{"id":176498,"date":"2018-04-19T07:03:56","date_gmt":"2018-04-19T10:03:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=176498"},"modified":"2018-04-19T09:06:10","modified_gmt":"2018-04-19T12:06:10","slug":"fmi-adverte-para-riscos-da-crescente-divida-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/fmi-adverte-para-riscos-da-crescente-divida-brasileira\/","title":{"rendered":"FMI adverte para riscos da crescente d\u00edvida brasileira"},"content":{"rendered":"<p>Num mundo superendividado, o Brasil se destaca por uma d\u00edvida p\u00fablica muito maior que a dos outros grandes emergentes &#8211; um importante fator de risco, na avalia\u00e7\u00e3o de especialistas do Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI). Para tornar o Pa\u00eds menos vulner\u00e1vel a choques externos, \u00e9 &#8220;crucial&#8221; apressar a arruma\u00e7\u00e3o das contas p\u00fablicas e frear o endividamento, segundo o diretor do Departamento de Assuntos Fiscais do Fundo, Vitor Gaspar.<\/p>\n<p>O perigo de turbul\u00eancias no mercado financeiro tem crescido com a pol\u00edtica de juros baixos e cr\u00e9dito f\u00e1cil, num ambiente prop\u00edcio a opera\u00e7\u00f5es de risco e \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o excessiva de ativos. A lembran\u00e7a do estouro da bolha financeira h\u00e1 dez anos, come\u00e7o da \u00faltima grande crise, tem justificado as advert\u00eancias de economistas e dirigentes de entidades financeiras e econ\u00f4micas multilaterais.<\/p>\n<p>Qualquer choque um pouco mais forte pode ser desastroso num ambiente de enorme endividamento, segundo t\u00eam alertado analistas do FMI e de outras institui\u00e7\u00f5es. A soma das d\u00edvidas p\u00fablica e privada atingiu US$ 164 trilh\u00f5es em 2016, valor correspondente a 225% do produto global. A d\u00edvida p\u00fablica total chegou a 83,1% do produto naquele ano e em seguida recuou ligeiramente, passando a 82,4% em 2017 e 82,1% em 2018.<\/p>\n<p>Nas economias avan\u00e7adas o endividamento alcan\u00e7ou 105% do Produto Interno Bruto (PIB) no ano passado, o n\u00edvel mais alto desde a Segunda Guerra Mundial. A propor\u00e7\u00e3o deve ficar em 103% neste ano e declinar lentamente at\u00e9 100,4% em 2023, pelas contas do FMI. Mas o cen\u00e1rio se complica nos Estados Unidos, a pot\u00eancia econ\u00f4mica n\u00famero um, com a pol\u00edtica fiscal expansionista do presidente Donald Trump. A d\u00edvida p\u00fablica americana est\u00e1 projetada para 108% do PIB neste ano e 116,9% em 2023.<\/p>\n<p>Emergentes &#8211; A situa\u00e7\u00e3o dos emergentes parece bem mais administr\u00e1vel que a do mundo rico, mas a diferen\u00e7a \u00e9 explic\u00e1vel, em parte, pelo menor acesso a financiamentos. Nas economias emergentes e de renda m\u00e9dia d\u00edvida bruta do governo geral chegou a 49% do PIB no ano passado, deve subir para 51,2% em 2018 e alcan\u00e7ar 57,6% em 2023. No Brasil o comprometimento das finan\u00e7as p\u00fablicas \u00e9 muito maior. Estava em 84% do PIB em 2017, \u00e9 estimado em 87,3% neste ano e continuar\u00e1 avan\u00e7ando, segundo estimam economistas do FMI, at\u00e9 96,3% em 2023.