{"id":175800,"date":"2018-04-11T19:55:05","date_gmt":"2018-04-11T22:55:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=175800"},"modified":"2018-04-11T20:22:18","modified_gmt":"2018-04-11T23:22:18","slug":"supremo-empurra-habeas-corpus-de-palocci-com-a-barriga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/supremo-empurra-habeas-corpus-de-palocci-com-a-barriga\/","title":{"rendered":"Supremo empurra habeas corpus de Palocci com a barriga"},"content":{"rendered":"<p>Apesar de decidirem que, por quest\u00f5es processuais, o habeas corpus do ex-ministro Antonio Palocci n\u00e3o poderia ser julgado no m\u00e9rito pelo Supremo Tribunal Federal (STF), os ministros ir\u00e3o analisar pedido de liberdade de Palocci &#8220;de of\u00edcio&#8221;. Isso acontece quando a Corte decide n\u00e3o conhecer do habeas corpus por problemas t\u00e9cnicos, mas entende que \u00e9 necess\u00e1rio, mesmo assim, enfrentar o m\u00e9rito do processo.<\/p>\n<p>Edson Fachin, relator do caso, come\u00e7ou a vota\u00e7\u00e3o do m\u00e9rito, e negou conceder o habeas corpus a Palocci. Ele j\u00e1 havia votado pelo n\u00e3o conhecimento da a\u00e7\u00e3o, mas considerou ser necess\u00e1rio discutir as reclama\u00e7\u00f5es do ex-ministro, que alega excesso de prazo em sua pris\u00e3o preventiva, decretada em setembro de 2016. Todos os demais ministros votam em seguida sobre o m\u00e9rito do habeas corpus.<\/p>\n<p>Ao negar o habeas corpus a Palocci, Fachin, afirmou que a liberdade do ex-ministro pode comprometer a ordem p\u00fablica. &#8220;O cen\u00e1rio revela a periculosidade concreta do agente e o risco de reitera\u00e7\u00e3o do crime e pr\u00e1tica de futuras infra\u00e7\u00f5es.&#8221;<\/p>\n<p>Foi por maioria, 6 a 5, que a Corte decidiu pelo n\u00e3o conhecimento do habeas corpus, o que, tradicionalmente, impediria a an\u00e1lise do m\u00e9rito do pedido da defesa do petista. Votaram pelo n\u00e3o conhecimento do habeas corpus os ministros Edson Fachin, Alexandre de Moraes, Lu\u00eds Roberto Barroso, Rosa Weber, Luiz Fux e a presidente da Corte, C\u00e1rmen L\u00facia. Dias Toffoli abriu a diverg\u00eancia, pela admiss\u00e3o, seguido pelos ministros Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes, Marco Aur\u00e9lio Mello e Celso de Mello.<\/p>\n<p>O argumento que ganhou a maioria dos ministros foi de que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel conhecer de habeas corpus contra pris\u00e3o preventiva quando h\u00e1 uma condena\u00e7\u00e3o posterior ao pedido de liberdade. A defesa de Palocci entrou com o habeas corpus no STF em abril de 2017, e sua condena\u00e7\u00e3o em primeira inst\u00e2ncia ocorreu em junho do mesmo ano. A pris\u00e3o de Palocci foi decretada nove meses antes da condena\u00e7\u00e3o em primeira inst\u00e2ncia. O juiz S\u00e9rgio Moro sentenciou o ex-ministro a 12 anos, 2 meses e 20 dias de pris\u00e3o por corrup\u00e7\u00e3o passiva e lavagem de dinheiro. Seu caso ainda n\u00e3o foi julgado em segunda inst\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Para o ministro Alexandre de Moraes, que acompanhou o relator, a condena\u00e7\u00e3o em primeira inst\u00e2ncia \u00e9 um fato superveniente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pris\u00e3o preventiva e exige impetra\u00e7\u00e3o de um novo habeas corpus.<\/p>\n<p>Ao defender o conhecimento do habeas corpus, o ministro Dias Toffoli afirmou que na condena\u00e7\u00e3o contra Palocci o juiz S\u00e9rgio Moro se reportou a fundamento do decreto de pris\u00e3o preventiva, entendendo que a &#8220;senten\u00e7a seria bra\u00e7o de refor\u00e7o ao pressuposto da medida extrema&#8221;.<\/p>\n<p>O ministro Ricardo Lewandowski afirmou que h\u00e1 um movimento no plen\u00e1rio para transformar o Supremo em &#8220;corte exclusivamente constitucional&#8221;, em uma indireta ao colega Lu\u00eds Roberto Barroso. Lewandowski destacou que esse debate cabe ao Congresso, n\u00e3o ao Judici\u00e1rio.