{"id":174674,"date":"2018-04-01T08:39:22","date_gmt":"2018-04-01T11:39:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=174674"},"modified":"2018-04-01T09:41:04","modified_gmt":"2018-04-01T12:41:04","slug":"alunos-repetem-de-ano-mais-de-uma-vez-por-esse-brasil-a-fora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/alunos-repetem-de-ano-mais-de-uma-vez-por-esse-brasil-a-fora\/","title":{"rendered":"Alunos repetem de ano mais de uma vez por esse Brasil a fora"},"content":{"rendered":"<p>Em mais de 70% das cidades brasileiras, no m\u00ednimo um em cada quatro alunos cursa o 1.\u00ba ano do ensino m\u00e9dio com muito atraso. Eles come\u00e7am essa etapa com 17 anos em vez de 15, a idade correta. Isso acontece basicamente porque os jovens repetiram de ano pelo menos duas vezes ao longo da vida escolar. Os dados mostram tamb\u00e9m que apenas 1,4% dos munic\u00edpios do Pa\u00eds tem 90% das crian\u00e7as na idade certa em todos os anos da educa\u00e7\u00e3o fundamental e m\u00e9dia.<\/p>\n<p>O resultado vai contra o senso comum de que n\u00e3o se reprova mais nas escolas p\u00fablicas brasileiras. Especialistas em educa\u00e7\u00e3o s\u00e3o contr\u00e1rios \u00e0 repet\u00eancia porque sustentam que ela n\u00e3o melhora a aprendizagem. Al\u00e9m disso, afirmam, prejudica a autoestima do aluno e \u00e9 uma das principais causas de abandono da escola. O ensino m\u00e9dio brasileiro tem evas\u00e3o considerada elevada, em torno de 12%.<\/p>\n<p>O estudo in\u00e9dito foi feito com base no Censo Escolar 2016 pelo Interdisciplinaridade e Evid\u00eancias no Debate Educacional (Iede) e pelo QEdu, dois institutos que pesquisam e divulgam dados educacionais. Foi tabulada a chamada distor\u00e7\u00e3o idade\/s\u00e9rie de todos os anos do ensino fundamental e m\u00e9dio &#8211; o c\u00e1lculo inclui apenas alunos com dois anos ou mais de atraso. A s\u00e9rie em que h\u00e1 mais munic\u00edpios com grande diferen\u00e7a de idade \u00e9 o 1.\u00ba ano do m\u00e9dio e, em seguida, o 6.\u00ba ano.<\/p>\n<p>&#8220;Isso \u00e9 reflexo de um sistema que n\u00e3o consegue garantir a qualidade da aprendizagem. A reprova\u00e7\u00e3o precisa ser uma exce\u00e7\u00e3o e n\u00e3o uma estrat\u00e9gia pedag\u00f3gica&#8221;, diz o diretor do Iede, Ernesto Faria. Para ele, h\u00e1 uma cultura da repet\u00eancia no Pa\u00eds que est\u00e1 ligada \u00e0 rela\u00e7\u00e3o conflituosa entre professor e aluno.<\/p>\n<p>&#8220;Alguns professores alegam que, ao amea\u00e7ar um aluno de reprova\u00e7\u00e3o, ele estuda. Se isso funcionasse, estaria todo mundo bem, com \u00f3tima aprendizagem&#8221;, afirma o professor da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) Ocimar Alavarse. Resultados de avalia\u00e7\u00f5es nacionais e internacionais mostram que alunos reprovados t\u00eam desempenho inferior aos demais. Dados do Pisa, o maior exame de estudantes do mundo, indicam uma diferen\u00e7a de mais de 70 pontos entre os brasileiros que nunca repetiram de ano e os que foram retidos. Isso significa dois anos a mais de escolaridade. A tend\u00eancia se repete em todos os pa\u00edses participantes do Pisa.<\/p>\n<p>A educadora da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp) M\u00e1rcia Jacomini, que pesquisa reprova\u00e7\u00e3o, diz que n\u00e3o v\u00ea &#8220;um s\u00f3 aspecto positivo&#8221; na repet\u00eancia. &#8220;Ela leva \u00e0 separa\u00e7\u00e3o do grupo da classe, interfere na autoestima, tem custo alto e causa evas\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Victor Hugo, de 11 anos, est\u00e1 fazendo o 4.