{"id":176724,"date":"2018-04-22T09:32:44","date_gmt":"2018-04-22T12:32:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=176724"},"modified":"2018-04-22T09:34:15","modified_gmt":"2018-04-22T12:34:15","slug":"rotina-dos-venezuelanos-vai-de-barraca-ao-abrigo-em-roraima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/rotina-dos-venezuelanos-vai-de-barraca-ao-abrigo-em-roraima\/","title":{"rendered":"Rotina dos venezuelanos em Roraima vai de barraca ao abrigo"},"content":{"rendered":"<p>Na entrada da Pra\u00e7a Simon Bol\u00edvar, uma placa traz, em espanhol, a mensagem aos visitantes: &#8220;Bienvenidos a Boa Vista&#8221;. Para os mais de mil venezuelanos alojados no local, por\u00e9m, a sensa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 de acolhimento. Com os cinco abrigos da cidade superlotados, os imigrantes foram montando, nos \u00faltimos meses, barracas improvisadas nas pra\u00e7as, mas n\u00e3o contaram com a ajuda do poder p\u00fablico.<\/p>\n<p>Com o crescimento da ocupa\u00e7\u00e3o nas \u00faltimas semanas, a Prefeitura de Boa Vista decidiu, no in\u00edcio de abril, instalar tapumes ao redor da pra\u00e7a para separar os venezuelanos dos que passam nas avenidas vizinhas. N\u00e3o viu necessidade, no entanto, de instalar banheiros qu\u00edmicos ou oferecer \u00e1gua aos refugiados.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, os com\u00e9rcios vizinhos \u00e0 pra\u00e7a passaram a impedir o uso do vaso sanit\u00e1rio aos imigrantes ou cobrar at\u00e9 R$ 3 para cada utiliza\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m fecharam o registro das torneiras para que os venezuelanos n\u00e3o peguem \u00e1gua para tomar banho ou lavar roupas. &#8220;Se a gente n\u00e3o tem dinheiro nem para comer, imagina pagar R$ 3 cada vez que precisarmos ir ao banheiro&#8221;, diz a cabeleireira Luiziana Milagros Medina, de 31 anos, que vive com o marido e o filho de 4 anos no local.<\/p>\n<p>Diante da situa\u00e7\u00e3o, os venezuelanos procuram matagais pr\u00f3ximos para urinar ou defecar e andam mais de dois quil\u00f4metros at\u00e9 o Rio Branco para tomar banho ou lavar roupas. &#8220;A gente vem (ao rio) porque n\u00e3o tem outra op\u00e7\u00e3o, mas aqui \u00e9 sujo. Estamos tomando banho ao lado at\u00e9 de animais mortos&#8221;, conta o mec\u00e2nico Luiz Henrique Marques, de 29 anos, apontando para o esqueleto de um cachorro na margem do rio, a poucos metros de onde um grupo de venezuelanos tomava banho e enchia garrafas para levar para a pra\u00e7a onde vivem.<\/p>\n<p>O medo dos imigrantes agora \u00e9 que a situa\u00e7\u00e3o de moradia se agrave ainda mais com a chegada das chuvas. No inverno de Roraima, os temporais s\u00e3o severos. Na segunda-feira, 16, uma chuva forte deixou a pra\u00e7a e as barracas alagadas. &#8220;Na Venezuela, est\u00e1vamos morrendo de fome. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o d\u00e1 para morar desse jeito aqui. Com a chuva e a sujeira em que vivemos, eu, meu marido e meus filhos estamos com gripe, diarreia, v\u00f4mitos. Estamos at\u00e9 pensando em voltar para nosso pa\u00eds&#8221;, diz Eudinelis Guzman, de 32 anos.<\/p>\n<p>De acordo com a prefeitura de Boa Vista, a presen\u00e7a de imigrantes nas pra\u00e7as \u00e9 &#8220;uma situa\u00e7\u00e3o provis\u00f3ria at\u00e9 que eles sejam deslocados para abrigos&#8221;. Destacou que vistoria diariamente os locais e, por serem espa\u00e7os abertos e p\u00fablicos, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel fazer &#8220;qualquer interven\u00e7\u00e3o no momento&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Ex\u00e9rcito<\/strong> &#8211; Nos cinco abrigos da cidade, todos sob coordena\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito, a oferta de barracas, refei\u00e7\u00f5es e banheiros torna a situa\u00e7\u00e3o dos imigrantes um pouco melhor, mas isso n\u00e3o significa comodidade. Os locais tamb\u00e9m t\u00eam problemas. A pior situa\u00e7\u00e3o \u00e9 a do abrigo do bairro Pintol\u00e2ndia, que acolhe apenas venezuelanos ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>O local tem capacidade para 370 pessoas, mas recebe atualmente 715 ind\u00edgenas. No local, onde centenas de redes e barracas disputam espa\u00e7o, crian\u00e7as brincam em um terreno de terra com sujeira e restos de alimentos. Muitos chegam da Venezuela doentes.<\/p>\n<p>Na \u00faltima semana, oito crian\u00e7as moradoras do abrigo estavam internadas em Boa Vista com quadros de desnutri\u00e7\u00e3o ou problemas respirat\u00f3rios. &#8220;Aqui pelo menos a gente vive um pouco melhor do que na Venezuela. L\u00e1 n\u00e3o tem comida, rem\u00e9dios, fraldas&#8221;, diz a ind\u00edgena Glady Moreno, de 29 anos. O Ex\u00e9rcito informou que abrir\u00e1 outros quatro abrigos na cidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na entrada da Pra\u00e7a Simon Bol\u00edvar, uma placa traz, em espanhol, a mensagem aos visitantes: &#8220;Bienvenidos a Boa Vista&#8221;. Para os mais de mil venezuelanos alojados no local, por\u00e9m, a sensa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 de acolhimento. 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