{"id":175516,"date":"2018-04-09T11:54:45","date_gmt":"2018-04-09T14:54:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=175516"},"modified":"2018-04-09T11:54:45","modified_gmt":"2018-04-09T14:54:45","slug":"cartao-de-credito-esta-engolindo-orcamento-domestico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/cartao-de-credito-esta-engolindo-orcamento-domestico\/","title":{"rendered":"Cart\u00e3o de cr\u00e9dito est\u00e1 &#8216;engolindo&#8217; or\u00e7amento dom\u00e9stico"},"content":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos tempos, os gastos excessivos com o cart\u00e3o de cr\u00e9dito entraram no foco do Banco Central e de entidades de defesa do consumidor. No ano passado, chegou-se a lan\u00e7ar uma campanha pelo &#8220;uso consciente&#8221; do cart\u00e3o, e houve mudan\u00e7a nas regras do pagamento do cr\u00e9dito rotativo, uma forma de diminuir os juros pagos pelo consumidor. Mesmo assim, o pagamento da fatura do cart\u00e3o ainda consome cerca de um ter\u00e7o do or\u00e7amento de quem usa o &#8220;dinheiro de pl\u00e1stico&#8221;.<\/p>\n<p>Segundo dados da plataforma de finan\u00e7as pessoais Guia Bolso, em m\u00e9dia, 33,22% dos ganhos foram usados para quitar a conta do cart\u00e3o em janeiro &#8211; n\u00famero at\u00e9 um pouco maior que o observado seis meses antes (32,81%). O n\u00famero est\u00e1 bem acima do recomendado por especialistas &#8211; para Bruno Poljokan, diretor da fintech de cr\u00e9dito Just, o ideal seria algo em torno de 10%. Entre os principais gastos dentro da fatura do cart\u00e3o est\u00e3o as compras, que v\u00e3o desde roupas e utens\u00edlios a jogos online, (26,93%), mercado (12,86%) e transporte (12,05%).<\/p>\n<p>Gastos com servi\u00e7os e mercado &#8211; al\u00e9m das famosas &#8220;parcelinhas&#8221; &#8211; s\u00e3o as principais contas da fatura do editor de v\u00eddeo Jo\u00e3o Vitor Albuquerque. O saldo final das contas corr\u00f3i 60% do or\u00e7amento todo m\u00eas. O n\u00famero \u00e9 alto porque \u00e9 no cart\u00e3o que ele concentra todos os gastos &#8211; at\u00e9 a recarga do bilhete \u00fanico. Albuquerque justifica que adota essa estrat\u00e9gia para obter vantagens oferecidas pelas institui\u00e7\u00f5es financeiras como a convers\u00e3o em milhas a\u00e9reas.<\/p>\n<p>A peleja de todo m\u00eas \u00e9 organizar as parcelas de modo a n\u00e3o comprometer ainda mais o fluxo de caixa e acabar caindo na ciranda de juros da d\u00edvida mais cara do mercado: o rotativo do cart\u00e3o de cr\u00e9dito. &#8220;Quando era mais novo, tinha muita dificuldade de pagar, e acabava empurrando com a barriga. N\u00e3o sei se o que fa\u00e7o hoje \u00e9 muito inteligente, mas foi como consegui me organizar.&#8221;<\/p>\n<p>Para Nicola Tingas, economista da Associa\u00e7\u00e3o Nacional das Institui\u00e7\u00f5es de Cr\u00e9dito, Financiamento e Investimento (Acrefi), as pessoas abusam do cart\u00e3o de cr\u00e9dito pela falta de informa\u00e7\u00e3o e pela necessidade de complementar a renda. &#8220;Muita gente n\u00e3o tem no\u00e7\u00e3o de que est\u00e1 com um produto t\u00e3o caro e, quando v\u00ea, j\u00e1 est\u00e1 afundada em d\u00edvidas&#8221;, observa. Al\u00e9m disso, lembra, em fase de recupera\u00e7\u00e3o da economia, as pessoas come\u00e7am a voltar a cometer pequenas &#8220;extravag\u00e2ncias&#8221;.<\/p>\n<p><strong>D\u00edvidas<\/strong> &#8211; Para Poljokan, da Just, o grande vil\u00e3o do cart\u00e3o s\u00e3o as compras parceladas. &#8220;Quando parcela o valor da compra, a pessoa perde a no\u00e7\u00e3o de fluxo de caixa e vai comprometendo a conta at\u00e9 chegar ao limite e n\u00e3o conseguir pagar, acabando no rotativo&#8221;, explica.<\/p>\n<p>Uma regra geral de finan\u00e7as que ele recomenda \u00e9 a 50-15-35, em que 50% do or\u00e7amento \u00e9 destinado a gastos essenciais, como aluguel e contas da casa; 15% para juros de financiamentos, como carros, apartamento ou empr\u00e9stimo pessoal; e 35% para gastos com estilo de vida. O primeiro passo para se organizar, segundo Poljokan, \u00e9 evitar parcelar compras atreladas ao estilo de vida &#8211; como sal\u00e3o de beleza e viagens -, deixando essa facilidade para gastos maiores.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da comodidade de contrata\u00e7\u00e3o e da populariza\u00e7\u00e3o do cart\u00e3o de cr\u00e9dito, Marianne Hanson, economista da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio (CNC), explica que o cart\u00e3o toma tanto espa\u00e7o no or\u00e7amento porque vem substituindo outras modalidades de d\u00edvida mais utilizadas pelo brasileiro no passado, como o cheque pr\u00e9-datado e o carn\u00ea de loja.<\/p>\n<p>No in\u00edcio de 2010, quando teve in\u00edcio a Pesquisa de Endividamento e Inadimpl\u00eancia do Consumidor (Peic), medida pela CNC, o cheque pr\u00e9-datado era apontado como a principal d\u00edvida por 4% dos entrevistados. J\u00e1 em mar\u00e7o deste ano, essa modalidade foi apontada como a maior por apenas 1,2%. No caso do carn\u00ea de loja, era o principal respons\u00e1vel pelas d\u00edvidas para 30% dos entrevistados em 2010, tendo ca\u00eddo quase \u00e0 metade no m\u00eas passado (16%). J\u00e1 a d\u00edvida do cart\u00e3o de cr\u00e9dito hoje \u00e9 apontada como a principal por 76,4% das fam\u00edlias endividadas, de acordo com a CNC.<\/p>\n<p><strong>Regras do rotativo<\/strong> &#8211; H\u00e1 um ano o governo mudou as regras do rotativo. Agora, os bancos s\u00e3o obrigados a transferir, ap\u00f3s um m\u00eas, a d\u00edvida do rotativo do cart\u00e3o para a modalidade parcelada, a juros mais baixos.<\/p>\n<p>A inten\u00e7\u00e3o do governo era permitir que a taxa de juros para o rotativo recue, j\u00e1 que o risco de inadimpl\u00eancia, em tese, cai com a migra\u00e7\u00e3o para o parcelado. O juro m\u00e9dio total cobrado no rotativo, entretanto, subiu 5,9 pontos porcentuais de janeiro para fevereiro, segundo o Banco Central. Com isso, a taxa passou de 328% em janeiro para 333,9% ao ano em fevereiro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos tempos, os gastos excessivos com o cart\u00e3o de cr\u00e9dito entraram no foco do Banco Central e de entidades de defesa do consumidor. 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