{"id":173254,"date":"2018-03-19T11:47:08","date_gmt":"2018-03-19T14:47:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=173254"},"modified":"2018-03-19T11:47:29","modified_gmt":"2018-03-19T14:47:29","slug":"tecnologia-reduz-emprego-no-campo-mas-paga-salario-melhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/tecnologia-reduz-emprego-no-campo-mas-paga-salario-melhor\/","title":{"rendered":"Tecnologia reduz emprego no campo, que j\u00e1 paga sal\u00e1rio maior"},"content":{"rendered":"<p>Desde que come\u00e7ou a cursar agronomia na Universidade Estadual de Londrina (PR), Gustavo Okano Alves Pinto, de 22 anos, queria trabalhar na \u00e1rea digital. No segundo ano da faculdade, um professor lhe apresentou a agronomia digital. Ela une o conhecimento da agronomia tradicional e um grande n\u00famero de dados coletados no campo em tempo real, al\u00e9m de informa\u00e7\u00f5es sobre o passado das lavouras. Com isso, \u00e9 poss\u00edvel decidir o melhor momento, por exemplo, de plantar, gastando menos.<\/p>\n<p>&#8220;Percebi que aquela toada da agronomia tradicional estava muito batida&#8221;, lembra Okano. De l\u00e1 para c\u00e1, ele come\u00e7ou a procurar cursos e est\u00e1gios paralelos \u00e0 faculdade para se tornar um agr\u00f4nomo digital. Hoje, prestes a concluir a faculdade, acredita que com essa qualifica\u00e7\u00e3o extra poder\u00e1 conseguir um emprego com sal\u00e1rio inicial at\u00e9 25% maior do que o pago a um agr\u00f4nomo tradicional. &#8220;A agronomia digital \u00e9 um mar de calmaria: pouca gente trabalhando e uma demanda forte por profissionais qualificados.&#8221;<\/p>\n<p>O que o estudante percebeu na pr\u00e1tica aparece nos resultados de uma radiografia do mercado de trabalho do agroneg\u00f3cio, feita pelo Centro de Estudos do Agroneg\u00f3cios da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV). Nos \u00faltimos cinco anos, o agroneg\u00f3cio tem absorvido cada vez menos m\u00e3o de obra, sobretudo informal. Isso ocorreu por causa da incorpora\u00e7\u00e3o de novas tecnologias no campo, mais intensivas em capital, que ampliaram a produtividade.<\/p>\n<p>O resultado foi o aumento da remunera\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, num ritmo mais intenso do que o da economia em geral. O campo admitiu profissionais qualificados, como Okano, e pagou mais por isso.<\/p>\n<p>O estudo in\u00e9dito, baseado em dados da Pnad do IBGE e coordenado pelo economista Felippe Serigatti, revela que entre 2012 e 2017 a popula\u00e7\u00e3o ocupada no agroneg\u00f3cio caiu 1,9% ao ano. Em 2012 eram 19,7 milh\u00f5es de pessoas e, no fim do ano passado, 18 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>A queda foi mais acentuada no trabalho informal (- 3,4% ao ano), mas tamb\u00e9m houve recuo nos trabalhadores formais do agroneg\u00f3cio (-1,4%). Na agricultura, que \u00e9 um dos segmentos do agroneg\u00f3cio, a retra\u00e7\u00e3o na ocupa\u00e7\u00e3o foi bem maior: de 5% ao ano nas contrata\u00e7\u00f5es informais e de 4,9% nas formais. &#8220;O agroneg\u00f3cio tem absorvido cada vez menos m\u00e3o de obra informal e com menos qualifica\u00e7\u00e3o. Isso pode parecer uma m\u00e1 not\u00edcia, mas n\u00e3o \u00e9&#8221;, afirma Serigatti.<\/p>\n<p>Ele argumenta que, com o uso intensivo de tecnologia, a produtividade e a renda dos ocupados aumentou. Entre 2012 e 2017, o rendimento m\u00e9dio real (descontada a infla\u00e7\u00e3o) do trabalho no agroneg\u00f3cio cresceu 7%, muito acima do avan\u00e7o registrado para os trabalhadores de todos os setores da economia no per\u00edodo, de 4,6%. Na agropecu\u00e1ria, o avan\u00e7o acumulado em cinco anos foi de 9,2% e na agricultura, de 8,3%.<\/p>\n<p>Caos &#8211; Serigatti explica que a redu\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra no campo n\u00e3o levou ao aumento do n\u00famero de desempregados. &#8220;N\u00e3o compartilho dessa hip\u00f3tese de que a libera\u00e7\u00e3o dessa m\u00e3o de obra tenha levado ao caos social.&#8221; Com mais produtividade, o agroneg\u00f3cio, ampliou a renda nas cidades do interior e os desempregados do campo foram trabalhar no setor de servi\u00e7os.<\/p>\n<p>O economista faz essa afirma\u00e7\u00e3o com base no desempenho da economia do interior que, de acordo com o IBGE, foi melhor do que o das regi\u00f5es metropolitanas. Entre 2000 e 2015, o PIB das cidades dos interior cresceu 3,7% ao ano, enquanto o das regi\u00f5es metropolitanas avan\u00e7ou 2,5% e o do Pa\u00eds subiu 3%.<\/p>\n<p>Um estudo da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Agricultura (CNA) confirma a tend\u00eancia apontada pela FGV, por\u00e9m com n\u00fameros diferentes. Renato Conchon, coordenador do N\u00facleo de Economia da CNA, diz que a fatia da m\u00e3o de obra ocupada no agroneg\u00f3cio, que era de 32% em 2014, caiu para 19% em 2017. &#8220;O campo est\u00e1 contratando menos e pagando mais&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>A parcela de trabalhadores que recebiam at\u00e9 um sal\u00e1rio, que era 33,6% dos ocupados em 2014, recuou para 29,8% em 2016. No mesmo per\u00edodo, a fatia dos que n\u00e3o tinham instru\u00e7\u00e3o ou at\u00e9 dois anos de estudo diminuiu de 34,4% para 32,3%. &#8220;O campo como mercado de trabalho para os sem qualifica\u00e7\u00e3o est\u00e1 cada vez menor&#8221;, observa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde que come\u00e7ou a cursar agronomia na Universidade Estadual de Londrina (PR), Gustavo Okano Alves Pinto, de 22 anos, queria trabalhar na \u00e1rea digital. No segundo ano da faculdade, um professor lhe apresentou a agronomia digital. 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