{"id":174386,"date":"2018-03-29T16:36:03","date_gmt":"2018-03-29T19:36:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=174386"},"modified":"2018-03-29T16:36:03","modified_gmt":"2018-03-29T19:36:03","slug":"moradores-de-favelas-revelam-medo-da-policia-militar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/moradores-de-favelas-revelam-medo-da-policia-militar\/","title":{"rendered":"Moradores de favelas revelam medo da Pol\u00edcia Militar"},"content":{"rendered":"<p>Medo e desconfian\u00e7a s\u00e3o as duas palavras mais usadas por moradores de favelas do Rio de Janeiro para descrever seu sentimento em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Pol\u00edcia Militar. \u00c9 o que aponta um levantamento sobre as percep\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a p\u00fablica com mais de 6 mil pessoas, que foram visitadas em suas casas entre setembro de 2015 e fevereiro de 2016. Os resultados foram apresentados hoje (28).<\/p>\n<p>A pesquisa \u00e9 do Laborat\u00f3rio de Pobreza, Viol\u00eancia e Governan\u00e7a (PoVgov) da Universidade de Stanford, institui\u00e7\u00e3o sediada dos Estados Unidos, e foi realizada em parceria com o Observat\u00f3rio de Favelas e a Redes da Mar\u00e9, duas organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil que atuam em comunidades do Rio de Janeiro. Foram entrevistados moradores da Cidade de Deus, Provid\u00eancia, Rocinha, Batan e Mar\u00e9.<\/p>\n<p>Entre os entrevistados, 16% relataram que um amigo, um conhecido ou um membro da fam\u00edlia foi assassinado por um policial. Al\u00e9m disso, 20% j\u00e1 tiveram as suas casas invadidas por for\u00e7as de seguran\u00e7a, j\u00e1 sofreram agress\u00f5es e t\u00eam algum familiar que foi agredido por policiais.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao crime, 15% relataram ter sofrido um assalto a m\u00e3o armada, viram algu\u00e9m assassinado por um criminoso ou tiveram suas casas invadidas por um bandido. &#8220;Muitas vezes a pol\u00edcia est\u00e1 mais propensa a abusar dos direitos dos cidad\u00e3os do que os criminosos&#8221;, aponta o estudo.<\/p>\n<p>Eles tamb\u00e9m foram perguntados sobre &#8220;qual \u00e9 o sentimento que a maioria da comunidade t\u00eam demostrado em rela\u00e7\u00e3o aos policiais que atuam em sua favela&#8221; e lhes foram apresentadas v\u00e1rias op\u00e7\u00f5es de respostas, igualmente divididas entre palavras positivas e negativas, entre elas medo, respeito, desconfian\u00e7a, admira\u00e7\u00e3o, simpatia, indiferen\u00e7a, desrespeito, indiferen\u00e7a e raiva. O entrevistado tamb\u00e9m poderia dizer qualquer outro sentimento que desejasse.<\/p>\n<p>&#8220;Quando os residentes relacionam seus sentimentos com a pol\u00edcia, eles costumavam usar uma linguagem negativa&#8221;, registra o estudo. Medo e desconfian\u00e7a foram as palavras mais utilizadas.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio tamb\u00e9m tra\u00e7a o perfil dos entrevistados. Metade deles vive com uma renda m\u00e9dia de um a dois sal\u00e1rios m\u00ednimos. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 escolaridade, 29% completaram o ensino fundamental e 26% completaram o ensino m\u00e9dio. Apenas 3% tiveram acesso \u00e0 universidade. Dos entrevistados, 45% declararam-se como cat\u00f3licos e 41% como evang\u00e9licos, enquanto 14% se disseram adeptos de outras religi\u00f5es e 24% afirmaram n\u00e3o ter religi\u00e3o.<\/p>\n<p>Esse n\u00e3o \u00e9 o primeiro estudo do laborat\u00f3rio da Universidade de Stanford desenvolvido no Rio de Janeiro. Em parceria com a Secretaria de Estado de Seguran\u00e7a P\u00fablica (Seseg) e a Pol\u00edcia Militar, vem sendo realizados estudos com o objetivo de entender as causas individuais, contextuais e institucionais do uso da for\u00e7a letal policial. Pesquisas similares tamb\u00e9m s\u00e3o desenvolvidas no M\u00e9xico.<\/p>\n<p><strong>UPP &#8211;\u00a0<\/strong>O estudo trouxe tamb\u00e9m impress\u00f5es do projeto das Unidades de Pol\u00edcia Pacificadora (UPPs), criado em 2008, como um dos principais instrumentos de seguran\u00e7a p\u00fablica do estado. No ano passado, foi anunciada uma reformula\u00e7\u00e3o e o remanejamento de um ter\u00e7o do efetivo que atuava nas favelas.<\/p>\n<p>A UPP foi avaliada como positiva para a comunidade apenas por 31% dos entrevistados, enquanto 22% consideram a experi\u00eancia negativa. Para 23%, houve melhora na rela\u00e7\u00e3o entre comunidade e policiais, mas para 27% essa intera\u00e7\u00e3o n\u00e3o melhorou. O maior n\u00famero de entrevistados, no entanto, n\u00e3o apresentou avalia\u00e7\u00f5es positivas nem negativas, respondendo \u00e0s perguntas dizendo que concordam &#8220;em parte&#8221; ou que &#8220;as coisas ficaram da mesma forma.