\u00ba ano pela terceira vez numa escola p\u00fablica de Senador Canedo, em Goi\u00e1s. A cidade \u00e9 uma das que t\u00eam altos \u00edndices de distor\u00e7\u00e3o idade\/s\u00e9rie no ensino m\u00e9dio. A m\u00e3e, a empregada dom\u00e9stica Jaciene Braz, de 30 anos, diz que o menino reclama que \u00e9 muito maior que os colegas. Com 1,65 metro e quase 12 anos, j\u00e1 deveria estar no 7.\u00ba ano, mas convive com crian\u00e7as de 8 e 9 anos. &#8220;Ele j\u00e1 nem quer ir mais para a escola.&#8221; Victor Hugo n\u00e3o sabe ler e escreve pouco. &#8220;No 1 \u00ba ano ele n\u00e3o foi alfabetizado&#8221;, diz. Mesmo assim, Jaciene acha certo o filho repetir porque &#8220;iria para o 5.\u00ba ano sem saber nada&#8221;.<\/p>\n<p>Morador de Presidente Prudente (SP), Gabriel Gon\u00e7alves, de 19 anos, desistiu da escola regular no in\u00edcio no ensino m\u00e9dio. J\u00e1 havia repetido duas vezes, no 5.\u00ba ano e no 8.\u00ba ano. &#8220;Ficava triste, todo mundo ia para frente e eu, parado.&#8221; Agora que \u00e9 maior de idade, voltou a estudar na Educa\u00e7\u00e3o de Jovens e Adultos (EJA) porque quer prestar concurso p\u00fablico. &#8220;Acho que deveriam dar mais chances para a gente. Os anos que fiz de novo n\u00e3o aprendi nada e passei raspando.&#8221;<\/p>\n<p>Especialistas alertam que, se h\u00e1 repet\u00eancia, as escolas precisam ter projetos para lidar com os reprovados. &#8220;N\u00e3o se pode trat\u00e1-los como se tivessem come\u00e7ando pela primeira vez aquele ano&#8221;, afirma Alavarse.<\/p>\n<p><strong>Ciclos<\/strong> &#8211; Os dados da pesquisa mostram que h\u00e1 Estados em que 100% dos munic\u00edpios t\u00eam graves problemas de distor\u00e7\u00e3o idade\/s\u00e9rie no ensino m\u00e9dio, como Par\u00e1 e Distrito Federal. Procurados, ambos os governos informaram que t\u00eam medidas para reduzir os \u00edndices, como parcerias e implementa\u00e7\u00e3o de ciclos, quando a repet\u00eancia acontece s\u00f3 em alguns anos.<\/p>\n<p>Roraima, Amap\u00e1 e Amazonas n\u00e3o responderam \u00e0s solicita\u00e7\u00f5es. S\u00e3o Paulo, que adota um sistema de ciclos, tem os \u00edndices mais baixos do Pa\u00eds. Educadores dizem que h\u00e1 problemas na implementa\u00e7\u00e3o do sistema, que prev\u00ea uma avalia\u00e7\u00e3o cont\u00ednua do aluno &#8211; o que nem sempre ocorre -, mas a menor possibilidade de repet\u00eancia \u00e9 positiva.<\/p>\n<p>Professores que atuam nas escolas reclamam de salas cheias, dificuldade em se dedicar aos alunos com problemas de aprendizagem e pouca ajuda dos pais. &#8220;Depois do 3.\u00ba ano, os pais desistem de ir a reuni\u00f5es, n\u00e3o acompanham. A\u00ed a crian\u00e7a chega ao 5.\u00ba ano sem saber ler e n\u00e3o temos mais o que fazer&#8221;, diz Nath\u00e1lia, professora da rede municipal de S\u00e3o Paulo, que preferiu n\u00e3o ter seu sobrenome publicado. &#8220;Acho que tem de repetir em todas as s\u00e9ries. Se voc\u00ea joga para frente, ele n\u00e3o vai acompanhar e vai se frustrar.&#8221;<\/p>\n<p>Educadores lembram que as escolas precisam fazer interven\u00e7\u00f5es ao longo do ano, com acompanhamento do aluno e refor\u00e7o, para verificar se ele est\u00e1 aprendendo. &#8220;O desafio \u00e9 construir um sistema de ensino que prescinda da reprova\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em mais de 70% das cidades brasileiras, no m\u00ednimo um em cada quatro alunos cursa o 1.\u00ba ano do ensino m\u00e9dio com muito atraso. Eles come\u00e7am essa etapa com 17 anos em vez de 15, a idade correta. 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