{"id":173877,"date":"2018-03-24T16:34:18","date_gmt":"2018-03-24T19:34:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=173877"},"modified":"2018-03-24T16:36:33","modified_gmt":"2018-03-24T19:36:33","slug":"apos-10-anos-ana-carolina-mae-de-isabella-nardoni-refaz-a-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/apos-10-anos-ana-carolina-mae-de-isabella-nardoni-refaz-a-vida\/","title":{"rendered":"Ap\u00f3s 10 anos, Ana Carolina, m\u00e3e de Isabella Nardoni, refaz a vida"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;Eu realmente aprendi a lidar com a dor&#8221;, responde Ana Carolina Oliveira, de 33 anos, com naturalidade, j\u00e1 na primeira pergunta sobre os 10 anos sem a filha Isabella Nardoni. A m\u00e3e da menina diz que superou a trag\u00e9dia e refez a vida. Est\u00e1 casada, tem outro filho de 1 ano e (quase) 10 meses, o Miguel, e faz planos de engravidar de novo. &#8220;A mem\u00f3ria dela, para mim, \u00e9 eterna. Tenho saudade, \u00e9 claro, mas hoje n\u00e3o \u00e9 uma ferida t\u00e3o aberta.&#8221;<\/p>\n<p>O assassinato de Isabella, em 29 de mar\u00e7o de 2008, atraiu holofotes do Brasil inteiro e at\u00e9 houve pedido para a Justi\u00e7a transmitir ao vivo o julgamento. Parte da repercuss\u00e3o se explica: o j\u00fari entendeu que os autores do crime foram o pai, Alexandre Nardoni, e a madrasta, Anna Carolina Jatob\u00e1, condenados a 30 e 26 anos de cadeia, respectivamente. Os dois alegam inoc\u00eancia, e a defesa recorre no Supremo Tribunal Federal (STF).<\/p>\n<p>&#8220;Quem cometeu era quem deveria proteg\u00ea-la&#8221;, afirma a m\u00e3e, que prefere mudar de assunto a falar do casal. Concorda com a Justi\u00e7a e acredita que os dois s\u00e3o culpados. &#8220;Uma pessoa que comete um crime desses deveria ficar presa o resto da vida dela&#8221;, diz. &#8220;Deles, tenho d\u00f3.&#8221;<\/p>\n<p>Em duas horas de conversa, Ana Carolina mostra ser extrovertida. \u00c9 mais f\u00e1cil v\u00ea-la fazer piada do que chorar. Emocionou-se uma vez, ao contar que Isabella, estirada no jardim, ainda estava viva quando ela chegou ao Edif\u00edcio London, o pr\u00e9dio dos Nardoni. &#8220;Acredito que me esperou para se despedir.&#8221;<\/p>\n<p>Fam\u00edlia &#8211; Isabella sorri em dois porta-retratos na estante da sala. Na parte de baixo do m\u00f3vel, est\u00e3o um Fusca, uma Kombi e mais carrinhos de brinquedo do irm\u00e3o, Miguel, que n\u00e3o teve chance de conhec\u00ea-la. Outra foto da garota decora a geladeira. &#8220;Isa, te amaremos eternamente&#8221;, diz a mensagem escrita nela. O apartamento fica a cerca de 1 km do London. &#8220;Meu marido trabalha ao lado do pr\u00e9dio&#8221;, comenta Ana Carolina, sem dar import\u00e2ncia \u00e0 coincid\u00eancia.<\/p>\n<p>Evitar dramalh\u00e3o \u00e9 um tra\u00e7o recorrente do perfil de Ana Carolina que, nesses dez anos, chegou a ser alvo de cr\u00edticas por desconhecidos que a julgavam &#8220;fria&#8221;. &#8220;A Isa n\u00e3o gostava de me ver triste. Eu preciso seguir&#8221;, ela dizia na \u00e9poca. J\u00e1 os amigos a descrevem como uma mulher &#8220;forte&#8221; e que tem &#8220;dimens\u00e3o da trag\u00e9dia&#8221;, mas optou por n\u00e3o se entregar. &#8220;N\u00e3o preciso aparecer chorando na TV para mostrar que sofri&#8221;, afirma hoje.