{"id":174671,"date":"2018-04-01T08:34:19","date_gmt":"2018-04-01T11:34:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=174671"},"modified":"2018-04-01T09:37:40","modified_gmt":"2018-04-01T12:37:40","slug":"com-cpi-esquecida-milicias-voltam-a-ocupar-ruas-do-rio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/com-cpi-esquecida-milicias-voltam-a-ocupar-ruas-do-rio\/","title":{"rendered":"Com CPI esquecida, mil\u00edcias voltam a ocupar ruas do Rio"},"content":{"rendered":"<p>Passados dez anos da CPI das Mil\u00edcias da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro &#8211; que indiciou mais de 200 pessoas -, esses grupos paramilitares ampliaram seu protagonismo no Estado. A investiga\u00e7\u00e3o parlamentar apontou envolvimento de policiais, agentes penitenci\u00e1rios e bombeiros, al\u00e9m de pol\u00edticos que os protegiam, e resultou na pris\u00e3o de alguns dos seus principais chefes. A atividade criminosa, por\u00e9m, continuou. Agora, esses grupos exibem publicamente a sua for\u00e7a, apesar de o tr\u00e1fico de drogas dominar as aten\u00e7\u00f5es em raz\u00e3o dos constantes tiroteios.<\/p>\n<p>Segundo o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), que presidiu a CPI e at\u00e9 hoje circula com seguran\u00e7as armados por causa das frequentes amea\u00e7as, as mil\u00edcias j\u00e1 dominam territ\u00f3rio maior que o de traficantes. Dez anos depois da comiss\u00e3o, afirma ele, o desafio \u00e9 monitorar os milicianos que foram presos e est\u00e3o saindo. &#8220;A CPI citou mais de mil nomes, e todo o primeiro e o segundo escal\u00f5es das mil\u00edcias foi preso. Agora as pessoas est\u00e3o saindo &#8211; e t\u00eam de sair mesmo, ningu\u00e9m est\u00e1 propondo pena perp\u00e9tua. Mas evidentemente elas precisam ser monitoradas&#8221;, diz o parlamentar.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma semana, milicianos mataram cinco jovens de 16 a 19 anos, com tiros na cabe\u00e7a, em Maric\u00e1, na regi\u00e3o metropolitana. Os assassinos gritaram &#8220;aqui \u00e9 mil\u00edcia, vamos voltar&#8221; e fugiram. Trata-se de uma pr\u00e1tica comum entre milicianos: aterrorizar a popula\u00e7\u00e3o e, na sequ\u00eancia, cobrar por servi\u00e7os, como a venda de g\u00e1s de cozinha em botij\u00f5es a pre\u00e7os extorsivos, com\u00e9rcio ilegal de sinal de internet e TV a cabo e explora\u00e7\u00e3o de agiotagem.<\/p>\n<p>Filmada de um helic\u00f3ptero de TV na manh\u00e3 seguinte \u00e0 chacina, a a\u00e7\u00e3o de milicianos em Bateau Mouche e Chacrinha foi outra prova da ousadia. Armados com fuzis e pistolas, eles trocaram tiros com traficantes. Nas imagens, h\u00e1 homens com uniformes iguais ao da PM. A corpora\u00e7\u00e3o investiga se eram policiais ou criminosos comuns com fardas.<\/p>\n<p>A execu\u00e7\u00e3o da vereadora Marielle Franco (PSOL), no dia 14, na regi\u00e3o central do Rio, tamb\u00e9m pode ter sido a\u00e7\u00e3o de milicianos, no estilo das m\u00e1fias. O fato de ela e o motorista terem sido atingidos, apesar dos vidros escurecidos, denunciou a per\u00edcia do atirador, provavelmente profissional. Antes de ser vereadora, Marielle atuou como assessora parlamentar na CPI.<\/p>\n<p><strong>Expans\u00e3o<\/strong> &#8211; Especialistas ouvidos pelo Estado estimam que as mil\u00edcias estejam em mais de 200 territ\u00f3rios do Rio. Elas se expandem por bairros da zona norte e oeste da capital e por munic\u00edpios da regi\u00e3o metropolitana e da Baixada Fluminense em dire\u00e7\u00e3o a Nova Igua\u00e7u e S\u00e3o Jo\u00e3o de Meriti, e disputam \u00e1reas com o tr\u00e1fico. Na regi\u00e3o, j\u00e1 houve casos em que os milicianos desfilaram nas ruas exibindo seus fuzis e metralhadoras.<\/p>\n<p>O delegado Claudio Ferraz, ex-chefe da Delegacia de Repress\u00e3o \u00e0s A\u00e7\u00f5es Criminosas Organizadas, nomeado em 2007 com o intuito de combater as mil\u00edcias, lembra que \u00e0 \u00e9poca esses grupos eram considerados um &#8220;mal menor&#8221;. Quando come\u00e7aram a eleger vereadores e deputados, o poder p\u00fablico passou a atuar contra eles. &#8220;Hoje n\u00e3o h\u00e1 mais \u00e1reas neutras, as mil\u00edcias entraram em todas. Com o enfraquecimento das UPPs, novos v\u00e1cuos est\u00e3o abrindo para elas. Por isso o Rio est\u00e1 pegando fogo&#8221;, analisa Ferraz.<\/p>\n<p>Inicialmente, as mil\u00edcias eram vistas como grupos que &#8220;limpariam&#8221; as comunidades dos traficantes e de criminosos sem precisar se preocupar com o respeito \u00e0s leis. Quando dominaram as localidades, por\u00e9m, a conversa mudou. &#8220;Viraram um bando criminoso comum, fazem atrocidades como o tr\u00e1fico faz, extorquindo como a m\u00e1fia dos anos 1950 nos Estados Unidos. Agem \u00e0 luz do dia, uniformizados. Quem n\u00e3o aceita \u00e9 punido: eles p\u00f5em fogo no estabelecimento, destroem cargas, matam&#8221;, diz o promotor Jorge Lu\u00eds Furquim, que investiga mil\u00edcias h\u00e1 15 anos.<\/p>\n<p>O soci\u00f3logo Ign\u00e1cio Cano, coordenador do Laborat\u00f3rio de An\u00e1lise da Viol\u00eancia da Universidade do Estado do Rio (Uerj), denuncia que nada foi feito pelo Estado em rela\u00e7\u00e3o aos milicianos. &#8220;Inventaram as UPPs para recuperar as \u00e1reas do tr\u00e1fico, mas nada para a mil\u00edcia&#8221;, avalia. &#8220;Agora, a interven\u00e7\u00e3o federal na seguran\u00e7a tamb\u00e9m n\u00e3o contemplou esse problema.&#8221;<\/p>\n<p>Procurada, a Secretaria de Estado de Seguran\u00e7a afirmou que atua com rigor no combate aos grupos paramilitares. De 2007 a 2017, foram presos 1.377 milicianos, segundo a pasta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Passados dez anos da CPI das Mil\u00edcias da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro &#8211; que indiciou mais de 200 pessoas -, esses grupos paramilitares ampliaram seu protagonismo no Estado. 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