{"id":177029,"date":"2018-04-24T14:29:26","date_gmt":"2018-04-24T17:29:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=177029"},"modified":"2018-04-24T14:29:26","modified_gmt":"2018-04-24T17:29:26","slug":"pais-tem-396-denuncias-por-dia-de-maus-tratos-a-menores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/pais-tem-396-denuncias-por-dia-de-maus-tratos-a-menores\/","title":{"rendered":"Pa\u00eds tem 396 den\u00fancias por dia de maus tratos a menores"},"content":{"rendered":"<div class=\"n--noticia__state\">\n<p>M\u00e3e de tr\u00eas filhos, de 7,8 e 12 anos, Maria (nome fict\u00edcio)\u00a0foi denunciada no ano passado pelos vizinhos por neglig\u00eancia. Sem parentes ou amigos que pudessem ficar com as crian\u00e7as, ela costumava as\u00a0deixar sozinhas em casa para buscar terapias e consultas m\u00e9dicas para o menino mais novo que foi diagnosticado com autismo.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"n--noticia__content content\">\n<p>Situa\u00e7\u00f5es como a dessa fam\u00edlia n\u00e3o s\u00e3o raras no Brasil. O Disque 100, canal do Minist\u00e9rio de Direitos Humanos, recebeu 144.580 den\u00fancias de viola\u00e7\u00f5es de direitos de crian\u00e7as e adolescentes em 2016. S\u00e3o 396 ocorr\u00eancias por dia ou 16 a cada hora.<\/p>\n<p>O dado integra o Cen\u00e1rio da Inf\u00e2ncia e da Adolesc\u00eancia no Brasil, elaborado pela Funda\u00e7\u00e3o Abrinq (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira dos Fabricantes de Brinquedo), que ser\u00e1 lan\u00e7ado nesta ter\u00e7a-feira, 24. Dentre as den\u00fancias recebidas pelo Disque 100, a maioria (71,3%) \u00e9 por neglig\u00eancia, seguido de agress\u00e3o psicol\u00f3gica (44,5%) e viol\u00eancia f\u00edsica (42,1%) &#8211; em uma ocorr\u00eancia podem ser informados mais de um tipo de viola\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cO n\u00famero de den\u00fancias \u00e9 muito alto, mas, infelizmente, acreditamos que ainda esteja subestimado. Muitas das viol\u00eancias contra a crian\u00e7a n\u00e3o s\u00e3o denunciadas. Em parte porque a agress\u00e3o ocorre dentro de casa, mas tamb\u00e9m porque muitas pessoas ainda pensam que n\u00e3o devem interferir no ambiente familiar\u201d, diz Heloisa Oliveira, administradora executiva da funda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ela ainda ressalta que normalmente as crian\u00e7as e adolescentes mais vulner\u00e1veis aos maus tratos s\u00e3o aquelas que j\u00e1 tiveram outros direitos violados pelo Estado, como acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e assist\u00eancia social. O estudo mostra que no Pa\u00eds h\u00e1 5,8 milh\u00f5es de crian\u00e7as entre 0 e 14 anos (13,7% do total dessa faixa et\u00e1ria) vivendo em situa\u00e7\u00e3o de extrema pobreza e 2,55 milh\u00f5es entre 5 e 17 anos que trabalham.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 uma aus\u00eancia de pol\u00edticas estruturantes, com um olhar multissetorial, para proteger essas crian\u00e7as. Possivelmente essas v\u00edtimas, que sofrem em casa, tamb\u00e9m n\u00e3o tiveram acesso \u00e0 creche, lazer, esportes, condi\u00e7\u00f5es sociais dignas\u201d, afirma Heloisa.<\/p>\n<p>Apesar das den\u00fancias contra Maria, a situa\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia s\u00f3 mudou quando a dire\u00e7\u00e3o da escola das crian\u00e7as acionou o Conselho Tutelar e o Centro de Refer\u00eancia de Assist\u00eancia Social (Cras) para entender o que ocorria na casa. \u201cPercebemos que ela tinha dificuldades financeiras, falta de apoio e at\u00e9 de informa\u00e7\u00e3o sobre o que ela tinha direito. Ela n\u00e3o queria causar mal \u00e0s crian\u00e7as, estava fazendo o que acreditava ser melhor por n\u00e3o ver op\u00e7\u00f5es\u201d, conta Cl\u00e1udio Marques da Silva Neto, diretor da Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Infante Dom Henrique, no Canind\u00e9, regi\u00e3o central de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Sem ter quem cuidasse das crian\u00e7as e por n\u00e3o saber quais servi\u00e7os de sa\u00fade buscar o atendimento para o menino mais novo, ela deixava os filhos sozinhos em casa e eles muitas vezes faltavam \u00e0 escola por n\u00e3o ter quem os levasse. \u201cComo fizemos uma reuni\u00e3o com profissionais de v\u00e1rias \u00e1reas, elas recebeu as informa\u00e7\u00f5es que precisava e foi encaminhada para os servi\u00e7os corretos\u201d, conta Silva Neto.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do atendimento m\u00e9dico para o ca\u00e7ula, os dois filhos mais velhos tamb\u00e9m foram encaminhados para pediatras e psiquiatras. \u201cComo eles faltavam muito, o desenvolvimento deles tamb\u00e9m estava sendo comprometido. A fam\u00edlia toda sofria com o abandono social\u201d, diz o diretor.<\/p>\n<p>Segundo dados do minist\u00e9rio, os principais suspeitos\/denunciados s\u00e3o as m\u00e3es (41% dos casos) e pais (18%) e mais da metade dos casos (53%) s\u00e3o de ocorr\u00eancias na pr\u00f3pria casa da crian\u00e7a. \u201cOs dados mostram que quem agride \u00e9 quem deveria proteger essas crian\u00e7as. Por isso, a import\u00e2ncia de capacitarmos quem trabalha nas escolas e unidades de sa\u00fade para que saibam identificar os sinais de viol\u00eancia. Precisamos de um esfor\u00e7o em conjunto para reverter esse quadro t\u00e3o triste\u201d, diz Heloisa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00e3e de tr\u00eas filhos, de 7,8 e 12 anos, Maria (nome fict\u00edcio)\u00a0foi denunciada no ano passado pelos vizinhos por neglig\u00eancia. 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