<\/p>\n<p>No luto, ela ficou sem comer, ganhou olheiras e evitou entrar no quarto que dividia com Isabella na casa dos pais. Fez terapia por anos. Uma d\u00e9cada depois, segue no mesmo emprego de banc\u00e1ria. Tamb\u00e9m recebeu proposta para escrever um livro e, certa vez, negou aut\u00f3grafo a uma garota. &#8220;N\u00e3o sou celebridade&#8221;, justifica. &#8220;\u00c9 mais comum pedirem para dar um abra\u00e7o. A\u00ed, eu sempre dou.&#8221;<\/p>\n<p>O av\u00f4 materno visita o t\u00famulo de Isabella todo domingo. A m\u00e3e, por sua vez, n\u00e3o costuma ir ao cemit\u00e9rio &#8220;A mem\u00f3ria dela \u00e9 muito al\u00e9m de uma campa&#8221;, diz Ana Carolina, que \u00e9 esp\u00edrita, doutrina que cr\u00ea em reencarna\u00e7\u00e3o e n\u00e3o sacraliza o corpo. &#8220;Para um caso como o meu, \u00e9 onde se encontra mais respostas.&#8221;<\/p>\n<p>Filhos &#8211; Conheceu o marido Vinicius Francomano, de 31 anos, \u00e0s v\u00e9speras de ir estudar seis meses na Calif\u00f3rnia, nos Estados Unidos. Eles se casaram em 2014: Miguel nasceu dois anos depois. &#8220;N\u00e3o houve men\u00e7\u00e3o a Isabella at\u00e9 o momento final, do beijo dos noivos&#8221;, conta o reverendo Aldo Quint\u00e3o, que celebrou a cerim\u00f4nia na Catedral Anglicana de S\u00e3o Paulo. Nessa hora, tocou &#8220;Noites Trai\u00e7oeiras&#8221;, do Padre Marcelo Rossi, em homenagem \u00e0 menina: &#8220;O mundo pode at\u00e9 fazer voc\u00ea chorar\/mas Deus te quer sorrindo&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Tenho lembran\u00e7as boas, e n\u00e3o de sofrimento&#8221;, afirma Ana Carolina, que guarda roupas, cal\u00e7ados e brinquedos de Isabella. Entre eles, h\u00e1 um coelhinho de pel\u00facia com o qual ficou abra\u00e7ada no vel\u00f3rio da filha. &#8220;Por coincid\u00eancia, Miguel estava brincado com ele outro dia.&#8221;<\/p>\n<p>As crian\u00e7as, por\u00e9m, n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o parecidas assim. Isabella era corintiana. Miguel, palmeirense. Ela, quietinha, preferia ficar em casa e assistir a &#8220;Monstros S.A.&#8221; ou &#8220;Procurando Nemo&#8221;, seus filmes favoritos. Ele, agitado (j\u00e1 foi parar duas vezes na diretoria da creche), gosta mesmo de passear. &#8220;Sempre quis ter tr\u00eas filhos. Quero engravidar, no m\u00e1ximo, at\u00e9 o ano que vem, mas ainda preciso combinar com meu marido&#8221;, ela ri.<\/p>\n<p>Isabella morreu, aos 5, no ano que seria alfabetizada. Tinha o sonho de aprender a ler. Miguel est\u00e1 na fase de falar sem parar, imitando at\u00e9 propaganda. Outro dia, deixou todo mundo de boca aberta quando a campainha tocou. &#8220;\u00d3, pancainha&#8221;, disse, trocando as s\u00edlabas. Isabella falava exatamente assim.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Eu realmente aprendi a lidar com a dor&#8221;, responde Ana Carolina Oliveira, de 33 anos, com naturalidade, j\u00e1 na primeira pergunta sobre os 10 anos sem a filha Isabella Nardoni. 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