{"id":174770,"date":"2018-04-02T14:29:08","date_gmt":"2018-04-02T17:29:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=174770"},"modified":"2018-04-02T16:23:57","modified_gmt":"2018-04-02T19:23:57","slug":"dois-em-cada-tres-brasileiros-querem-militar-na-seguranca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/dois-em-cada-tres-brasileiros-querem-militar-na-seguranca\/","title":{"rendered":"Dois em cada tr\u00eas brasileiros querem militar na seguran\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>A interven\u00e7\u00e3o federal na seguran\u00e7a p\u00fablica do Rio de Janeiro n\u00e3o melhorou a imagem do presidente Michel Temer, mas \u00e9 amplamente aprovada pela popula\u00e7\u00e3o: 75% se declaram a favor da iniciativa. Al\u00e9m disso, dois em cada tr\u00eas brasileiros apoiariam uma medida similar em seu Estado, caso ela fosse adotada. Os dados s\u00e3o de pesquisa nacional do Instituto Ipsos, feita em parceria com o jornal O Estado de S. Paulo.<\/p>\n<p>Nas Regi\u00f5es Norte, Nordeste e Centro-Oeste, a taxa de apoio a uma eventual interven\u00e7\u00e3o \u00e9 de 80%, 72% e 71%, respectivamente &#8211; acima da m\u00e9dia nacional de 64%. No Sudeste, a taxa \u00e9 de 63%. Apenas na Regi\u00e3o Sul a popula\u00e7\u00e3o se divide: 47% a favor e 46% contra. O governo federal n\u00e3o planeja intervir em outros Estados A inclus\u00e3o da pergunta na pesquisa serve para verificar a percep\u00e7\u00e3o sobre o tema.<\/p>\n<p>O apoio generalizado a uma eventual a\u00e7\u00e3o intervencionista na maioria das regi\u00f5es tem diversas explica\u00e7\u00f5es, segundo Danilo Cersosimo, diretor do Ipsos. Primeiro, a criminalidade \u00e9 um problema nacional, e seus efeitos influenciam o cotidiano de parcela significativa da popula\u00e7\u00e3o. &#8220;Quando perguntamos quais s\u00e3o os principais problemas da popula\u00e7\u00e3o, a viol\u00eancia aparece em terceiro ou quarto lugar, atr\u00e1s de sa\u00fade e desemprego, e \u00e0s vezes de corrup\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Em segundo lugar, diz Cersosimo, h\u00e1 o entendimento de que interven\u00e7\u00e3o seria &#8220;o Ex\u00e9rcito nas ruas fazendo o papel que a pol\u00edcia n\u00e3o consegue cumprir&#8221;. &#8220;Tivemos muitas not\u00edcias no Pa\u00eds de guerra de quadrilhas, crise de pres\u00eddios, chacinas, o que refor\u00e7a a ideia de que o Estado \u00e9 omisso e ineficiente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 seguran\u00e7a. Outras pesquisas mostram que o Ex\u00e9rcito goza de confian\u00e7a relativamente alta em rela\u00e7\u00e3o a outras institui\u00e7\u00f5es.&#8221;<\/p>\n<p>Para o professor da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV) Rafael Alcadipani, membro do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, o resultado era esperado. &#8220;O que as pessoas est\u00e3o fazendo \u00e9 dar um grito de desespero. Acham que alguma coisa que venha de fora pode resolver o problema, ainda que n\u00e3o saibam exatamente o que \u00e9.&#8221;<\/p>\n<p>J\u00e1 o pesquisador Iv\u00eanio Hermes, do Observat\u00f3rio da Viol\u00eancia do Rio Grande do Norte, o apoio \u00e0 medida, por ora, \u00e9 sentimental. &#8220;H\u00e1 duas rea\u00e7\u00f5es: a da realidade e a sentimental. A da realidade precisa de aferi\u00e7\u00e3o estat\u00edstica, com estudos anteriores e posteriores \u00e0 a\u00e7\u00e3o para saber se os efeitos perduram. Como esse tipo de verifica\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o pode ser feito, \u00e9 natural a rea\u00e7\u00e3o sentimental, do que \u00e9 vis\u00edvel.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Rio<\/strong> &#8211; Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 interven\u00e7\u00e3o no Rio, o maior porcentual de apoio se concentra no Norte e no Nordeste (83% em ambas regi\u00f5es). No Sudeste, a taxa \u00e9 de 72%, ligeiramente abaixo da m\u00e9dia nacional, de 75%. No Sul, a medida tem menos aceita\u00e7\u00e3o, mas ainda assim o apoio \u00e9 amplamente majorit\u00e1rio: 67%.