o no Congresso que fala em &#8216;mercado da \u00e1gua&#8217;, como se ela fosse um produto. Na Bacia do S\u00e3o Francisco, por exemplo, a \u00e1gua est\u00e1 nas m\u00e3os das empresas, e as comunidades que vivem \u00e0s margens do rio n\u00e3o t\u00eam esse acesso, dependem das cisternas. Isso \u00e9 rid\u00edculo&#8221;, afirmou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas em curso no planeta devem alterar de forma significativa a frequ\u00eancia de chuvas e impactar nos sistemas de abastecimento de \u00e1gua, mas o acesso da popula\u00e7\u00e3o a esse bem fundamental vai depender de como a sociedade desenvolve suas pol\u00edticas p\u00fablicas para o setor. 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