{"id":175716,"date":"2018-04-11T07:40:54","date_gmt":"2018-04-11T10:40:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=175716"},"modified":"2018-04-11T07:40:54","modified_gmt":"2018-04-11T10:40:54","slug":"o-inferno-somos-nos-trabalha-a-cultura-da-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/o-inferno-somos-nos-trabalha-a-cultura-da-paz\/","title":{"rendered":"&#8216;O Inferno Somos N\u00f3s&#8217; trabalha a cultura da paz"},"content":{"rendered":"<p>Em uma manh\u00e3 de domingo de setembro do ano passado, o historiador Leandro Karnal e a monja Coen, fundadora da Comunidade Zen-budista do Brasil, se encontraram para uma longa conversa sobre a quest\u00e3o da cultura da paz e sobre como ela poderia ajudar na constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade mais tranquila e menos violenta. \u00c0quela altura, muito \u00f3dio havia sido propagado nas redes sociais. Quase nada mudou desde ent\u00e3o &#8211; e isso torna O Inferno Somos N\u00f3s, livro resultante desta conversa que ser\u00e1 lan\u00e7ado nesta quarta-feira, 11, uma esp\u00e9cie de resposta ao que estamos vivendo.<\/p>\n<p>&#8220;O Brasil \u00e9 um palco de \u00f3dio e de polariza\u00e7\u00e3o, como em muitas partes do mundo. A diferen\u00e7a \u00e9 que nosso imagin\u00e1rio era de paz e harmonia, conc\u00f3rdia e cordialidade. Removida a fina p\u00e1tina social, encontramos dores agudas e muita raiva&#8221;, comenta Karnal, colunista do Caderno 2, que autografa a obra ao lado da monja Coen na Livraria Cultura do Conjunto Nacional (Av. Paulista, 2 073), \u00e0s 19 horas.<\/p>\n<p>Lan\u00e7ado na cole\u00e7\u00e3o Papirus Debate, o livro tem como subt\u00edtulo Do \u00d3dio \u00e0 Cultura da Paz. E por onde come\u00e7amos esse processo? Karnal responde, em entrevista por e-mail. &#8220;Come\u00e7a pela compaix\u00e3o, pela capacidade de sentir com os outros e reconhecer todos como seres humanos. Al\u00e9m disso, o conhecimento de si ajuda a n\u00e3o transferir, automaticamente, minhas frustra\u00e7\u00f5es para outros campos, como tr\u00e2nsito e redes sociais. Por fim, o velho conselho medieval: odiar o pecado e amar o pecador. Odeio o crime, o tr\u00e1fico de drogas e de pessoas e a corrup\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, mesmo o criminoso continua sendo uma pessoa com direitos.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;O indiv\u00edduo sem muito aprofundamento reflexivo dir\u00e1: &#8216;Queria ver se fosse com sua filha&#8217;. Se a viol\u00eancia fosse com algu\u00e9m que eu amo, provavelmente, eu teria impulsos assassinos de vingan\u00e7a. Exatamente contra a vingan\u00e7a pessoal surge a lei acima das passionalidades individuais ou grupais. A lei existe para ponderar mais do que a &#8216;vendetta familiar&#8217;. O sentimento de vingan\u00e7a \u00e9 compreens\u00edvel em cada indiv\u00edduo, a sociedade organizada em torno da lei surge para que eu ou qualquer um n\u00e3o tomemos o poder de pol\u00edcia nas m\u00e3os. Sem isso, teremos a barb\u00e1rie absoluta.&#8221;<\/p>\n<p>Para a monja Coen, a partida desse caminho \u00e9 o autoconhecimento. &#8220;Acredito que conhecer a si mesmo \u00e9 ir al\u00e9m da pr\u00f3pria hist\u00f3ria pessoal. \u00c9 conhecer o que \u00e9 o ser humano, a mente humana, como ela \u00e9 formada, do que foi alimentada para que se manifeste de determinada maneira e como esse sistema pode ser modificado. Pois ele pode ser modificado, como um computador&#8221;, diz, no livro<\/p>\n<p>Ela destaca, ainda, que se quisermos transformar uma cultura de viol\u00eancia em uma cultura de paz precisaremos ter muita resili\u00eancia. E que mais do que tolerar, \u00e9 preciso compreender e respeitar.<\/p>\n<p>&#8220;Uma pessoa pensar diferente de mim \u00e9 muito bom, caracteriza democracia, capacidade de debate e at\u00e9 aprofundamento dos meus argumentos&#8221;, comenta Leandro Karnal. Atacar o racismo tamb\u00e9m esteve em pauta. &#8220;Racismo n\u00e3o \u00e9 diverg\u00eancia, racismo \u00e9 crime, como pedofilia ou viol\u00eancia contra as mulheres. A diverg\u00eancia \u00e9 saud\u00e1vel no limite da lei e da \u00e9tica. Racismo \u00e9 viola\u00e7\u00e3o constitucional e n\u00e3o pode ser tolerado. N\u00e3o existe debate com racista, n\u00e3o existe um &#8216;outro lado&#8217;. O b\u00e1rbaro atual \u00e9 o que n\u00e3o admite a exist\u00eancia biogr\u00e1fica do outro. Racistas s\u00e3o b\u00e1rbaros&#8221;, diz Karnal.<\/p>\n<p>No livro, o historiador comenta que em nome do bem quase todos fazemos o mal e tamb\u00e9m fala na imposi\u00e7\u00e3o do &#8216;bem&#8217; sobre os outros. Para evitar o mal maior, em primeiro lugar, ele conta ao jornal O Estado de S. Paulo, n\u00e3o se deve, jamais, dividir o mundo entre o bem (meu lado) e o mal (outro lado). &#8220;Dois judeus famosos advertiram sobre a ambiguidade das pessoas que se acham virtuosas, Jesus e Freud. O \u00f3dio em nome do bem \u00e9 o pior de todos: ele destr\u00f3i com mais \u00eanfase porque se acredita protetor dos valores \u00e9ticos mais elevados. O lema da Inquisi\u00e7\u00e3o era Miseric\u00f3rdia e Justi\u00e7a. Os campos de concentra\u00e7\u00e3o nazistas exaltavam o trabalho no port\u00e3o. O \u00f3dio virtuoso \u00e9 muito perigoso, porque cega com mais facilidade. O mal maior \u00e9 sempre tentar destruir a exist\u00eancia do outro, porque vida \u00e9 o valor supremo.&#8221;<\/p>\n<p>Monja Coen e Leandro Karnal se conhecem h\u00e1 10 anos, mas pouco conviveram. &#8220;Duas pessoas muito diferentes em dois mundos quase opostos e, no fundo, descobrindo dois seres humanos muito parecidos. Talvez esse seja o caminho correto: ao aprofundar o conhecimento de algu\u00e9m eu percebo que alguma desconfian\u00e7a ou ressentimento que poderia existir se dissipa. Conhecimento diminui o medo&#8221;, conclui o historiador ao comentar a experi\u00eancia do di\u00e1logo transformado agora em livro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em uma manh\u00e3 de domingo de setembro do ano passado, o historiador Leandro Karnal e a monja Coen, fundadora da Comunidade Zen-budista do Brasil, se encontraram para uma longa conversa sobre a quest\u00e3o da cultura da paz e sobre como ela poderia ajudar na constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade mais tranquila e menos violenta. \u00c0quela altura, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":175717,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[70],"tags":[],"class_list":["post-175716","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/175716","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=175716"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/175716\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":175718,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/175716\/revisions\/175718"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/175717"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=175716"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=175716"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=175716"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}