<\/p>\n<p>Em seu voto, o ministro Lu\u00eds Roberto Barroso defendeu que o &#8220;devido processo legal e o acesso \u00e0 Justi\u00e7a&#8221; se realizam em dois graus de jurisdi\u00e7\u00e3o. &#8220;Os tribunais superiores n\u00e3o s\u00e3o feitos para julgar todo tipo de inconformismo de quem tenha perdido alguma a\u00e7\u00e3o&#8221;. Na avalia\u00e7\u00e3o do ministro, o Supremo n\u00e3o deve ser a quarta inst\u00e2ncia &#8220;de pessoas que t\u00eam dinheiro para pagar advogado para impetrar habeas corpus&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Essa ideia de que o STF \u00e9 a quarta inst\u00e2ncia de todos os processos \u00e9 um tropicalismo equ\u00edvoco que n\u00e3o tem como funcionar &#8221; Ao agir como quarta inst\u00e2ncia, avalia, a Corte, ao inv\u00e9s de ser parte da solu\u00e7\u00e3o, acaba virando parte de um problema.<\/p>\n<p>Barroso ressaltou que n\u00e3o \u00e9 papel de nenhuma corte constitucional julgar 10 mil habeas corpus por ano, ao comparar o Supremo brasileiro \u00e0 Corte americana, que julga, em m\u00e9dia, cinco habeas corpus por ano. &#8220;Em 2017, foram mais de 9 mil e no STJ est\u00e1 ainda pior a sobrecarga de habeas corpus.&#8221;<\/p>\n<p>O ministro lembrou aos colegas que o habeas corpus foi impetrado contra pris\u00e3o preventiva. &#8220;Essa pris\u00e3o foi substitu\u00edda por senten\u00e7a condenat\u00f3ria largamente fundamentada. Assim, o t\u00edtulo prisional mudou. Antes era decreto de pris\u00e3o preventiva e agora \u00e9 senten\u00e7a condenat\u00f3ria. Como consideramos na Primeira Turma, este habeas corpus est\u00e1 prejudicado porque a superveni\u00eancia de nova decis\u00e3o faz com que impetra\u00e7\u00e3o n\u00e3o possa mais subsistir.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o estou conhecendo do habeas corpus pelos fundamentos filos\u00f3ficos que expus e que a multiplicidade indefinida inviabiliza o manuseio adequado do instituto (do habeas corpus) &#8221;<\/p>\n<p>Ao proferir seu voto, a ministra Rosa Weber ressaltou a jurisprud\u00eancia da 1\u00aa Turma, que entende ser necess\u00e1ria a impetra\u00e7\u00e3o de novo habeas corpus ap\u00f3s senten\u00e7a de primeira inst\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Favor\u00e1vel \u00e0 admissibilidade do habeas corpus, o ministro Gilmar Mendes defendeu o instrumento e afirmou n\u00e3o haver nada mais importante na doutrina do Supremo que o habeas corpus. &#8220;Virar as costas para isso \u00e9 encerrar uma fase hist\u00f3rica do tribunal, \u00e9 um pouco fech\u00e1-lo. Todas essas invencionices para n\u00e3o conhecer o habeas corpus n\u00e3o matam apenas o instituto do habeas corpus, mas \u00e9 um pouco da morte deste tribunal.&#8221;<\/p>\n<p>Ao iniciar seu voto, o ministro decano Celso de Mello destacou a &#8220;imensa responsabilidade do STF&#8221; e &#8220;responsabilidade da Corte no tratamento jurisdicional considerando sua voca\u00e7\u00e3o de tutela do estado de liberdade&#8221;. &#8220;Nenhuma pessoa, qualquer que seja, pode ver frustrada pretens\u00e3o de ser examinado seu pleito de liberdade &#8221;<\/p>\n<p>Voto de minerva, a presidente C\u00e1rmen L\u00facia destacou que sempre vota pelo n\u00e3o conhecimento nesses casos. &#8220;Sempre voto no sentido de n\u00e3o conhecer quando a senten\u00e7a apresenta novos fundamentos ou fatos que tenham sido apresentados de forma prec\u00e1ria inicialmente&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar de decidirem que, por quest\u00f5es processuais, o habeas corpus do ex-ministro Antonio Palocci n\u00e3o poderia ser julgado no m\u00e9rito pelo Supremo Tribunal Federal (STF), os ministros ir\u00e3o analisar pedido de liberdade de Palocci &#8220;de of\u00edcio&#8221;. 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