<\/p>\n<p>&#8220;Houve muita exposi\u00e7\u00e3o de cenas de viol\u00eancia e criminalidade no carnaval, e a interven\u00e7\u00e3o foi anunciada pouco depois&#8221;, disse Cersosimo. &#8220;Isso contribuiu para a alta aprova\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Para 58%, a interven\u00e7\u00e3o tende a resolver o problema da seguran\u00e7a no Rio. Outros 30% acham o contr\u00e1rio, e 14% n\u00e3o responderam. A pesquisa foi feita antes da execu\u00e7\u00e3o da vereadora Marielle Franco (PSOL).<\/p>\n<p>O Ipsos tamb\u00e9m perguntou quem mais teria a ganhar com a interven\u00e7\u00e3o, apresentando uma lista com op\u00e7\u00f5es. Em primeiro lugar ficou o item &#8220;o cidad\u00e3o do Rio&#8221;, com 33%. Depois aparecem &#8220;o presidente Michel Temer&#8221; (18%) e &#8220;os mais pobres&#8221; (15%). O eventual benef\u00edcio a Temer ainda n\u00e3o apareceu, ao menos em termos de popularidade. A mesma pesquisa Ipsos, feita duas semanas ap\u00f3s o an\u00fancio da interven\u00e7\u00e3o, mostra que a desaprova\u00e7\u00e3o a Temer oscilou de 93% para 94%, e que a aprova\u00e7\u00e3o se manteve em 4%.<\/p>\n<p>Quando a pergunta se referiu a quem mais perde com a interven\u00e7\u00e3o, 53% responderam que \u00e9 &#8220;o crime organizado&#8221;, seguido por &#8220;os mais pobres&#8221; (13%).<\/p>\n<p>O levantamento revelou alto n\u00edvel de desinforma\u00e7\u00e3o sobre a cria\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Seguran\u00e7a P\u00fablica: 46% das pessoas n\u00e3o ouviram falar do assunto.<\/p>\n<p><strong>Nordeste<\/strong> &#8211; Moradora do Jardim S\u00e3o Paulo, um dos bairros mais violentos da capital de Pernambuco, Recife, a zeladora Veridiana Xavier, de 38 anos, vive assustada. M\u00e3e de tr\u00eas filhas, ela j\u00e1 foi assaltada quatro vezes nos \u00faltimos seis meses. Cansada da viol\u00eancia, Veridiana acredita que a presen\u00e7a das For\u00e7as Armadas nas ruas traria benef\u00edcios para a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;A pol\u00edcia n\u00e3o d\u00e1 conta dos bandidos h\u00e1 muito tempo por aqui. N\u00e3o tem hor\u00e1rio nem lugar seguro. Eu e minhas filhas vivemos com medo, n\u00e3o sa\u00edmos mais nem para a igreja. Eu realmente acho que, se os soldados do Ex\u00e9rcito fossem para as ruas, as coisas iam melhorar.&#8221;<\/p>\n<p>Em Fortaleza, no Cear\u00e1, a sensa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a \u00e9 semelhante, diante de uma onda de medo desencadeada por chacinas e ataques em s\u00e9rie a coletivos e pr\u00e9dios p\u00fablicos organizados por fac\u00e7\u00f5es criminosas. Morador da capital, Celso Gondim, de 48 anos, que cursa Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica, defende a interven\u00e7\u00e3o por acreditar que a viol\u00eancia fugiu do controle.<\/p>\n<p>H\u00e1 dez dias, Gondim presenciou a execu\u00e7\u00e3o de um homem na esquina da rua onde mora. Al\u00e9m disso, a chacina de Benfica &#8211; em que sete pessoas foram assassinadas -, aconteceu perto de sua casa. &#8220;A viol\u00eancia est\u00e1 cada vez mais perto, n\u00e3o apenas na periferia ou nas favelas&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Para ele, a interven\u00e7\u00e3o poderia ajudar. &#8220;Nem a Pol\u00edcia Civil nem a Militar tem treinamento, armamento e log\u00edstica para enfrentar o crime organizado.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A interven\u00e7\u00e3o federal na seguran\u00e7a p\u00fablica do Rio de Janeiro n\u00e3o melhorou a imagem do presidente Michel Temer, mas \u00e9 amplamente aprovada pela popula\u00e7\u00e3o: 75% se declaram a favor da iniciativa. 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