{"id":173805,"date":"2018-03-24T02:37:56","date_gmt":"2018-03-24T05:37:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=173805"},"modified":"2018-03-24T02:37:56","modified_gmt":"2018-03-24T05:37:56","slug":"projeto-inovador-quer-formar-elite-de-moda-da-periferia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/projeto-inovador-quer-formar-elite-de-moda-da-periferia\/","title":{"rendered":"Projeto inovador quer formar elite de moda da periferia"},"content":{"rendered":"<p>Favela, elite, universidade, inclus\u00e3o, empreendedorismo e moda s\u00e3o um denominador comum de um projeto na Zona Sul de S\u00e3o Paulo, o Periferia Inventando Moda (Pim). Instalado em Parais\u00f3polis, segunda maior favela paulistana com cerca de 100 mil habitantes, o Pim que h\u00e1 quatro anos oferece oficinas preparat\u00f3rias para modelos, maquiadores e cabeleireiros, agora expande seus dom\u00ednios.<\/p>\n<p>Junto com a Escola de Comunica\u00e7\u00e3o e Artes (ECA) da USP e a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Estudos e Pesquisas em Moda (Abepem), lan\u00e7a a UniPim, com uma programa\u00e7\u00e3o de cursos gratuitos sobre m\u00eddias sociais, branding e fotografia com certifica\u00e7\u00e3o da USP, al\u00e9m de pain\u00e9is para debater temas relacionados ao mercado, uma conex\u00e3o fundamental na estrutura do projeto.<\/p>\n<p><strong>Elite da periferia<\/strong> &#8211; \u201cAs pessoas ainda olham a favela com muito preconceito. O mercado de moda \u00e9 muito fechado e disputad\u00edssimo. Quebrar esses padr\u00f5es \u00e9 que \u00e9 dif\u00edcil\u201d, diz o produtor cultural e psic\u00f3logo Nil Santos, co-fundador do projeto ao lado do estilista Alex Santos. \u201cS\u00f3 por morar na comunidade, as pessoas j\u00e1 vivem o estigma das drogas, da viol\u00eancia. A gente quer devolver a ess\u00eancia delas, mostrar que elas s\u00e3o capazes de ocupar um espa\u00e7o que nunca pensaram poder ocupar\u201d, completa Alex.<\/p>\n<p>Desafiar conven\u00e7\u00f5es e o senso comum, um fundamento da cultura de moda, \u00e9 um processo que acontece naturalmente no projeto. Um exemplo? \u201cA moda deve ser elitista. O conceito de elite \u00e9 que est\u00e1 equivocado\u201d, afirma Nil. \u201cAqui, tento formar uma elite de moda da periferia. A elite no Brasil n\u00e3o vem do m\u00e9rito, mas de apadrinhamento e dinheiro. Quero mostrar que isso n\u00e3o basta, que ser da elite significa fazer parte do grupo que est\u00e1 mais preparado, dos melhores\u201d, explica.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da \u201celite\u201d, outra vis\u00e3o bastante incomum (e interessante) \u00e9 sobre assistencialismo, um conceito que n\u00e3o representa o trabalho que eles desenvolvem. \u201cN\u00e3o fazemos assistencialismo. Estamos no horizonte do empreendedorismo\u201d, fala Nil. \u201cVoc\u00ea capacita a pessoa para que ela consiga galgar posi\u00e7\u00f5es no mercado em p\u00e9 de igualdade [com quem est\u00e1 fora da periferia]\u201d, pontua. Tem mais. \u201cNosso objetivo n\u00e3o \u00e9 exaltar o \u2018pobrismo\u2019, a favela pela favela. A gente n\u00e3o ama a favela, quer sair da favela. A gente n\u00e3o cultua a pobreza. S\u00f3 queremos mostrar o nosso melhor\u201d.<\/p>\n<p><strong>\u201cBoa vontade n\u00e3o basta\u201d<\/strong> &#8211; No segundo semestre, Alex e Nil pretendem ampliar a programa\u00e7\u00e3o de oficinas, incluindo aulas como as de cria\u00e7\u00e3o de moda e visagismo. Os planos de expans\u00e3o ainda enfrentam um desafio comum a projetos sociais no pa\u00eds: a falta de recursos.<\/p>\n<p>Em busca de patroc\u00ednio, a dupla pretende lan\u00e7ar uma vaquinha virtual e se inscrever em editais para conseguir apoio da Prefeitura \u2013 que, por enquanto, restringe-se \u00e0 libera\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o do CEU Parais\u00f3polis para as aulas da UniPim. O trabalho volunt\u00e1rio de professores e o apoio de empresas, como o Grupo Leader e a Vult, tem dado f\u00f4lego ao or\u00e7amento do Pim, mas ainda n\u00e3o \u00e9 suficiente.<\/p>\n<p>\u201cBoa vontade n\u00e3o basta. Quando voc\u00ea come\u00e7a um projeto como este, v\u00ea muita boa vontade surgindo de todos os lados. Mas como traduzir isso em uma a\u00e7\u00e3o precisa, que v\u00e1 fazer diferen\u00e7a? \u00c9 preciso foco e trabalho duro, tanto da nossa parte quanto dos alunos. Sem dinheiro, tudo fica mais dif\u00edcil\u201d.<\/p>\n<p><strong>Uni\u00e3o e for\u00e7a<\/strong> &#8211; Os alunos endossam o coro. Para Beatriz Rocha, de 21 anos, a UniPIM revigora a ideia de que cada um tem sua pr\u00f3pria ess\u00eancia. \u201cA moda n\u00e3o deve ser algo que s\u00f3 quem \u00e9 privilegiado edita\u201d, diz ela, que participa da oficina de modelos h\u00e1 um ano.<\/p>\n<p>Na oficina de modelos, ministrada pelo pr\u00f3prio Alex Santos, os ensinamentos v\u00e3o al\u00e9m da postura na passarela e das poses para fotos. O estilista quer estimular discuss\u00f5es entre os alunos, levando temas relevantes e informa\u00e7\u00e3o dos mais variados campos da moda para as aulas, que acontecem todos os domingos. \u201cAs ag\u00eancias [de modelos] ainda buscam um padr\u00e3o. Aqui a gente aprende a valorizar as nossas diferen\u00e7as. N\u00e3o precisa ser alto, magro ou branco para ter espa\u00e7o\u201d, diz Alan Jesus, de 18 anos, que tamb\u00e9m frequenta a oficina.<\/p>\n<p>\u201cEm Parais\u00f3polis, mexeu com um, mexeu com todos. A gente trouxe isso para o Pim. E assim estamos atingindo lugares que nem imagin\u00e1vamos ser poss\u00edvel\u201d, completa o criador Alex Santos. \u201cA vida fica mais f\u00e1cil quando a gente se ajuda\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Favela, elite, universidade, inclus\u00e3o, empreendedorismo e moda s\u00e3o um denominador comum de um projeto na Zona Sul de S\u00e3o Paulo, o Periferia Inventando Moda (Pim). 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