{"id":177382,"date":"2018-04-27T07:22:03","date_gmt":"2018-04-27T10:22:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=177382"},"modified":"2018-04-27T07:22:03","modified_gmt":"2018-04-27T10:22:03","slug":"disco-classico-do-dead-fish-faz-20-anos-e-mantem-o-legado-do-hardcore","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/disco-classico-do-dead-fish-faz-20-anos-e-mantem-o-legado-do-hardcore\/","title":{"rendered":"Disco cl\u00e1ssico do Dead Fish faz 20 anos e mant\u00e9m o legado do hardcore"},"content":{"rendered":"<p>Era 23 de dezembro de 2017. Quando as luzes do Hangar 110, tradicional casa de shows de hardcore, localizada na zona norte da capital paulista, se apagaram pela \u00faltima vez, coube ao CPM 22 dar n\u00fameros finais a uma era que, dez anos antes, parecia fadada a um final, digamos, mais digno. Palco de tantas apresenta\u00e7\u00f5es nacionais e internacionais de peso, o fechamento do local acertou em cheio os cora\u00e7\u00f5es das bandas e dos amantes do g\u00eanero que explodiu nos anos 1990 e 2000. Se a onda do hardcore j\u00e1 vinha mal das pernas desde 2010, o fechamento do Hangar e de outras casas de shows menores s\u00f3 pioraram o cen\u00e1rio. Muitos conjuntos se desfizeram e tantos outros n\u00e3o conseguiram mais se manter em evid\u00eancia.<\/p>\n<p>Um dos grupos respons\u00e1veis pela \u00e9poca de ouro do hardcore nacional foi o Dead Fish. Formada em 1991 em Vit\u00f3ria, no Esp\u00edrito Santo, a banda triunfou ao lan\u00e7ar Sonho M\u00e9dio (1999). O segundo disco de est\u00fadio do conjunto abriu as portas para os chamados &#8220;garotos HC&#8217;s&#8221;. O \u00e1lbum mudou para sempre o rumo do hardcore brasileiro e colocou sob os holofotes um bando de jovens contr\u00e1rios ao sistema capitalista, que s\u00f3 queriam expressar seu descontentamento com o mundo por interm\u00e9dio de letras contundentes e riffs intensos.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 um de nossos \u00e1lbuns mais cl\u00e1ssicos, se n\u00e3o for o mais. Eu estava com 20 e poucos anos na \u00e9poca, j\u00e1 tinha uma banda por quase uma d\u00e9cada e as coisas estavam dando certo para a gente. Est\u00e1vamos escapando das garras da tosquice da sociedade capixaba m\u00e9dia e da brazuca tamb\u00e9m. Se tinham planos idiotas pra gente, est\u00e1vamos dizendo um n\u00e3o gigantesco pra eles&#8221;, conta Rodrigo Lima, vocalista do Dead Fish.<\/p>\n<p>As 14 faixas de Sonho M\u00e9dio poder\u00e3o ser ouvidas na \u00edntegra na noite deste s\u00e1bado, 28, em um show no Sesc Santo Amaro para celebrar as quase duas d\u00e9cadas do trabalho. Todos os ingressos j\u00e1 est\u00e3o esgotados. O repert\u00f3rio do CD, que inclui sucessos como Mulheres Negras, Paz Verde e Sobre a Viol\u00eancia, reflete a import\u00e2ncia do hardcore brasileiro para a gera\u00e7\u00e3o atual, que, apesar do sufoco, continua lutando para manter o legado do g\u00eanero em evid\u00eancia, tentando renovar seu p\u00fablico.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do Dead Fish, muitas foram as bandas que explodiram na mesma \u00e9poca. Garage Fuzz, Gritando HC, Mukeka di Rato, Dance of Days, Sugar Kane e Street Bulldogs, por exemplo, consolidaram uma cena que h\u00e1 muito tempo n\u00e3o se via no rock do Pa\u00eds. Os t\u00eanis sem meias e as famosas bermudas surradas eram sin\u00f4nimos de uma molecada que n\u00e3o se espelhava no britpop liderado por Oasis e Blur.<\/p>\n<p>Questionamentos suburbanos com teor pol\u00edtico dominavam a maior parte das letras desses grupos. &#8220;Essa conscientiza\u00e7\u00e3o veio de dentro de casa. Sempre tive livros e participava de discuss\u00f5es pol\u00edticas na mesa do almo\u00e7o mesmo. Era algo bem comum. Meu pai sempre contava hist\u00f3rias sobre o golpe de 64. Era como falar sobre futebol&#8221;, afirma Rodrigo. &#8220;No meu ponto de vista, o que torna Sonho M\u00e9dio t\u00e3o emblem\u00e1tico \u00e9 o fato de cantarmos em portugu\u00eas num tempo em que as bandas dos anos 1990 n\u00e3o queriam fazer isso, porque podia parecer cafona demais&#8221;, complementa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Era 23 de dezembro de 2017. Quando as luzes do Hangar 110, tradicional casa de shows de hardcore, localizada na zona norte da capital paulista, se apagaram pela \u00faltima vez, coube ao CPM 22 dar n\u00fameros finais a uma era que, dez anos antes, parecia fadada a um final, digamos, mais digno. 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