{"id":173259,"date":"2018-03-19T11:39:25","date_gmt":"2018-03-19T14:39:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=173259"},"modified":"2018-03-19T11:54:37","modified_gmt":"2018-03-19T14:54:37","slug":"campo-cresce-e-faz-de-rocador-feijao-piloto-de-colheitadeira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/campo-cresce-e-faz-de-rocador-feijao-piloto-de-colheitadeira\/","title":{"rendered":"Campo cresce, e faz de ro\u00e7ador de feij\u00e3o &#8216;piloto&#8217; de colheitadeira"},"content":{"rendered":"<p>A bordo de uma colheitadeira de R$ 1,4 milh\u00e3o, no conforto do ar condicionado, o operador de m\u00e1quina Lourival Obnesorg, de 47 anos, aciona o piloto autom\u00e1tico e observa os pain\u00e9is que medem o \u00edndice de perdas e de umidade da soja que vai enchendo o reservat\u00f3rio de carga. Nos \u00faltimos dez anos, desde que deixou de ro\u00e7ar pasto e arrancar feij\u00e3o \u00e0 m\u00e3o, ele passou de motorista de caminh\u00e3o e tratorista para uma das profiss\u00f5es mais valorizadas do campo: &#8220;piloto de colheitadeira&#8221;, como dizem por l\u00e1.<\/p>\n<p>Lourival \u00e9 um dos nove funcion\u00e1rios de campo da fazenda Jequitib\u00e1 do Alto, em Buri, no sudoeste paulista, e tem um ganho bruto mensal de R$ 2,8 mil, equivalente ao de um professor da rede municipal com curso superior. Mesmo tendo s\u00f3 o 2\u00ba grau, Obnesorg tornou-se perito em m\u00e1quinas com alta tecnologia embarcada, como colheitadeiras, pulverizadores e plantadeiras, acompanhado a evolu\u00e7\u00e3o do trabalho no campo. &#8220;Comecei com o trator, estudando tudo sobre a m\u00e1quina, depois fiz curso de opera\u00e7\u00e3o de plantadeira em Ponta Grossa (PR) e, h\u00e1 cinco anos, peguei a primeira colheitadeira.&#8221;<\/p>\n<p>O operador conhece todos os detalhes do equipamento e, mesmo com o piloto autom\u00e1tico em opera\u00e7\u00e3o, interfere para melhorar o desempenho. &#8220;A m\u00e1quina pode fazer muita coisa sozinha, mas n\u00e3o gosto de ficar s\u00f3 olhando.&#8221; Na safra, Obnesorg trabalha at\u00e9 dez horas por dia, mas n\u00e3o precisa ir longe para estar em casa. Ele mora numa casa confort\u00e1vel, na propriedade, com a esposa Jana\u00edna e as filhas Ingrid, de 13 anos, e Talita, de 5 &#8211; a moradia, \u00e1gua e energia s\u00e3o fornecidas pela fazenda, como benef\u00edcios.<\/p>\n<p>O produtor Frederico D&#8217;\u00c1vila, dono da fazenda, conta que, al\u00e9m dos homens de campo, tem outros cinco funcion\u00e1rios que mant\u00eam o secador, os silos, o sistema de irriga\u00e7\u00e3o com 13 piv\u00f4s centrais e a \u00e1rea administrativa. &#8220;S\u00e3o 15 funcion\u00e1rios comigo, pois exer\u00e7o a fun\u00e7\u00e3o do administrador, fazendo a programa\u00e7\u00e3o da safra, definindo as \u00e1reas de plantio, cultivares e cuidando da comercializa\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Ele conta que a maior parte dos trabalhadores est\u00e1 na fazenda desde que era administrada pelo seu pai, o engenheiro Aluizio Monteiro D&#8217;\u00c1vila. &#8220;N\u00e3o \u00e9 uma m\u00e3o de obra f\u00e1cil de achar, por isso investimos na qualifica\u00e7\u00e3o dos que se interessam, t\u00eam cuidado com as m\u00e1quinas e s\u00e3o leais a empresa.&#8221;<\/p>\n<p>\u00c9 o caso do operador Aguinaldo Batista, de 44 anos, que come\u00e7ou a trabalhar com o pai de Frederico e j\u00e1 foi bra\u00e7al, ro\u00e7ando pasto e construindo cercas. Al\u00e9m de trator e colheitadeira, ele fez curso para operar o pulverizador, equipamento de alta sensibilidade e muita tecnologia. &#8220;\u00c9 tudo controlado por computador e GPS, mas a gente precisa estar preparado para intervir na hora certa, corrigindo alguma opera\u00e7\u00e3o ou passando algum posicionamento por r\u00e1dio para o companheiro em outra m\u00e1quina&#8221;, descreve.<\/p>\n<p>Aguinaldo tem dois irm\u00e3os que tamb\u00e9m abriram m\u00e3o de carreiras na cidade para permanecer no campo, na Jequitib\u00e1 do Alto. Marcelo tamb\u00e9m opera m\u00e1quinas e Edinelson trabalha no setor administrativo. Com os nove funcion\u00e1rios de campo, D&#8217;\u00c1vila cultiva 1,5 mil hectares por ano, produzindo 9,6 mil toneladas de gr\u00e3os &#8211; cerca de 30% de soja. &#8220;Se terceirizasse o secador e o transporte, poderia ter ainda menos m\u00e3o de obra, mas prefiro ter todo o processo sob nosso controle.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Migra\u00e7\u00e3o<\/strong> &#8211; O frentista Eliel Soares, de 33 anos, j\u00e1 teve os dois p\u00e9s no campo, em Cap\u00e3o Bonito, cidade da mesma regi\u00e3o, mas n\u00e3o conseguiu acompanhar a evolu\u00e7\u00e3o do setor. &#8220;Foram seis anos trabalhando na propriedade rural do meu sogro, num sistema em que eu era meio empregado e meio comodat\u00e1rio. N\u00e3o tinha registro em carteira, folga ou f\u00e9rias. Fazia de tudo, desde tirar leite at\u00e9 arar a terra com trator, mas n\u00e3o aguentei.&#8221; Ele conta que a propriedade, pequena para a regi\u00e3o, n\u00e3o comportava m\u00e1quinas com muita tecnologia.<\/p>\n<p>Sem vislumbrar chances de melhorar a renda, ele se preparou para disputar um emprego na cidade, fazendo um curso t\u00e9cnico de auxiliar administrativo e o primeiro ano de curso superior em administra\u00e7\u00e3o. Acabou conseguindo emprego de frentista, num posto de combust\u00edveis. &#8220;Tive que disputar uma vaga com muitos trabalhadores rurais que deixaram o campo, mas acabei acertando &#8221;<\/p>\n<p>Soares conta que, entre sal\u00e1rio e benef\u00edcios, como cesta b\u00e1sica e cart\u00e3o de alimenta\u00e7\u00e3o, tira cerca de R$ 2 mil mensais e se considera bem remunerado. O ganho, segundo ele, \u00e9 o suficiente para manter a fam\u00edlia &#8211; ele, a mulher e uma filha de dez anos. &#8220;Meus pais ainda moram no campo, mas meu irm\u00e3o tamb\u00e9m j\u00e1 veio para a cidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A bordo de uma colheitadeira de R$ 1,4 milh\u00e3o, no conforto do ar condicionado, o operador de m\u00e1quina Lourival Obnesorg, de 47 anos, aciona o piloto autom\u00e1tico e observa os pain\u00e9is que medem o \u00edndice de perdas e de umidade da soja que vai enchendo o reservat\u00f3rio de carga. 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