{"id":176058,"date":"2018-04-15T09:26:48","date_gmt":"2018-04-15T12:26:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=176058"},"modified":"2018-04-15T09:27:10","modified_gmt":"2018-04-15T12:27:10","slug":"plantas-fogem-do-aquecimento-e-florescem-em-regioes-frias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/plantas-fogem-do-aquecimento-e-florescem-em-regioes-frias\/","title":{"rendered":"Plantas fogem do aquecimento e florescem em regi\u00f5es frias"},"content":{"rendered":"<p>A mais de 3,5 mil metros acima do n\u00edvel do mar, a pesquisadora su\u00ed\u00e7a Sonja Wipf se surpreendeu com a presen\u00e7a de uma esp\u00e9cie que nunca teria brotado naquela regi\u00e3o dos Alpes, um dente-de-le\u00e3o. A descoberta n\u00e3o foi um caso isolado. Estudo do Instituto de Pesquisas de Neve e Avalanche de Davos, na Su\u00ed\u00e7a, feito em mais de 300 picos de montanhas europeias, mostrou, pela primeira vez, que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e o aquecimento global est\u00e3o causando um novo fen\u00f4meno: a migra\u00e7\u00e3o de plantas rumo aos pontos mais altos de cordilheiras at\u00e9 ent\u00e3o nevadas e uma nova flora em locais antes apenas ocupados por rochas e gelo.<\/p>\n<p>&#8220;Pela primeira vez conseguimos provar a rela\u00e7\u00e3o entre migra\u00e7\u00e3o de plantas e aquecimento do planeta&#8221;, afirmou Sonja ao Estado. Entre as novas esp\u00e9cies migrat\u00f3rias est\u00e3o a arnica, a grama alpina e arbustos de amora. Elas eram inexistentes ou simplesmente raras h\u00e1 cem anos em locais que hoje contam com suas cores e aromas.<\/p>\n<p>De acordo com os estudos realizados nos Alpes, Pirineus e outras cadeias montanhosas do Velho Continente, a migra\u00e7\u00e3o entre 2007 e 2016 aconteceu em uma velocidade cinco vezes superior \u00e0 registrada entre 1957 e 1966, um sinal de que as temperaturas em altas altitudes est\u00e3o menos rigorosas ou atingem as regi\u00f5es por per\u00edodos cada vez mais curtos. A constata\u00e7\u00e3o \u00e9 de que esses picos, muitas vezes nevados, sofreram um aquecimento duas vezes superior do que a m\u00e9dia do planeta, que observou o aumento de 1\u00b0C desde meados do s\u00e9culo 19.<\/p>\n<p>A equipe de mais de 50 pesquisadores destacou que a migra\u00e7\u00e3o de plantas ao longo do s\u00e9culo 21 foi mais pronunciada nos \u00faltimos 20 anos &#8211; per\u00edodo em que foram registrados alguns dos anos mais quentes da hist\u00f3ria. O ano de 2016 continua com a marca recorde de temperaturas desde que os dados come\u00e7aram a ser colhidos de forma sistem\u00e1tica, em 1880; 2017 \u00e9 considerado o ano mais quente sem a presen\u00e7a do El Ni\u00f1o.<\/p>\n<p>Para chegar \u00e0 constata\u00e7\u00e3o de que a migra\u00e7\u00e3o das plantas est\u00e1 ligada ao aquecimento global, os cientistas compararam a vegeta\u00e7\u00e3o presente nas mesmas \u00e1reas nos \u00faltimos 145 anos. Segundo eles, a acelera\u00e7\u00e3o da migra\u00e7\u00e3o ocorreu de forma sincronizada com o aquecimento global e n\u00e3o houve rela\u00e7\u00e3o com a polui\u00e7\u00e3o ou com a maior presen\u00e7a de humanos nas montanhas. A quest\u00e3o fundamental foi, de fato, o calor.<\/p>\n<p>A arnica, por exemplo, era encontrada antes apenas na parte baixa dos Alpes e hoje pode ser vista em 14 picos, at\u00e9 no Monte Vago, a 3.052 metros de altitude. Ao mesmo tempo, esp\u00e9cies que j\u00e1 habitavam elevadas altitudes se proliferaram, como a Saxifraga oppositifolia, agora encontrada no pico do Dom du Mischable, a mais de 4,5 mil metros.<\/p>\n<p>Para cientistas, o deslocamento das esp\u00e9cies pode n\u00e3o significar uma amplia\u00e7\u00e3o da biodiversidade, pois existe o risco de que as plantas locais sejam expulsas ou impedidas de florescer diante dos &#8220;invasores&#8221;. &#8220;Mesmo que a biodiversidade esteja aumentando, n\u00e3o \u00e9 algo que necessariamente ir\u00e1 persistir&#8221;, disse Jonathan Lenoir, pesquisador do Centro Nacional de Pesquisa Cient\u00edfica da Fran\u00e7a e um dos l\u00edderes da opera\u00e7\u00e3o. &#8220;Em m\u00e9dia, essas plantas s\u00e3o maiores e mais competitivas do que as esp\u00e9cies tradicionais, que est\u00e3o, portanto, arriscadas de perderem seu espa\u00e7o no longo prazo&#8221;, escreveram os pesquisadores. &#8220;Precisaremos de d\u00e9cadas para saber como a mudan\u00e7a clim\u00e1tica altera a composi\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies nos picos.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Geleiras<\/strong> &#8211; Sonja conta que durante d\u00e9cadas os cientistas se preocuparam prioritariamente com as geleiras quando o assunto era aquecimento global. Isso porque estudos mostram que h\u00e1 o risco de que, at\u00e9 2100, o volume total de glaciais do planeta diminua de 15% a 55%, no cen\u00e1rio mais otimista, e at\u00e9 85%, no mais pessimista.<\/p>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 hist\u00f3rica. H\u00e1 quase 400 anos, as par\u00f3quias francesas nos Alpes apelaram \u00e0s for\u00e7as divinas para frear o avan\u00e7o de geleiras que amea\u00e7avam engolir vilarejos. Mais tarde, em 1643, os habitantes de Chamonix organizaram uma prociss\u00e3o depois que parte da geleira local destruiu um ponto da cidade. No ano seguinte, o ent\u00e3o bispo de Genebra assumiu a tarefa de lutar contra o gelo e passou a benzer o glacial a cada ano.<\/p>\n<p>Sonja destaca que a descoberta de sua equipe revela uma nova dimens\u00e3o do aquecimento global. Falar de glaciais, diz, \u00e9 &#8220;relativamente simples&#8221;, pois envolve clima, neve e gelo. Mas, ao tratar de plantas, o foco das consequ\u00eancias das mudan\u00e7as recai sobre ecossistemas inteiros. &#8220;Talvez, com isso, possamos entender o que pode, de fato, acontecer com o planeta.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A mais de 3,5 mil metros acima do n\u00edvel do mar, a pesquisadora su\u00ed\u00e7a Sonja Wipf se surpreendeu com a presen\u00e7a de uma esp\u00e9cie que nunca teria brotado naquela regi\u00e3o dos Alpes, um dente-de-le\u00e3o. A descoberta n\u00e3o foi um caso isolado. 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