{"id":176158,"date":"2018-04-16T13:35:00","date_gmt":"2018-04-16T16:35:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=176158"},"modified":"2018-04-16T14:41:06","modified_gmt":"2018-04-16T17:41:06","slug":"nova-regra-pode-criar-o-grupo-dos-super-endividados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/nova-regra-pode-criar-o-grupo-dos-super-endividados\/","title":{"rendered":"Nova regra pode criar o grupo dos super-endividados"},"content":{"rendered":"<p>Na semana passada, os bancos anunciaram mudan\u00e7as no cheque especial, uma das linhas mais caras do mercado financeiro. A partir de 1.\u00ba de julho, as institui\u00e7\u00f5es entrar\u00e3o em contato com os clientes que usarem mais de 15% do limite da conta por 30 dias consecutivos. Elas oferecer\u00e3o um financiamento pessoal mais barato como alternativa. Ningu\u00e9m ser\u00e1 obrigado a aceitar a proposta e tamb\u00e9m n\u00e3o haver\u00e1 penalidade para quem permanecer no vermelho.<\/p>\n<p>Em entrevista durante o an\u00fancio do programa, o presidente da Federa\u00e7\u00e3o Brasileira dos Bancos (Febraban), Murilo Portugal, disse que a medida era um avan\u00e7o para o setor. &#8220;O uso mais adequado vai reduzir inadimpl\u00eancia do cheque e a menor inadimpl\u00eancia vai permitir a redu\u00e7\u00e3o do juro&#8221;, defendeu.<\/p>\n<p>J\u00e1 para especialistas, planejadores financeiros e representantes de associa\u00e7\u00f5es de direito do consumidor, as mudan\u00e7as devem ter pouco impacto na vida das pessoas. Pior, alguns temem que a altera\u00e7\u00e3o empurre o consumidor para uma situa\u00e7\u00e3o de superendividamento, que \u00e9 o nome que se d\u00e1 para quem tem acima de 50% da renda comprometida com d\u00e9bitos e, n\u00e3o raramente, acaba assumindo mais de uma linha de financiamento, dando in\u00edcio a uma esp\u00e9cie de &#8216;ciranda do calote&#8217;.<\/p>\n<p>&#8220;O receio \u00e9 que o cliente que entrou no cheque especial adquira um financiamento pessoal e, no m\u00eas seguinte, ele retorne para o cheque especial. Em 30 dias ele transformou uma d\u00edvida em duas e depois pode virar tr\u00eas ou quatro&#8221;, afirma a economista Paula Sauer, especialista pela Planejar, entidade que certifica planejadores financeiros.<\/p>\n<p>Em fevereiro, a taxa m\u00e9dia de juros cobrada pelos bancos era de 324,1% ao ano. Uma d\u00edvida de R$ 1 mil sobe para R$ 4.240 depois de um ano no cheque especial. No cr\u00e9dito pessoal, essa d\u00edvida, depois de um ano, seria de R$ 1.330.<\/p>\n<p><strong>D\u00edvida longa<\/strong> &#8211; Mauricio Godoi, especialista em cr\u00e9dito e professor da Saint Paul, observa que a nova regra dos bancos tende a alongar o tempo de d\u00edvida dos clientes. &#8220;A inadimpl\u00eancia do cheque especial deve reduzir imediatamente, mas o grau de endividamento das fam\u00edlias deve ficar o mesmo. (Com essa medida) a gente est\u00e1 pegando a inadimpl\u00eancia de curt\u00edssimo prazo e pulverizando em outras de prazo maior&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Esse movimento, pontua Godoi, pode ser ben\u00e9fico para o devedor, reduzindo o comprometimento mensal do or\u00e7amento. Mas, na pr\u00e1tica, especialistas dizem que a conta n\u00e3o \u00e9 assim t\u00e3o simples &#8220;O cheque especial n\u00e3o pode ser visto separadamente. Quando se entra no cheque especial, outras obriga\u00e7\u00f5es j\u00e1 ficaram pelo caminho&#8221;, conta o diretor de cr\u00e9dito e recupera\u00e7\u00e3o para pessoas f\u00edsicas do Santander, Cassio Schmitt.<\/p>\n<p>De R$ 4 mil para R$ 41 mil. O roteiro \u00e9 conhecido do engenheiro mec\u00e2nico Wagner Loro. No final de 2016, ele consumiu o limite de R$ 4 mil de seu cheque especial e, 180 dias depois, j\u00e1 devendo tamb\u00e9m no cart\u00e3o de cr\u00e9dito, contratou um financiamento pessoal. Mas, 30 dias depois, Loro j\u00e1 estava novamente no cheque especial &#8220;Usei o limite da conta para pagar a primeira presta\u00e7\u00e3o do financiamento&#8221;, conta ele que, um ano depois, devia R$ 41 mil.<\/p>\n<p>Wagner Loro conseguiu sair dessa bola de neve quando procurou o Procon-SP para ajudar a negociar sua situa\u00e7\u00e3o. Antes, ele j\u00e1 havia tentado sozinho e as solu\u00e7\u00f5es do banco n\u00e3o se encaixam em or\u00e7amento. &#8220;Ou eu pagava ou eu vivia. Com ajuda, eles reduziram o saldo para R$ 31 mil e acertaram uma taxa de juros de 1% ao m\u00eas&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Segundo a economista do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Ione Amorim, a dificuldade de negocia\u00e7\u00e3o relatada pelo engenheiro mec\u00e2nico \u00e9 frequente. &#8220;Historicamente, \u00e9 dif\u00edcil negociar com os bancos&#8221;, diz. Ione conta de uma pesquisa divulgada h\u00e1 um ano, em que o Idec entrevistou 1.815 devedores. Desses, 53,6% disseram que j\u00e1 tentaram renegociar uma d\u00edvida e, deles, 39,2% obtiveram sucesso. &#8220;A maioria conta que a institui\u00e7\u00e3o financeira n\u00e3o avaliou a capacidade de pagamento do cliente&#8221;, diz.<\/p>\n<p>As institui\u00e7\u00f5es financeiras, por sua vez, afirmam que v\u00eam investindo em a\u00e7\u00f5es para personalizar os produtos de cr\u00e9dito. Cassio Shimidt, do Santander, diz que o plano \u00e9 investir em canais tecnol\u00f3gico. &#8220;N\u00f3s atendemos alguns milh\u00f5es de contas, o Ita\u00fa outros milh\u00f5es e o Bradesco tamb\u00e9m. \u00c9 completamente invi\u00e1vel que um gerente converse com todos os seus clientes pessoalmente&#8221;, conta. Assim como a Caixa, o Santander diz que n\u00e3o deve lan\u00e7ar um produto espec\u00edfico para a normatiza\u00e7\u00e3o do cheque especial.<\/p>\n<p>O Banco do Brasil e o Bradesco afirmam que ir\u00e3o criar uma linha nova para substituir o cheque especial a partir de 1.\u00ba de julho. Procurado, o Ita\u00fa ainda n\u00e3o divulgou qual ser\u00e1 a estrat\u00e9gia que vai adotar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na semana passada, os bancos anunciaram mudan\u00e7as no cheque especial, uma das linhas mais caras do mercado financeiro. 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