<\/p>\n<p>Pelos c\u00e1lculos do governo brasileiro, a d\u00edvida p\u00fablica ainda est\u00e1 abaixo de 80%. A diferen\u00e7a ocorre porque o crit\u00e9rio seguido em Bras\u00edlia desconsidera os t\u00edtulos do Tesouro mantidos no Banco Central (BC). Mas a distin\u00e7\u00e3o de crit\u00e9rios de nenhum modo reduz o problema ou afeta de forma significativa as avalia\u00e7\u00f5es do mercado. Essas avalia\u00e7\u00f5es s\u00e3o por enquanto favor\u00e1veis, mas podem mudar com o crescimento continuado da d\u00edvida ou, ainda mais velozmente, no caso de um choque financeiro.<\/p>\n<p>Monitor &#8211; \u00c9 uma propor\u00e7\u00e3o excessiva para um emergente, comentou Vitor Gaspar, retomando em entrevista coletiva a recomenda\u00e7\u00e3o inclu\u00edda no Monitor Fiscal, um relat\u00f3rio publicado pelo FMI em abril e outubro.<\/p>\n<p>O Brasil, segundo a publica\u00e7\u00e3o, deve aproveitar as condi\u00e7\u00f5es criadas pelo crescimento econ\u00f4mico e adiantar a execu\u00e7\u00e3o dos ajustes e reformas, para estabilizar a d\u00edvida bruta antes do prazo previsto de 2024. A decis\u00e3o de como cuidar do assunto caber\u00e1, \u00e9 claro, \u00e0s autoridades do Brasil, ressalva o economista, mas a recomenda\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica est\u00e1 feita.<\/p>\n<p>O problema pr\u00e1tico \u00e9 saber como o governo poder\u00e1 gerar super\u00e1vits prim\u00e1rios, nos pr\u00f3ximos anos, em volume suficiente para estabilizar a propor\u00e7\u00e3o entre a d\u00edvida e o PIB. As contas p\u00fablicas brasileiras t\u00eam sido fechadas com d\u00e9ficit prim\u00e1rio desde os anos finais do governo da presidente Dilma Rousseff.<\/p>\n<p>H\u00e1 super\u00e1vit prim\u00e1rio quando sobra algum dinheiro depois das despesas de opera\u00e7\u00e3o governo, aquelas necess\u00e1rias para o custeio da administra\u00e7\u00e3o e, quando poss\u00edvel, para algum investimento. H\u00e1 anos o dinheiro tem sido insuficiente at\u00e9 para cobrir esses gastos. Neste ano, por exemplo, o governo federal se esfor\u00e7a para conter d\u00e9ficit prim\u00e1rio em R$ 139 bilh\u00f5es. Para o pr\u00f3ximo ano a meta deve ser um buraco de R$ 129 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Perspectiva &#8211; Sem alguma sobra, falta dinheiro at\u00e9 para cobrir uma pequena parcela dos juros vencidos no ano. \u00c9 preciso, portanto, refinanciar os juros e, naturalmente, o principal da d\u00edvida. Assim, cresce o valor devido. Pelas proje\u00e7\u00f5es correntes em Bras\u00edlia, a d\u00edvida continuar\u00e1 em expans\u00e3o at\u00e9 o fim do pr\u00f3ximo governo e s\u00f3 se estabilizar\u00e1 em 2023 ou 2024. E mesmo essas estimativas podem estar erradas, a depender da orienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica implantada nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p>O atual n\u00edvel de endividamento p\u00fablico dos emergentes, perto de 50% na m\u00e9dia, foi verificado pela \u00faltima vez nos anos 1980, per\u00edodo de crise conhecido como a d\u00e9cada perdida, lembrou Vitor Gaspar. Muito acima disso est\u00e1 o do Brasil, superior a 80% do PIB e no rumo de 96%, pelas contas do FMI.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Num mundo superendividado, o Brasil se destaca por uma d\u00edvida p\u00fablica muito maior que a dos outros grandes emergentes &#8211; um importante fator de risco, na avalia\u00e7\u00e3o de especialistas do Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI). 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