{"id":174472,"date":"2018-03-30T11:33:56","date_gmt":"2018-03-30T14:33:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=174472"},"modified":"2018-03-30T11:33:56","modified_gmt":"2018-03-30T14:33:56","slug":"estudo-aponta-alta-prevalencia-de-dores-cronicas-em-morador-de-rua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/estudo-aponta-alta-prevalencia-de-dores-cronicas-em-morador-de-rua\/","title":{"rendered":"Estudo aponta alta preval\u00eancia de dores cr\u00f4nicas em morador de rua"},"content":{"rendered":"<p>Estudo in\u00e9dito do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein (IIEP) mapeou a ocorr\u00eancia de dores cr\u00f4nicas em moradores de rua. Foram entrevistados 69 pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua da capital paulista. O resultado \u00e9 que a dor cr\u00f4nica atinge 82,6% desse grupo, sendo que 73,8% das queixas s\u00e3o de inc\u00f4modos nos m\u00fasculos, tend\u00f5es, ligamentos, articula\u00e7\u00f5es e ossos.<\/p>\n<p>\u201cA escala que n\u00f3s utilizamos \u00e9 dividida entre uma dor fraca, moderada e intensa. Cerca de 90% da mostra apresenta uma dor intensa, ent\u00e3o quase todos os entrevistados, que j\u00e1 eram pacientes com dores cr\u00f4nicas, sentiam dor todos os dias por muitos anos\u201d, explicou a enfermeira Ariane Gra\u00e7as de Campos que desenvolveu a pesquisa como disserta\u00e7\u00e3o de mestrado com orienta\u00e7\u00e3o da pesquisadora Eliseth Ribeiro Le\u00e3o. Quase 70% dos entrevistados disseram sentir dor todos os dias e, em grande parte dos casos, a dura\u00e7\u00e3o \u00e9 de horas (39,1%) ou dias (40,6%).<\/p>\n<p>Levantamento feito em 2015 pela Funda\u00e7\u00e3o Instituto de Pesquisas Econ\u00f4micas (FIPE) a pedido da Secretaria Municipal de Assist\u00eancia e Desenvolvimento Social mostrou que 15.905 pessoas vivem em situa\u00e7\u00e3o de rua na capital paulista. A pesquisadora Eliseth Le\u00e3o afirma que estuda o assunto desde o in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990. &#8220;Para voc\u00ea ter uma ideia, al\u00e9m da pesquisa da Ariane que coordenei, existem apenas outras tr\u00eas pesquisas a respeito do assunto: Estados Unidos, Canad\u00e1 e Reino Unido&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>A enfermeira Ariane Campos chama aten\u00e7\u00e3o para o fato de que \u00e9 comum, entre os moradores de rua, o n\u00e3o tratamento da dor, bem como a percep\u00e7\u00e3o de que ela diminui com o tempo. \u201cN\u00e3o \u00e9 que ela vai sentindo menos dor \u00e9 que ela vai se adaptando a essa dor, vai se acomodando. A percep\u00e7\u00e3o da dor diminui, ent\u00e3o vai fazendo parte do viver\u201d, apontou.<\/p>\n<p>Entre as caracter\u00edsticas relacionadas a dor que afetam essa popula\u00e7\u00e3o, ela explica que n\u00e3o foram observados comportamentos diferentes entre os g\u00eaneros. \u201cEm todos os estudos no mundo, a mulher sente mais dor que o homem. Na rua n\u00e3o foi encontrada essa diferen\u00e7a\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m foi identificado que a dor interfere em todas as atividades do cotidiano dessas pessoas. Para 87,2%, a condi\u00e7\u00e3o de rua prejudica a qualidade e a dura\u00e7\u00e3o do sono. Entre os fatores que contribuem para isso, foi citado o fato de dormir no ch\u00e3o, de estar exposto ao frio e vulner\u00e1vel \u00e0 viol\u00eancia. Eles disseram ainda que a dor impacta no humor (83,8%) e no trabalho (79,3%).<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m de atrapalhar todas as atividades, atrapalha em um percentual assustador, inclusive para caminhar. Pensando que o morador de rua \u00e9 o cara que precisa caminhar pela cidade o tempo todo para sobreviver, buscar alimento, conseguir vaga de albergue. Faz parte do modo de vida caminhar\u201d, exemplificou.<\/p>\n<p><strong>Cuidados<\/strong> &#8211; O tratamento medicamentoso para dor foi utilizado por apenas 35,4% dos entrevistados, enquanto 64,6% n\u00e3o fizeram uso de nenhum cuidado m\u00e9dico. Os moradores de rua tamb\u00e9m relataram dificuldades para conseguir prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica (66,7%). Para 31,9%, n\u00e3o houve dificuldade em conseguir o receitu\u00e1rio.<\/p>\n<p>A pesquisa identifica ainda as dificuldades encontradas pelos moradores de rua para tomar os rem\u00e9dios. Mais de 58% n\u00e3o o fazem por acreditar que a mistura entre medica\u00e7\u00e3o e \u00e1lcool ou drogas faz mal. Para 54,3%, a dificuldade est\u00e1 em seguir os hor\u00e1rios da prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica. Tamb\u00e9m \u00e9 alto o percentual dos que esquecem a medica\u00e7\u00e3o (43,5%) e dos que interrompem o rem\u00e9dio ap\u00f3s melhora (41,3%).<\/p>\n<p>Com base nessas informa\u00e7\u00f5es, o Albert Einstein elaborou um curso online gratuito sobre o tema para profissionais de sa\u00fade e estudantes. Desde dezembro, quando ele foi disponibilizado, mais de 1.900 pessoas de diversas partes do pa\u00eds acessaram a plataforma. A s\u00e9rie \u00e9 composta de cinco v\u00eddeos e leva em considera\u00e7\u00e3o os aspectos identificados na pesquisa para tra\u00e7ar estrat\u00e9gias de atendimento. O curso pode ser acessado pela internet.<\/p>\n<p>&#8220;Entre dezembro de 2017 a fevereiro de 2018, 1.932 pessoas fizeram o curso online e gratuito. A plataforma de curso aberto \u00e9 composta por quatro aulas e vai ficar aberto por bastante tempo&#8221;, afirma Eliseth Le\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo in\u00e9dito do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein (IIEP) mapeou a ocorr\u00eancia de dores cr\u00f4nicas em moradores de rua. Foram entrevistados 69 pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua da capital paulista. 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