&#8221; Por outro lado, 48% dos entrevistados avaliaram que a UPP aumentou o desenvolvimento econ\u00f4mico local e 33% relataram que ajudou a diminuir a discrimina\u00e7\u00e3o \u00e0 favela.<\/p>\n<p>As avalia\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m diferem de uma comunidade para outra. No Batan, 60% da popula\u00e7\u00e3o acredita que a UPP foi uma a\u00e7\u00e3o positiva e apenas 4% tem uma opini\u00e3o oposta. Na Rocinha, 40% dos entrevistados discordam que a UPP melhorou a comunidade, enquanto somente 20% concordaram com esta afirma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A Rocinha \u00e9 tamb\u00e9m a \u00fanica favela onde o n\u00famero de moradores que querem a sa\u00edda da UPP foi maior do que aqueles que querem a perman\u00eancia. O fim do projeto \u00e9 defendido por 30% dos entrevistados, contra 27% que n\u00e3o desejam. No Batan e na Cidade de Deus, mais da metade dos residentes acham que a UPP n\u00e3o deve abandonar a comunidade.<\/p>\n<p>Na Provid\u00eancia, 37% t\u00eam essa mesma opini\u00e3o, superando os que discordam dela. Na Mar\u00e9, n\u00e3o h\u00e1 UPP, de forma que os moradores n\u00e3o opinaram sobre o assunto.<\/p>\n<p>&#8220;Apesar da exist\u00eancia de opini\u00f5es diversas sobre a UPP, quando perguntamos diretamente aos moradores se querem que ela deixe a favela, 46% de todos os entrevistados respondem que n\u00e3o&#8221;, disse a pesquisadora Beatriz Magaloni, diretora do PoVgov.<\/p>\n<p>Sobre os resultados alcan\u00e7ados pelo projeto, apenas 14% responderam que a pol\u00edcia conseguiu recuperar o controle territorial de grupos criminosos, enquanto 37% acham que houve falha nesse objetivo, e 30% relataram que a UPP n\u00e3o acabou com os confrontos armados entre grupos criminosos e policiais, enquanto 23% responderam que isso ocorreu. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 criminalidade, apenas 32% acreditam que houve redu\u00e7\u00e3o do crime. Para 49%, a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o se alterou e 19% avaliam que as pr\u00e1ticas criminosas cresceram.<\/p>\n<p><strong>Corrup\u00e7\u00e3o &#8211;\u00a0<\/strong>Os entrevistados tamb\u00e9m avaliaram o n\u00edvel de corrup\u00e7\u00e3o policial: 21% acham que aumentou e 22% que diminuiu. Particularmente na Rocinha, 35% moradores afirmaram que houve crescimento desse tipo de corrup\u00e7\u00e3o. \u00c9 o maior \u00edndice entre as comunidades estudadas.<\/p>\n<p>Os moradores das favelas relataram pedidos de subornos em ocasi\u00f5es diversas, incluindo para autorizar a realiza\u00e7\u00e3o festas, para regularizar moto-t\u00e1xis ou para n\u00e3o prender um membro da fam\u00edlia. Em algumas \u00e1reas, a UPP teria pr\u00e1ticas de mil\u00edcia, cobrando para se ter acesso a servi\u00e7os como TV a cabo, eletricidade e g\u00e1s. Outra forma de atividade il\u00edcita est\u00e1 ligada aos acordos com traficantes, onde os policiais recebem dinheiro para fazer vista grossa ao fluxo de drogas.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio apontou ainda que as avalia\u00e7\u00f5es s\u00e3o diversas, considerados alguns perfis dos entrevistados. As mulheres s\u00e3o significativamente mais propensas a aprovar a UPP do que os homens. Por outro lado, os moradores que t\u00eam filhos desaprovam mais do que aqueles que n\u00e3o s\u00e3o pais. Al\u00e9m disso, os negros tendem a ser menos favor\u00e1veis \u00e0 UPP do que os brancos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Medo e desconfian\u00e7a s\u00e3o as duas palavras mais usadas por moradores de favelas do Rio de Janeiro para descrever seu sentimento em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Pol\u00edcia Militar. \u00c9 o que aponta um levantamento sobre as percep\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a p\u00fablica com mais de 6 mil pessoas, que foram visitadas em suas casas entre setembro de 2015 e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":174397,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-174386","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/174386","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=174386"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/174386\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":174398,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/174386\/revisions\/174398"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/174397"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=174386"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=174386"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=174386"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}